'Lágrimas do Rio'As lágrimas do RioTêm gosto putrefato, fel crônico de poluição,Mesmo assim em absoluto pesarNa mais cruel desolação,Não deixam o rio secar.'MILAGRE'A semente germinaTransforma-se em plântula,A plântula cresce, passa a ser planta,A planta torna-se adultaFloresce, avulta-se.Mutação acelerada progressiva - ininterrupta!Vem o pássaro polinizandoVem o inseto de flor em fl ...
'Lágrimas do Rio'As lágrimas do Rio
Têm gosto putrefato, fel crônico de poluição,
Mesmo assim em absoluto pesar
Na mais cruel desolação,
Não deixam o rio secar.
'MILAGRE'A semente germina
Transforma-se em plântula,
A plântula cresce, passa a ser planta,
A planta torna-se adulta
Floresce, avulta-se.
Mutação acelerada progressiva - ininterrupta!
Vem o pássaro polinizando
Vem o inseto de flor em flor
E a brisa e o vento proclamando
A benção de Deus aos homens!
Vem o fruto, a polpa, a casca, a cápsula,
A castanha, o casulo, o futuro.
Renovação perpétua,
Singeleza e complexidade
Na Obra - réplica de amor e imortalidade!
'NATAL'Há um potro xucro
Galopando nos corações infantis.
Há uma noite tão simples
Que somente os pueris
De olhares puros e tácitos
A referenciam.
Uma noite de paz
Em meio às bombas
Uma noite de esperanças
Em meio de um turbilhão
Inflamado de descrença.
Uma noite!
Em que duendes e fadas
Brincam de roda-cotia
Nas taperas de nossa infância.
biografia:
AUTOBIOGRAFIANasci em 14/04/1963 no estado do Rio Grande do Sul. Com dois anos de idade meus pais migraram para o Paraná, precisamente para Laranjeiras do Sul, cidade situada ao sudoeste do estado. Foi nesse município que passei minha infância e juventude, brincando de pular valetas; 'roubando' jabuticabas no 'Jabuticabal dos padres'; descendo de carrinho de rodas de madeira o morro do Cruzeiro; de 'pega-ladrão' no Cristo Redentor, próximo da rodoviária; nadando no rio Iguaçu!
Em contato com a natureza e com a sensibilidade de poeta, indignava-me em ver inconseqüente desmatamento praticado por gananciosos empresários da madeira e fazendeiros inescrupulosos.
Mas foi em São Leopoldo-RS quando lá fui viver com apenas 15 anos é que conheci na carne o significado da palavra poluição! Morando próximo de um bairro industrial [curtume e ossos] e, trabalhando de sol a sol em uma fábrica de calçados, escrevi meus primeiros poemas, uma crítica racional sobre poluição e a decadência material e moral da população pobre. Ser critico não é ser radical! 'Pensando assim e sempre com a inspiração voltada e focada a esse tema, que publiquei alguns poemas no jornal local'Vale dos Sinos', eis-os: 'A lavadeira e o Rio', 'Rio dos Sinos', Tradição' entre outros.
Nos três anos que residi próximo de meu amigo 'rio-esgoto-cidade-pobreza-orfandade-avareza-escroto-relapso-violência', muitas vezes me perguntei: - será que para a humanidade progredir é necessário destruir o que Deus nos deu como dádiva?
Publicações:- 'Flor e Rosa' - Livro Poetas Brasileiros de Hoje [coletânea - 1986]; 'Estiagem' - Livro Grandes Escritores do Cone Sul [coletânea - 2000]; diversos folhetins pela Feira do Poeta - Secretaria da Cultura de Curitiba - Livro 'NO PAÍS DAS SARJETAS' [2004] - Livro 'A MESSE' [Ed. Scortecci - S.Paulo - 2005].
Pedro Luiz de Mello Meirelles
Curitiba, Pr, Brasil
pedro@pedroluizmeirelles.com.br