IMPRECISÃOViver não é precisoEstá aquém e alémDo siso da linha reta.Está no gozo desmedidoDa gratuidade do riso.Viver é desrealizarNo alumbramento do sonhoA urdidura do caminharNa escuta dos segredosDo coração fremente.Viver é e não éÉ ser tão simE tão bem nãoNo sertão de cada ser Na curva de cada estação. Viver é afinar Tons de ordem e desordemEntre o prumo e o piãoAmanhecer ...
IMPRECISÃOViver não é preciso
Está aquém e além
Do siso da linha reta.
Está no gozo desmedido
Da gratuidade do riso.
Viver é desrealizar
No alumbramento do sonho
A urdidura do caminhar
Na escuta dos segredos
Do coração fremente.
Viver é e não é
É ser tão sim
E tão bem não
No sertão de cada ser
Na curva de cada estação.
Viver é afinar
Tons de ordem e desordem
Entre o prumo e o pião
Amanhecer redivivo
Na vertigem da aurora.
Viver é sorver o doce-amargo
Da proeza de cada momento
Decantar o sopro vesgo
Da pesura e leveza do vento
Inventar no cio então
O som e o silêncio.
INICIAÇÃOFlechado pela torção do instante
me enredo em estado de travessia.
A intensidade dos lampejos
atravessa meu sendo por inteiro.
As dobras da trama me espantam
e tremo por dentro do dentro.
Entre as torrentes dos rumos tortos
mergulho em segredos incandescentes.
Gotas de enigmas orvalham
na pele nua de minhas folhas abertas.
O pulsar das centelhas de sangue
verte feixes de vida nova.
Na imensidão desse vasto mundo
me inicio no regaço do amanhecer.
ARAGENSA aragem da flor
abriu as pétalas de meus botões.
A voragem dos espinhos
flechou os rasgos d'alma nua.
A miragem do arco-íris
tramou ad-mirações no horizonte.
Miguel Almirbiografia: Professor da UNEB e da UEFS. Últimos livros publicados: 'Amo, logo existo' [ensaio]; 'Laços de encruzilhadas: ensaios transdisciplinares' [ensaios];
'Ramagens' [poemas].
Desenvolve atividades teórico-vivenciais nas áreas de Educação, Arte, Cultura...
malmir@uol.com.br