NatalCaminhávamos devagar,Ao longo daqueles dias felizes.Sentíamos na face o úmidoE frio ar da noite.Na velha capela de Santo Antônio,Em um subúrbio distante,A multidão se apertavaÀ hora do Galo, à meia noite.Na ânsia de uma inocente infância,Esperávamos alvoroçada a volta ao lar,Guiados pela mão jovemDe minha jovem mãe,Que com seus olhos cor do céu,De um azul sem igual,Nos iludia a ...
Natal
Caminhávamos devagar, Ao longo daqueles dias felizes. Sentíamos na face o úmido E frio ar da noite.
Na velha capela de Santo Antônio, Em um subúrbio distante, A multidão se apertava À hora do Galo, à meia noite.
Na ânsia de uma inocente infância, Esperávamos alvoroçada a volta ao lar, Guiados pela mão jovem De minha jovem mãe,
Que com seus olhos cor do céu, De um azul sem igual, Nos iludia a espera do Papai Noel.
Doce ilusão era uma sombra da beleza. Então a luz ofuscante entre galhos e folhas Revela a figura gigantesca de meu pai.
Olhar feliz, radiante nos conduz: 'É hora de voltar'.
E na volta, nossos passos apressados Atropelam-se, chegamos, corações saltitantes.
Olhos à procura do inesperado esperado. E lá estava ao pé de um cipreste verde e Ornamentado uma alegria pueril.
Naqueles dias longínquos Eu não sabia que um dia O meu papai Noel partiria.
Três gerações
A felicidade está no ar, nas árvores, nos pássaros. Viaja nas nuvens, Corre nas águas, Desmancha-se na areia
A doçura maior da vida Flui de um sorriso De uma palavra De um olhar.
Os pássaros, as borboletas, os insetos são belos. No grande círculo dos dias arrastados, Apenas me entristece um pouco A saudade de meu pai
Que nesta época, Natal, ávido devorava Um bocado de bolo ou de pudim E, sentado, parecia uma penca humana, Sustentando nos braços e pernas os netos. E sorria satisfeito olhando sua prole, Ao longo daqueles felizes dias.
Pensando em sua beleza Uma lágrima salta. E meu peito angustiado, De dor e de saudade Contenta-se contigo, Yasmin, Em ver teus primeiros e trôpegos passos, Iniciando tua longa e feliz jornada do amanhã.
Saudade
Anel de ouro em cabelos cacheados, Luz nos olhos verdes, mareados, Desafiante, altivo e soberbo, O riso largo contagiante e safado.
Veio por último alegrar os nossos dias, Assim passávamos brincando todo dia, Sempre cativo meigo e aventurado, Como no carrinho de boneca!_ 'Entravas no bosque!'. 'O lobo mal te espreitava na floresta!'. Na mesma hora nós dizíamos: _ 'Chora agora!' E tu choravas sem parar, desatinado. Então a mãe chegava, muito brava, Levava nosso bebê e o consolava.[Fugíamos]. O amor-perfeito que tu eras desse jeito, Sempre me lembro desses dias, com carinho.
Foste o primeiro a partir de nosso mundo, Inda tão cedo, vai em paz, tua imagem não sumirá jamais Levo os olhos à lembrança e lá estás, Horas alegres, porém breves; fica tranqüilo, Oh! Amado irmão, e nas nuvens, com os anjos aguarda-nos então!
Biografía: Sou Evalda, nasci em São Paulo, a terceira filha entre cinco irmãos e cresci acompanhando as transformações da cidade de São Paulo, do Brasil, e do mundo, na última