A GENTE SAI DO SERTÃO E O SERTÃO NÃO SAI DA GENTE.Ao pessoal de Altinho-PE, especialmente dos sítios Sobradinho, Letreiro e Carão. Quase todo nordestino, Depois da adolescência, Tangido pela carência Procura um novo destino: Vira mais um \'severino\' Vivendo em novo ambiente, Mesmo sendo diferente Não esquece a tradição. \'A gente ...
A GENTE SAI DO SERTÃO E O SERTÃO NÃO SAI DA GENTE.
Ao pessoal de Altinho-PE, especialmente dos sítios Sobradinho, Letreiro e Carão.
Quase todo nordestino,
Depois da adolescência,
Tangido pela carência
Procura um novo destino:
Vira mais um \'severino\'
Vivendo em novo ambiente,
Mesmo sendo diferente
Não esquece a tradição.
\'A gente sai do sertão
E o sertão não sai da gente!\'
É São João, mas eu não sinto
O cheiro de milho assado,
Tenho na frente um teclado
E a tela é meu labirinto.
Toco um CD de Jacinto,
Lembro a minha terra ausente,
Ligo, mas nenhum parente
Ouve a minha ligação.
\'A gente sai do sertão
E o sertão não sai da gente!\'
Parece que estou vendo,
Lá no forró do Letreiro,
O velho Heleno Cordeiro
A cotinha recolhendo.
João de Quitéria trazendo
Cachaça com caldo quente,
Zé Biquara no batente
Amarrando um foguetão.
\'A gente sai do sertão
E o sertão não sai da gente!\'
Tenho em minha companhia
Somente o computador,
Uma dose de licor
E a parceira poesia
Que pega a minha agonia
E a transforma em Repente,
O \'e-mail\' segue urgente
Transportando a emoção.
\'A gente sai do sertão
E o sertão não sai da gente!\'
Mote: Domínio Público
Glosas: Wellington Vicente
Porto Velho-RO, 23 de Junho de 2003.[Noite de São João].
\'Dos caminhos que ele andou
Ainda estou na de\'
Ao Poeta Zé Vicente da Paraíba [meu pai], pelos seus 85 anos.
Cada recanto avistado
Ele guardou na memória
E hoje conta a história
Do que foi vivenciado
Com a viola do lado
Virou a celebridade
Presente em cada cidade
Onde seu canto ecoou
Dos caminhos que ele andou
Ainda estou na de.
O primeiro repentista
A gravar um LP
Do estilo para que
No futuro um novo artista
Pudesse seguir a pista
Da arte que na verdade
Tem a nordestinidade
Do povo que a cultivou
Dos caminhos que ele andou
Ainda estou na de.
Dizem até que sou Poeta,
Mas não sei tocar viola,
Trago apenas na cartola
A rima como uma
Quando a tristeza alfineta
Eu procuro a sanidade
Num caderno de saudade
Que um dia me ofertou
Dos caminhos que ele andou
Ainda estou na de.
Mote: Fátima Marcolino
Glosa: Wellington Vicente
Porto Velho, 05/08/2007.
\'AS PEGADAS QUE FICAM SÃO RIMADAS\'.
Ao meu sobrinho João Pedro, que nasceu \'agorinha\' no Hospital Santa Efigênia.
Há quarenta e um anos vim ao mundo
O hospital era o São Sebastião
Caruaru, foi a primeira estação
E Altinho foi o meu porto segundo
Deus me deu um terreno bem fecundo
E meus pais me instruíram nas passadas
A escola dos poetas de bancadas
Transformou-me num humilde menestrel
Nas veredas estreitas do Cordel
\'As pegadas que ficam são rimadas\'.
Vinte anos separam o meu Torrão
Do olhar aquilino de poeta
E a saudade \'matadeira\' me projeta
Em terceira ou quarta dimensão
Só não sei dedilhar um violão
Para ter minhas letras musicadas
Mas as rimas parecendo trovoadas
\'Correm mundo\' pela estrada virtual
E assim vou dizendo ao pessoal:
\'As pegadas que ficam são rimadas\'.
Mote: Fátima Marcolino
Glosas: Wellington Vicente
Porto Velho, 28/05/2007.
biografia:
Wellington Vicente
Cordelista [herdando um pouco do dom artístico do meu pai repentista ZÉ VICENTE DA PARAÍBA] e compositor de forró [Vide CATUABA COM AMENDOIM VOL.12 \'SENHA SECRETA\',CD lançado em 2006, disco no qual tenho as músicas \'VOLTEI A SER FELIZ\' e \'Um Forró de Pé-de-Serra\', esta em parceria com o amigo Wellington Fontes],um xote intitulado \'Pobre Sonhador\', gravado por Wellington Fontes no CD MAGIA e depois regravado pela dupla sertaneja de Porto Velho Izidoro & Paulinho no CD \'Homenagem a Rondônia\' no ano 2000. No mesmo CD, Wellington Fontes interpreta outra composição de minha lavra intitulada \'Inspiração\'. Funcionário público de Rondônia. Gosto de tudo que é ligado ao Sertão.
Criei-me no Sobradinho
Sítio antes do Letreiro
Fui moleque peladeiro
No Quilombo e no Cantinho
Quando muito ia a Altinho
Hoje tão distante estou
Pois o destino ordenou
Só pra me contrariar
Que eu deveria habitar
Onde Rondon desbravou.
Na foto do casarão
Fui transportado ao passado:
Papai de viola ao lado,
Mamãe catando o feijão,
Eu, chutando no oitão
Minha bola \'canarinho\',
Wélio, meu irmãozinho
Andando de bicicleta.
Quer transformar-se em Poeta???
Viva distante de Altinho!!!
nino.pe@bol.com.br