ÁguAlentoTranslúcida, fria, morna, ou ardentemas sempre presente,em alguma estação.Água, deságuaem bocas sedentas,em corpos ferventes,que do flagelo fogem em busca de alento,tal qual grande rede.Estação sede.Água deságuaem rostos suados,em ruas seminuas,em becos escuros sem cor nem horizonte.Estação fonte.Água deságuacom modéstia imensaem qualquer lugar.Brota, sorrateira, e abastece ...
ÁguAlentoTranslúcida, fria, morna, ou ardente
mas sempre presente,
em alguma estação.
Água, deságua
em bocas sedentas,
em corpos ferventes,
que do flagelo fogem em busca de alento,
tal qual grande rede.
Estação sede.
Água deságua
em rostos suados,
em ruas seminuas,
em becos escuros sem cor nem horizonte.
Estação fonte.
Água deságua
com modéstia imensa
em qualquer lugar.
Brota, sorrateira, e abastece, indolente
o solo estéril,
em tempo de estio.
Estação rio.
Água deságua
Em noite brejeira,
eis que sua audácia em forma de chuva,
esconde o luar.
Para, aguaceira, na aurora do dia
encher de jasmim toda jardineira,
e fazer-se primavera.
Estação mar!
Córrego IEscorre com cautela entre os pedregulhos,
E tomba no mar de utopia que te aguarda
Sem pressa.
Qual prova irrefutável da esperança,
De vida que não cansa
De insistir.
E prossegue....
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Espreguiça-te languidamente:
Entre realidade e palco,
Entre afeição e desencanto,
Entre existência e extinção,
Rumo ao infindável
E terno sonho meu.
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Caminha, caminha
Caminhada da chama
Clama por Paz.
[haicai feito durante caminhada da paz/ [set/2006]biografia:
Isnelda Weise nasceu em Ibirama [SC] e vive em Blumenau [SC há 30 anos. É membro da Sociedade dos Escritores de Blumenau. Tem poesias publicadas na antologia Prosa & Verso II, II e III e IV.
Sente fascínio pela água, mas teme o mar, apesar do mesmo estar presente em seus versos, cantado pela sua beleza misteriosa. Foi a água que lhe trouxe o desalento maior: na enchente de 1983 viu todos seus escritos junto com os retratos da sua bebê Juliana levados pelo lamaçal.
Bacharel em Direito, voltou à Universidade para buscar no curso de Letras os requintes de que não abre mão no uso das palavras.
AguAlento nasceu, desta maneira, dentro da Universidade, já que é o poema que dá nome ao livro, e foi escrito durante uma aula de Língua Portuguesa. A justaposição de palavras virou marca registrada, presente em muitos de seus poemas, e a obra é uma coletânea primorosa que nem o fogo nem a água levou.
Segundo Isnelda, simpatizante do pensamento segundo o qual a poesia é uma ilha cercada de palavras por todos os lados, 'AguAlento, ao lutar para fazer parte desta ilha, enamorou-se pelas palavras, e foi com elas procurar nas fontes força e inspiração para desabrochar'.
É por este motivo que AguAlento canta principalmente a água, as fontes e a natureza e faz apelos para sua preservação.
Outros livros se seguirão a este, pois Isnelda continua escrevendo e seus planos incluem crônicas e poemas sobre temas já definidos.
isweise.bnu@terra.com.br