MÃE! APAGA A LUZ.BaduMãe! Apaga a luz, encosta a porta... Não sinto medo, tampouco vou me esconder. Recolha as estrelas, nesta noite serena meu olhar aquietou luar. Guarde na estante os livros com histórias de era uma vez, e nessa magia fazemos de conta que eu já cresci.Espia embaixo da cama tem monstrinho só esperando mamãe falar boa noite para vir me assustar.Feche as cortinas, e apague o ...
MÃE! APAGA A LUZ.BaduMãe! Apaga a luz, encosta a porta...
Não sinto medo, tampouco vou me esconder.
Recolha as estrelas, nesta noite serena meu olhar aquietou luar.
Guarde na estante os livros com histórias de era uma vez, e nessa magia fazemos de conta que eu já cresci.
Espia embaixo da cama tem monstrinho só esperando mamãe falar boa noite para vir me assustar.
Feche as cortinas, e apague o sol, não me olhe triste assim, eu quis enganar uma manhã, que traiçoeira, de qualquer maneira quer me ver sorrir.
Feche a gaveta, aprisione soldadinhos de chumbo, aprendi que nessa brincadeira de adulto menino pode se machucar.
Suavize o impacto do bater da porta e a rispidez da palavra dor ,canta para mim e talvez eu encontre a bola de meia, pano velho preenchido de alegrias onde eu jogava no quintal.
Não me leve a mal, esse silêncio não me entristece parece uma prece, suave ladainha lembranças minhas.
E certa vez eu deixei algum segredo em algum lugar, acho que foi um beijo, um brinquedo ou um olhar.
Nem lembro onde acontecia, ou foi janeiro ou em uma manhã tão fria de setembro.
Respingavam gotas de garoa, anjo chorando em nuvem escura, luz tão pura que coloria em arco-íris.
Acho que este é meu quarto, mas agora espera um pouco, alguém me chamou, penso ser você.
Esquece tudo e fica aqui! Está tão frio e eu sou criança, estou com medo nesse momento!
Mãe apaga a luz, encosta a porta...
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MÃE! ACENDE A LUZBADUMãe! Acende a luz ,eu quero água...
E então me abraça,já não tem mais graça fingir que eu cresci.
E a lua clareou na cortina , enevoada minha lágrima apagou seu brilho.
Conta-me àquela história diferente de um menino valente que ganhou asas e no sol queria chegar.
Enxugue meu corpo mergulhado no mar me fazendo acreditar que encontrei a liberdade
Conte ao bicho papão que sou menino bom, se ele for meu amigo cantarei uma canção e não estarei em perigo.
Pede para o sol entrar de mansinho tocar meu corpo franzino me fazendo carinho e pela janela observarei o resplandecer da cor mais bela.
Eu já nem sei que guardei na gaveta, se um ursinho de pelúcia já faz tantos anos e nessa angustia precisava esquecer.
E quando a porta se abre e traz com o vento verdades de dor que guardava em silencio, troco tudo de lugar.
E a canção suavizou em doce ave-maria que naquele dia rezei por aceitar, sempre foi assim tive tantos medos.
Mãe! Fala pra mim, onde estão as flores daquele jardim?
Olhou e sorriu,colocou no vaso de vidro,flores do campo que colheu para mim.
Rudes brinquedos espalhados pela casa, e o pião rodava na mão, pés descalços sentindo o chão.
Menino tinha asas e sabia voar, em cada olhar parece que vejo um pedido de beijo.
o calendário na parede mostrou,hoje é fria noite de seis de setembro e eu preciso dormir ..
Quantas vezes chorou comigo, mãe meu anjo protetor.
Acho que meu quarto tem tanta luz,e o dia nem amanheceu,sei que é o brilho dos olhos seus..
Mãe! Acende a luz, eu quero água...
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ENTÃO SONHEIBADUAbri meus braços e estático fiquei, como um espantalho, ali me implantei.
E toda indiferença por vezes nos orienta, por entre tufos de feno uma essência, um coração a bater.
Remendei os trapos que me vestiam, um mundo que girava e eu observava a vida representar.
Então sonhei...
Acho que sonhos são imersão da alma onde a dor acalma em doce lição.
Quantas tardes se despiam entregando céu azulado ao poente de um sol dourado.
E a noite trouxe estrelas e romantismo, até a aurora pedir licença para despertar.
Nesse mesmo luar reparei o sereno em desespero tornar-se orvalho e fazer chorar uma flor.
Em cada manhã vinha em diversidade de mistérios para desvendar.
Frias estações, e os pássaros, tão sábias criaturas,encontravam razões para cantar.
Pousou em meu ombro, desejos de buscar liberdade, limitado aos movimentos procurei construir asas para voar.
Olhei tão vasto campo de inquietante beleza, asas de palhas delicadas que o fogo solar não poderia queimar.
Eu um espantalho, continuo aqui a observar outras estações.
Quando fechar meus braços, será para lhe abraçar!
Em cada céu, um outro horizonte para planar, em eclosões de aventuras abri minhas asas ,voei!
Então sonhei...
biografia: Sou de uma cidade muito pequena, Água Santa RS.
De uma família grande e humilde.
Deficiente físico desde menino, aos oito anos começaram meus problemas de saúde
e aos dezesseis anos parei de andar.
Nesse tempo fiz muitas cirurgias e tratamentos,
passei minha infância e adolescência entre
hospitais e minha casa.
Em cada trégua que eu tinha de dor,
vivia intensamente em meu solitário refúgio
na beira do riacho.
Em minhas poesias, relatos reais de minha vida,
fatos por mim vivido.
Já estou adulto e a minha vida se resume em
'meu quarto meu mundo'.
Tenho muitos amigos de idades variadas meninos e meninas, jovens e velhos, que gostam
muito de mim.
Amo viver, e minha deficiência me mostrou na simplicidade, outros caminhos para seguir.
Amo minha vida, família, amigos e amo a Deus.
Acredito que deficiência maior é não saber amar!
Eu amo e sou feliz!
Com carinho
yesbadu@yahoo.com.br