CALEIDOSCÓPIOA vida foge de mim ,tento colhê-la ,mas se perde nos dedos .Olho em voltae não me reconheçonos objetos ou espaços .Viro-me para dentro ,mas não me encontronos meus seres interiores .No cerne pulsantedos meus sentimentos ,não estou mais .No ponto mais distanteda espiral do meu verhá somente o céu .No volúvel farfalhar ...
CALEIDOSCÓPIO
A vida foge de mim ,
tento colhê-la ,
mas se perde nos dedos .
Olho em volta
e não me reconheço
nos objetos ou espaços .
Viro-me para dentro ,
mas não me encontro
nos meus seres interiores .
No cerne pulsante
dos meus sentimentos ,
não estou mais .
No ponto mais distante
da espiral do meu ver
há somente o céu .
No volúvel farfalhar
da minha humana mente ,
só avisto minhas asas .
Nas difusas ranhuras
do meu sofrido coração
restaram indeléveis marcas .
As minhas mãos
estão cruzadas a prender
um apertado laço ,
pois meus braços
escondem meu corpo
num abrçar conformado .
Inutilmente eu me curvo
e no fundo do olhar ,
só vejo meus pés .
Desolada caminho
nas feitas pegadas
do insinuante percurso
que outrora fiz
nas tristes passadas
do meu destino ,
eis que finalmente ,
no justo ponto
em que te encontrei ,
junto com a esperança
que hoje eu perdi ,
ali sozinha , eu me achei .
dalila balekjian
Pássaro ferido
rumo pra quê se o meu andar é trôpego ,
meu ser é cego e as minhas passadas sem ecos .
a alma impura trago nas mãos crispadas
e o olhar em preces procura em vão a quem pedir .
minha trajetória foi estorno de vazio ,
é toda de mágoa em que se esbarra
e eu sou só grito ,
eu sou só e grito !
não há quem me escute ,
me escute estou aqui diante de ti,
desnuda de mim a procura de saída ,
meu limite é uma renitente linha
que não consigo ultrapassar
e eu caí nesse mar partido
da brancura das margens
tudo que alcanço
é deixar-meir sem lutar ...
que venha o sol suplantando a escuridão
pois quero mais luz queimando em mim o amanhã ,
viver explodindo os meus medos
e soltando as asas desses sonhos inúteis.
violarei todas as regras ,
ousarei ser solto ar ,
estarei onde houver fogo
até derreter a cera
da última das ilusões ,
pois quero ser a chama da vida
pra saber amar...
dalila balekjian
teatro
negro asfalto
calçadas puídas
borboletas noturnas
quimeras vivas
disputam o palmo
tendo na noite
seu espetáculo
âmago copo
contém o fluído
de acender a mentira
que acalma o insone
mas ao quebrar-se
some o palco
e nua a vida
não merece versos
dalila balekjian
biografia:
poeta carioca , participo de várias academias e entidades literárias , tenho espaços msn e sou gerente da comunidade orkut \'Prosa e poesia de amigos\'
dalbalek@hotmail.com