RadiaçãoHaveria que medir o tempo de decaimentoA meia vida de uma paixãoO exato momentoEm que poderias pedir: ficaEm que eu poderia dizer: não possoEm que virarias para o lado, sonolentaEm que lentamente eu sairiaAquele momento Em que eu fecharia a portaE nos deixaria Para sermos infelizes para sempreLapidaçãoUm colibriEsmeralda de pura gemaPousou aquiUma metáfora lapidadaQue durou o instan ...
RadiaçãoHaveria que medir o tempo de decaimento
A meia vida de uma paixão
O exato momento
Em que poderias pedir: fica
Em que eu poderia dizer: não posso
Em que virarias para o lado, sonolenta
Em que lentamente eu sairia
Aquele momento
Em que eu fecharia a porta
E nos deixaria
Para sermos infelizes para sempre
LapidaçãoUm colibri
Esmeralda de pura gema
Pousou aqui
Uma metáfora lapidada
Que durou o instante de uma bodocada
Desferida pelo poeta em estado bruto
CondensaçãoJá fui assim, nefelibata
Como os carneirinhos lá do céu
Vapores de corpos sublimados
Eternos amantes
Mas era verão
Fazia um sol de derreter o juízo
Veio a condensação
E eu virei chuva de granizo
biografia: Nasci em Belo Horizonte, tenho 57 anos,sou casado, pai de três filhos e torcedor do Atletico Mineiro. Formado em Física,
atualmente trabalho na Receita Federal. Militei 14 anos no Partido Comunista do Brasil e fui diretor da UNE, [União Nacional dos Estudantes] em 1971. Escrevo há uns três anos, tendo colaborado no site Fábrica de Letras e na Revista Estalo. Fui premiado nos concursos de contos e de crônicas dessa revista.
Recentemente, fui o 2º colocado no Concurso Cultura no Ar, na categoria
contos. Minha produção atual é basicamente poesia. Escrevo principalmente versos livres,embora incursione algumas vezes pela trova. A Física me ajudou a ser sintético e me tornou extremamente crítico. A minha poesia atual não é militante, no sentido tradicional, embora não seja nunca gratuita.
Acredito na formulação de Maiakovsky, que diz que o poeta tem que criar
a sua própria poética.
tigranpetrosian53@yahoo.com.br