ENTENDIMENTOEntendo a um texto,entendo a um relógio,entendo a uma criança com seus segredos e fantasias...Entendo as cores, as noites, os nublados;entendo aos inocentes e aos culpados,aos ociosos e aos ocupados.Entendo tantas e tantas coisasque meu horizonte me olha desconfiadoa temer que eu o desvende. “POEMITO” [a July]De repente,uma luz surgecomo uma nau antigaao porto ...
ENTENDIMENTO
Entendo a um texto,
entendo a um relógio,
entendo a uma criança com seus segredos e fantasias...
Entendo as cores, as noites, os nublados;
entendo aos inocentes e aos culpados,
aos ociosos e aos ocupados.
Entendo tantas e tantas coisas
que meu horizonte me olha desconfiado
a temer que eu o desvende.
“POEMITO”
[a July]
De repente,
uma luz surge
como uma nau antiga
ao porto noturno
em que o mar se deita.
pequenas embarcações,
balouçares de crioulas bonitas à beira da praia,
sereias verdadeiras nas redes dos pescadores.
O perfume dos mitos parece iluminar a costa.
O faroleiro sente-se um deus, guiando as almas.
A bela Lua-cheia se aconchega
no colo de um bêbado.
Sem consolo,
a escuridão vai beirando o inatingível...
vai deixando passar a sua barcarola sem cores.
Soerguia , o que nos parecera intocável...
mas não era intocável, nem vinha de longe.
Não era mito, não era forasteira,
era apenas uma noite
somente decifrável pelos poetas.
SONETO À PARTEIRA DO PINTOR
Nasce o pintor das mãos de uma parteira
A se encantar pela cor de seu vestido
A cada retalho um mundo renascido
A cada segundo uma pintura inteira
Falando assim parece que o brinquedo
Vem sobrepor a vez da brincadeira
E pinta e pinta sem nenhum segredo
Um belo quadro no vestido da parteira
Trazendo ao mundo a cor que precisava
O pintor que nascera lambuzava
Com as mãozinhas tão cheias de tinta
A arte da vida que a vida dava
Pois que viver é ser artista como quem pinta
E tão bem vestir como quem parte e sinta
a mesma arte daquela parteira.
Poema somente para Nay
Seu par de olhos
sempre se encarrega
de ser um par de anjos
com asas piscantes
e corpos negros
ilhados de leite
povoa, deita, se deleita
na pele de um rosto afável -
uma cama macia, feita para quem descansa.
fechados, as luzes se apagam
como cortinas se fecham
a fim de que sonhemos
seu par de olhos,
finos para os alvos
imensos para o fito...
imersos a sonhos
que parecem plantar
toda vida que existe...
porque anjos... moram perto dos deuses.
IRECÊ
[a uma amiga e a uma cidade homônimas]
transito a obliquidade de tuas ruas,
a beleza do teu nome
e paro nos pontos em que vivo.
Seja mulher, seja poema, paisagem, cidade,
serás sempre bem vestida, bem escrita,
bem arborizada, bem ladrilhada!
Mulher e poema
Mulher e cidade
de uma conveniência impreterível...
a quem a escreve, trafega - e ama.
INFLAMÁVEL
Quando cantar a manhã,
findando a esperança dos bêbados,
irão fugir os pássaros,
cortar seus pulsos, os poetas,
e finjir o Sol que é um tímido astro sonolento.
Pesa, nas mãos destes anônimos,
dedos de fogo.
Lá fora, chove. E o poeta - fogo -
escreve como os ébrios.
Incendeia o rosto, troca lágrima por éter,
abismos por estradas,
solidão por ventanias tímidas...
como as pétalas que se espreguiçam e se queimam.
Deuses na chuva, sem dedos, silenciam-se.
Biografía:
* Moacir Eduão nasceu em São Gabriel – Bahia - Brasil, em 1975. É professor e poeta, licenciado em Letras pela UEFS [Universidade Estadual de Feira de Santana]. Membro fundador da Academia de Letras de Irecê. É autor de Ao Tempo [in memoriam], em 2003. Participou de Os Outros Poemas de que Falei [2004], antologia elaborada pelo Banco Capital. Publicou artigo na revista literária Latitudes, Paris – França. Encontra-se no prelo, de sua autoria, Desespaços, seu quarto livro de poemas.
Perfil no orkut: http://www.orkut.com/Home.aspx?xid=9782143125398812687
Poemas no orkut: http://www.orkut.com/Scrapbook.aspx?uid=2556083821376028129
Outros textos: www.atrevidos.com.br [Coluna Poema sem Metro]
meduao@hotmail.com