Identidade IndígenaEm memória ao índio Chico SólonO texto é o testemunho das lágrimas de uma indígena vendedora de bananas, sua avó a refugiada Maria de Lourdes de Souza, filha do índio Chico Sólon, desaparecido das terras indígenas paraibanas por volta de 1920, quando se instalava ali, a neocolonização da agricultura algodoeira causando a fuga de famílias indígenas, oprimidas pela ...
Identidade Indígena
Em memória ao índio Chico Sólon
O texto é o testemunho das lágrimas de uma indígena vendedora de bananas, sua avó a refugiada Maria de Lourdes de Souza, filha do índio Chico Sólon, desaparecido das terras indígenas paraibanas por volta de 1920, quando se instalava ali, a neocolonização da agricultura algodoeira causando a fuga de famílias indígenas, oprimidas pela escravidão moderna.
Nosso ancestral dizia: Temos vida longa! Mas caio da vida e da morte E range o armamento contra nós. Mas enquanto eu tiver o coração acesso Não morre a indígena em mim e E nem tão pouco o compromisso que assumi Perante os mortos De caminhar com minha gente passo a passo E firme, em direção ao sol. Sou uma agulha que ferve no meio do palheiro Carrego o peso da família espoliada Desacreditada, humilhada Sem forma , sem brilho, sem fama. Mas não sou eu só Não somos dez, cem ou mil Que brilharemos no palco da História. Seremos milhões unidos como cardume E não precisaremos mais sair pelo mundo Embebedados pelo sufoco do massacre A chorar e derramar preciosas lágrimas Por quem não nos tem respeito. A migração nos bate à porta As contradições nos envolvem As carências nos encaram Como se batessem na nossa cara a toda hora. Mas a consciência se levanta a cada murro E nos tornamos secos como o agreste Mas não perdemos o amor Porque temos o coração pulsando Jorrando sangue pelos quatro cantos do universo. Eu viverei 200, 500 ou 700 anos E contarei minhas dores pra ti Oh!!! Identidade E entre uma contada e outra Morderei tua cabeça Como quem procura a fonte da tua força Da tua juventude O poder da tua gente O poder do tempo que já passou Mas que vamos recuperar. E tomaremos de assalto moral As casas, os templos, os palácios E os transformaremos em aldeias do amor Em olhares de ternura Como são os teus, brilhantes, acalentante identidade E transformaremos os sexos indígenas Em órgãos produtores de lindos bebês guerreiros do futuro E não passaremos mais fome Fome de alma, fome de terra, fome de mata Fome de História E não nos suicidaremos A cada século, a cada era, a cada minuto E nós, indígenas de todo o planeta Só sentiremos a fome natural E o sumo de nossa ancestralidade Nos alimentará para sempre E não existirão mais úlceras, anemias, tuberculoses Desnutrição Que irão nos arrebatar Porque seremos mais fortes que todas a células cancerígenas juntas De toda a existência humana. E os nossos corações? Nós não precisaremos catá-los aos pedaços mais ao chão! E pisaremos a cada cerimônia nossa Mais firmes E os nossos neurônios serão tão poderosos Quanto nossas lendas indígenas Que nunca mais tremeremos diante das armas E das palavras e olhares dos que “chegaram e não foram”. Seremos nós, doces, puros, amantes, gente e normal! E te direi identidade: Eu te amo! E nos recusaremos a morrer A sofrer a cada gesto, a cada dor física, moral e espiritual.
Nós somos o primeiro mundo!
Aí queremos viver pra lutar E encontro força em ti , amada identidade! Encontro sangue novo pra suportar esse fardo Nojento, arrogante, cruel... E enquanto somos dóceis, meigos Somos petulantes e prepotentes Diante do poder mundial Diante do aparato bélico Diante das bombas nucleares
Nós, povos indígenas Queremos brilhar no cenário da História Resgatar nossa memória E ver os frutos de nosso país, sendo dividido Radicalmente Entre milhares de aldeados e “desplazados” Como nós.
Y ELLA CONCIENTE CRIA ALAS Estabamos alli... Todos pintados y pintadas, como si fuesemos para la guerra.
Quando pasabamos por los corredores del Congresso Nacional, en Brasília, en 1988, en ocasión de las atividades políticas que conducian nuestra lucha dentro de la Asamblea Constituyente, las voces hacian un eco y las palmas de las manos batian estridentemente.
