04-jun Deus e a América-Olha para baixo, América,Fixa teus olhos naquela cena...O que vês?-Vejo ossos andantes,Seres desvairados!-Esses ossos são retratos da fome,Esses seres são teus filhos chateados...Tua gula alimentou a minha irá,Tu não és digna deste espaço...-Não me culpes por um erro teu!-Qual seria este erroInspiração de tuas ações?-Deste a nós tamanha liberdade,O poder de t ...
04-jun Deus e a América
-Olha para baixo, América,
Fixa teus olhos naquela cena...
O que vês?
-Vejo ossos andantes,
Seres desvairados!
-Esses ossos são retratos da fome,
Esses seres são teus filhos chateados...
Tua gula alimentou a minha irá,
Tu não és digna deste espaço...
-Não me culpes por um erro teu!
-Qual seria este erro
Inspiração de tuas ações?
-Deste a nós tamanha liberdade,
O poder de ter poderes.
-Um pai que ama não dar
Correntes de presente,
Não oferece símbolos da desgraça.
-Como podes falar em desgraça
Se todas as tuas palavras são dissimuladas?
-Inadmissível aceitar que te criei,
Que blasfêmia desonrar o próprio pai!
-Ás vezes, quando mais preciso de ti,
Tu viras a face e some nas sombras...
Se isto é amor, sou as rosas do campo
E a beleza de teus orvalhos.
Carlos Conrado Novo MundoPara iludir o tempo, criei,
Tempestuosas obras ao relento,
Como Salvador Dali, em,
Seus momentos descontentes,
Criei a surrealidade germinadora
De voláteis e ociosos mundos...
Criei uma identidade para a febre,
Materializei viagens astrais,
Transformei-me num deus célebre...
Quis revestir a estética
Deste novel mundo presente,
Com pinceladas fortes e jorradas
De sombra, carmim e sépia...
Pintei o mundo ao meu modo,
Depois o habitei com minhas criaturas,
Seres humanos desfigurados
Para aprenderem a amar
No que agora se assemelham...
Mais nenhuma idéia de pudor,
Nada agora é pecado,
O passado e o futuro
Foram cruelmente exterminados,
Sem contagens de tempo
Tudo agora é presente...
MãeTu que colhes os ermos deste cemitério,
Vem colher a víscera deste corpo,
Louco e desvairado carne do fracasso...
Tu que amamentas um feto menino,
Derrama o teu leite num leito de flores,
Vem, entrega-te ao arroio...
Tu que andas nesta noite,
Vem visitar-me, estou a sete palmos,
Ó ser excomungado pela lua...
Tu que choras nesta tumba,
Deixa que o teu pranto invoque estes restos,
Esses pútridos esquecidos pela vida...
Tu que a saudade é quem guia,
Nunca me esqueça!
Busque-me algum dia...
Tu que os sonhos acompanham,
Nunca te esqueças,
Dos dias em que éramos um só...
Tu que levas esta carcaça depressiva,
Vem dar-me o último beijo,
O abraço do adeus...
Tu que és musa de um desgraçado,
Feio, morto e sepultado,
Traz-me o teu colo, ó mãe querida.
biografia: Natural de Jacobina - Ba, Carlos Conrado iniciou nas artes a partir dos 12 anos, no colégio, costumava fazer retratos das colegas e dos seus professores. Aos 16 começou a produzir quadrinhos. A partir daí, não parou mais, buscou em seguida ampliar o cenário de suas técnicas, despertou seu interesse pelas telas e outras mídias. Hoje, já podemos defini-lo como um porta-voz da Arte simbolista, suas pinceladas e seus traços bem originais nos envolvem. Possui trabalhos publicados em sites franceses, participou de Várias coletivas em Sergipe: XIII Salão dos Novos, Festa dos Arteiros-ASAP, Tribus Visuais-2005, Coletiva de Esculturas do Cultart - Linguagem e Forma na Matéria, Coletiva da ASAP-Cultart,Identidade-Coletiva de Artistas Sergipanos -Cultura Inglesa, Mostra de Artes Visuais da ASAP e etc. Possui obra no acervo da Academia Sergipana de Letras, tem obras compondo alguns cenários dos programas da TV Caju e Também é autor de alguns artigos sobre a arte publicados no jornal 'O Capital.' Participou da Antologia Eldorado- v.II,Celeiro de Escritores da Antologia Impressões-Poetas da Arcádia, é autor do livro-solo Poesia Condenada. É membro das seguintes instituições: Casa do Poeta Brasileiro em Aracaju, Arcádia Literaria Estudantil, Clube de Poetas do Litoral- Baixada Santista.
conradoart@yahoo.com.br