R I T O S Teço tranças e rasgo fios Vejo luas e rabisco navios Febres Odores calafrios E se me calo, verbos flutuam No parapeito do que hei de ser Pertenço a qualquer lugar que me comporte Minh`alma é crespa Cultuo vendavais de toda sorte Tensa Suturo incertezas de um destino que rompe tardes Arde Atritos sobre o magma adormecido de um vulcão Vertente Poesia é o meu espelho oculto em erupç ...
R I T O S Teço tranças e rasgo fios
Vejo luas e rabisco navios
Febres
Odores
calafrios
E se me calo, verbos flutuam
No parapeito do que hei de ser
Pertenço a qualquer lugar que me comporte
Minh`alma é crespa
Cultuo vendavais de toda sorte
Tensa
Suturo incertezas de um destino que rompe tardes
Arde
Atritos sobre o magma adormecido de um vulcão
Vertente
Poesia é o meu espelho oculto em erupção.
TEZ Quisera eu ter encontrado tua certeza.
A estrada da realeza em teu amor.
Que horror, meu Deus, é nua tua beleza.
Crua e louca, um estupor.
Quisera eu inventar um sinônimo pra mucosa.
Pôr no poema a transcendência de quem goza.
Mas a proeza de tua tez morena.
Não cabe na brevidade do mais belo poema.
ENQUANTO AS VELHINHAS REZAM O TERÇO... Enquanto as velhinhas rezam o terço, a tardinha cai divinamente nesta esperança que seus olhos têm entre uma e outra ladainha.E a dor que elas aprenderam a domar, com o tempo se esconde atrás das cortinas, dos crucifixos ornados que ocultam o martírio daquele homem morto pelo próprio homem.
Elas emudecem o sofrimento na luz das velas acesas nos castiçais e que choram por elas em suas parafinas. E nem se dão conta do bailar das salamandras.
E em diferentes cantos das casas se erguem oratórios, sagrados corações - de Jesus, de Maria e os delas mesmas - imaculados por um só monossílabo: Fé.
Um marido morto, um filho perdido, pra vida ou pro vício, um parente doente, uma dorzinha incômoda, de corpo ou de alma e eis mais uma novena, uma eucaristia, um jejum, uma missa e uma promessa.
Enquanto os dedinhos enrugados das velhinhas perpassam as continhas dos terços, os dias, os meses e os anos se passam, atravessando o tempo como galope de uma oração. Inexorável, alheio, por vezes cruel...
No final pouco importa a graça alcançada ou não, a saúde recuperada, a missa rezada. Recomeçam o ritual com seus vestidinhos de casimira... As mãozinhas deslizando pelo rosário, ora descançam sobre as alvas toalhas bordadas. Alvinhas como a esperança, tão sutil e sabidamente guardada em seus corações como uma ave-maria.
Qualquer tristeza se esconde e elas apenas aguardam com resignação. O que esperam? Uma visita de filho ou de comadre. A chegada da prima distante. A cura. A graça. O findar da vida.
Enquanto as velhinhas rezam o terço, os olhos parados dos porta-retratos parecem sorrir. E, de vez em quando, elas fecham os olhos e suspiram um alívio ao fim de um mistério. E dormem tranquilinhas enquanto ninguém desvenda o irrelutável mistério da vida. Para este os anjos em seus sonhos tocam harpas e entoam salmos.
Biografía:
Alyne Roberta Neves Costa, nascida em 27/05/71 [signo : Gêmeos, Ascendente: Câncer e Lua em Áries] na cidade de Caetité-Bahia, pequena e linda cidade do sertão baiano e que, nas palavras de meu pai, possui a mais bela praça do planeta.
Ali nascida, porém dividida entre Igaporã e Salvador.
Em Igaporã, também no sertão da Bahia e vizinha à Caetité, vivi os mais doces momentos da minha infância, lugar em que durante as férias escolares desfrutava a terna companhia de meus avós maternos e tive a oportunidade de subir em árvores nos mais belos quintais que já vi.
Os quintais de Igaporã eram belos porque não eram apenas quintais, e sim o palco de um fértil imaginário infantil, saboreei mangas, goiabas e umbus colhidos por minha própria mão, tomei banho de tanquinho de lavar roupas que chamávamos de “vasca”, participei de cozinhados e aniversários de boneca.
Mudei para Salvador em 1977, com a idade de 6 anos, cidade que conheço e amo cada ladeira, cada esquina, cada Terreiro e cada Igreja. Estudei da segunda série primária ao terceiro colegial no Colêgio Antônio Vieira. Formei em Direito pela UFBA em 25/09/01, escrevo poesias desde 10 anos de idade e agradeço a minha paixão pela literatura a duas maestrinas: Sibele e Madalena, respectivamente, minhas professoras de Redação e Literatura no Colégio Antônio Vieira. Amo Gregório de Matos, Drummond, Quintana, Florbela Espanca, Manoel de Barros, Rimbaud, Cecília Meireles, Adélia Prado e Renato Russo.
Musicalmente sou muito eclética, mas bom pra ouvir mesmo é Chico Buarque, Gil, Caetano, em síntese MPB, além de Elton John, The Mama’s and the Papa’s, Legião Urbana, Rita Lee, Zeca Baleiro e Los Hermanos. Recentemente
Em 2002, incentivada por minha tia e amiga Maria comecei o curso de pintura contemporânea nas Oficinas do Museu de Arte Moderna da Bahia [MAM], onde com meu professor Iuri Sarmento dei minhas primeiras pinceladas e me apaixonei pelas artes plásticas.
Admiro muitíssimo a pintura de Henri Matisse e Gustav Klimt e no Brasil: Tarsila do Amaral, Djanira, Sante Scaldaferri, Rubem Valentim e Floriano Teixeira.
Aos 23 anos tive meu primeiro filho, Victor Costa Amorim, hoje com 9 anos, meu verso mais promissor.
Sou uma mulher pacata, que gosta de apreciar o valor e a beleza das coisas simples e que também sei valorizar, esporadicamente o fulgor do luxo. O luxo, o exagero, os neons e os excessos têm o dom latente de despertar a perplexidade, puxar o contraditório, me dilatam as pupilas e me despertam emoções. Eu vejo arte nas vitrines do mundo.
Contato: alyneneco@yahoo.com.br