Varias formas de bocas, dientes y sonrisas. Pero un mismo corazon pulsaba: La esperanza de que esa Asamblea Constituyente viniese a traer avances para la garantia de los derechos humanos de los pueblos indígenas. Las señoras y los señores ejecutivos, funcionarios, parlamentares, todos nos miraban de la cabeza a los pies admirados y curiosos como si fuesemos seres de otro planeta, pero con cariño, ciertos de desconocer la propia realidad de su pais. Estabamos emocionados y emocionadas. Todos se emocionaban, los ojos brillaban como estrellas y esta emoción se mesclaba al olor del café de la cantina del lado, a los lindos dibujos indígenas, y al olor de la pintura de jenipapo en la cara, al olor del aceite de la castaña de Pará, y al olor del rojo urucum que untaban y abrillantaban los largos cabellos de los Kaiapós, liderados por Megaron y Raoni. Las miradas de los guaranies y el mirar sabio de la índia Dona Marta, llenos de esperanza que titilaban apretados en la capital del país. El mirar de lince de los Terenas y Tukanos mostraban la esperanza por las decisiones. Miradas desconfiadas de los indígenas del Nordeste questionaban el futuro, por sus pajas bravas resecadas por la seca del monte. Las mujeres miraban sobresaltadas, pero resueltas. Marta estaba ahí. Hoy esta muerta la primera mujer indígena en tener el coraje de criar una Asociación de índios sin aldea: Kaguateka. Marta queria ser Diputada por el Partido de los Trabajadores [PT]. Algún partido político apoya indígena en el Congreso?, en el Senado? Algún partido político, sea de derecha o de izquierda, apoya indígenas para la Presidencia de la Fundación Nacional del Indio [Funai]? Un dia la FUNAI va a ser de los indígenas, es una questión de tiempo, como dice Marcos Terena. Antônio Apurinã, líderes de la Coiab y Apoime esperan la 'palabra del Gobierno', confian, y en el mismo momento, un no-indígena asume la Presidencia de la Funai, el, [el recien-Presidente] .El no va a conseguir hacer nada, absolutamente nada.
Cuando Marta Guarani y todas las mujeres pioneras que allí estaban junto a los hombres en 1988, apesar de los esfuerzos y esperanzas, estaban creyendo en los políticos. Ahora, 2004, poco se avanzó en lo referente a las conquistas.
Indígenas brasileras, asuman sus lugares. Llegó la hora!!!
Que MARTA GUARANI descanse en paz, así como todos los guerreros y guerreras que ya se fueron sin ver sus derechos asegurados. Estos derechos, en un gobierno mas sensíble, de inmediato, veria que es hora de una política compensadora, reparadora. ES UNA QUESTIÓN ÉTICA, PRIORITÁRIA E HISTÓRICA.
Texto de Eliane Potiguara
EL SECRETO DE LAS MUJERES
En el pasado nuestras abuelas hablaban fuerte Ellas también luchaban Ahí, llegó el hombre blanco malo Matador de índio E hizo nuestra abuela callar Y a nuestro padre y a nuestro abuelo bajar la cabeça.
Un dia ellos entendieron Que debian unirse y quedar fuertes Y a partir de ahí ellos lucharon Para defender su tierra y cultura.
Durante siglos Las abuelas y las madres escondieron en la barriga Las histórias, las músicas, los niños, Las tradiciones de casa, El sentimiento de la tierra donde nacieron, las histórias de los viejos Que se reunieron para fumar la pipa.
Fue el mayor secreto de las abuelas y de las madres. Los hombres al saber del secreto Quedaron mas fuertes para el amor, lucharon
Y protejieron las mujeres. Por eso, hombres y mujeres juntos Son fuertes Y hacen fuertes sus hijos Para defender el secreto de las mujeres.
Para que nunca mas aquel hombre blanco Mate la história del índio!
[Texto publicado en la cartilla de apoyo a la alfabetización de autoria de Eliane Potiguara/1994/apoyo Unesco/UERJ
Biografía: Eliane é escritora indígena, professora, mãe, avó, 54 anos, remanescente Potiguara. É Conselheira do Inbrapi, [Instituto Indígena de Propriedade Intelectual] e Coordenadora da Rede de Escritores Indígenas na Internet e o Grumin/Rede de Comunicação Indígena.
Eliane foi indicada para o Projeto internacional Mil Mulheres Para o Prêmio Nobel da Paz.É uma das 52 brasileiras indicadas.
Formada em Letras [Português-Literatura], licenciada em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, participou de vários seminários sobre Direitos Indígenas na Onu, organizações governamentais e Ongs nacionais e internacionais.
Eliane Potiguara foi nomeada uma das “Dez Mulheres do Ano de 1988”, pelo Conselho das Mulheres do Brasil, por ter criado a primeira organização de mulheres indígenas no país: Grumin [Grupo Mulher-Educação Indígena], e por ter trabalhado pela Educação e integração da mulher indígena no processo social, político e econômico no país e por ter trabalhado na elaboração da Constituição Brasileira. Com a bolsa que conquistou da ASHOKA em 1989 [Empreendedores Sociais] mais seu salário de professora e o apoio de Betinho/IBASE e os recursos do Programa de Combate ao Racismo, [o mesmo que apoiava Nelson Mandela ], ela pôde prosseguir sua luta, além de sustentar e cuidar de seus três filhos, hoje adultos.
Em 1990, foi a primeira mulher indígena a conseguir uma PETIÇÃO no 47º. Congresso dos Índios Norte-Americanos, no Novo México, para ser apresentada às Nações Unidas. Neste Congresso, havia mais de 1500 índios. Por isso, participou durante anos, da elaboração da ”Declaração Universal dos Direitos Indígenas”, na ONU, Genebra, por essa razão recebeu em 96 , o título “Cidadania Internacional”, concedido pela filosofia Iraniana “Baha´i”, que trabalha pela implantação da Paz Mundial.
Defensora dos Direitos Humanos, além de vários Encontros, e criadora do primeiro Jornal Indígena e Boletins conscientizadores e cartilha de alfabetização indígena no método Paulo Freire com apoio da Unesco, organizou em Nova Iguaçu/RJ, em 91 outro Encontro inédito e histórico, onde participaram mais de 200 mulheres indígenas de várias regiões, tendo como convidados especiais a cantora Baby Consuelo e vários líderes indígenas internacionais. Organizou vários cursos referentes à Saúde e Diretos reprodutivos das mulheres indígenas e foi consultora de outros encontros sobre o tema.
Em 92 foi Co-Fundadora/Pensadora do Comitê Inter-Tribal 500 Anos [kari-oka], por ocasião da Conferência Mundial da ONU sobre Meio-Ambiente, junto com Marcos Terena, Idjarruri Karajá e muitos outros líderes do país, além de ter participado de dezenas de Assembléias indígenas em todo o país.
Discutiu a questão dos Direitos Indígenas em vários fóruns nacionais, e internacionais, governamentais e não governamentais, diversas diretrizes, estratégias de ordem político-econômica, inclusive no fórum sobre o Plano Piloto para a Amazônia, em Luxemburgo/1999.
No final de 92, por seu espírito de luta, traduzido em seu livro “A Terra é a Mãe do Índio”, foi premiada pelo PEN CLUB da Inglaterra, no mesmo momento em que Caco Barcelos [“Rota 66”] e ela estavam sendo citados na lista dos “Marcados para Morrer”, anunciados no Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão, para todo o Brasil, por terem denunciado esquemas duvidosos e violação dos direitos humanos e indígenas.
Em 95, na China, no Tribunal das Histórias não contadas e Direitos Humanos das Mulheres/Conferência da ONU, Eliane Potiguara narrou a história de sua família que emigrou das terras paraibanas nos anos 20 por ação violenta dos neo-colonizadores e as conseqüências físicas e morais desta violência à dignidade histórica de seu bisavô, avós e descendentes. Contou também o terror físico, moral e psicológico pelo qual passou ao buscar a verdade, além de sofrer abuso sexual, violência psicológica e humilhação por ser levada pela polícia federal, por estar defendendo os povos indígenas, seus parentes, do racismo e exploração. Seu nome foi jogado na lama nos jornais do Estado da Paraíba. Tudo isso à frente de suas três crianças na época.
Eliane no último governo foi Conselheira da Fundação Palmares/Minc, é FELLOW da organização internacional ASHOKA, dirigente do Grumin e membro do Women´s Writes World. Eliane participou de 56 fóruns internacionais e para mais de 100 nacionais culminando na Conferência Mundial contra o Racismo na África do Sul, em 2001 e outro fórum sobre Povos Indígenas em Paris, 2004.
Eliane é do Comitê Consultivo do Projeto Mulher_ 500 anos atrás dos panos que culminou no Dicionário Mulheres do Brasil.