MARIONETES Jorge VenturaExiste entre nósum par com duas pontas.Cada qual com dois prós,cada qual com dois contras Puxa-se uma corda daqui,outra dali,mãos e pernas atrapalham-seemaranhadosem movimentos manipulados,sabe Deus por quem O vaivém dos gonzosrange aos limites estipulados,em meio a trapos farrapose desculpas esfarrapadas Duas marionetes sem brioe a relação por um fioEmoldurados A ...
MARIONETES Jorge Ventura
Existe entre nós um par com duas pontas. Cada qual com dois prós, cada qual com dois contras
Puxa-se uma corda daqui, outra dali, mãos e pernas atrapalham-se emaranhados em movimentos manipulados, sabe Deus por quem
O vaivém dos gonzos range aos limites estipulados, em meio a trapos farrapos e desculpas esfarrapadas
Duas marionetes sem brio e a relação por um fio
Emoldurados
A laranja cortada à faca sobre a mesa [gomos e gumes] não exala mais o cheiro das manhãs
móveis da sala cozinha e quarto abrigam tardes e noites imóveis como cestas de nozes e avelãs
afora o sol pela porta pintada a óleo o silêncio dos olhos e a certeza de que a natureza agora é morta.
O SILÊNCIO Jorge Ventura
A palavra dita e escrita, antes domínio, hoje quase inexiste. E no declínio da voz, pássaro triste, nada exalta o fonema. A pena chora a sós quando vos confesso meu silêncio. Não o silêncio que me cala a fala, mas o que me cala o poema.
O REFLEXO E A REFLEXÃO Jorge Ventura
Reflita diante deste que te reflete. Busca a ti próprio, meu semelhante. Sou teu surreal espelho, vil, exuberante. Tua estreita verdade a mim se submete e a mesma conduta jamais se repete. Momentâneo, não és cínico nem cênico. Somes com a máscara e te vês autêntico. Um corpo livre na bela paisagem, despido como um Deus e, à sua imagem e semelhança, não menos egocêntrico. Porém não tema a meu respeito, nem me seja infame! Conheço, e muito, de ti porque sou teu fiel confidente: na alegria do gozo, na expectativa do encontro, presente estou sempre, ainda que sob o terrível instante no vexame da tristeza e solidão. Pelo meu revés te faço o exame mais preciso de consciência. E se acaso não te satisfaço, quer por excesso de virtude ou defeito, não me desfaço de arrependimento, uma vez que do reflexo à reflexão, sou quem te fala às claras e a quem tu suplicas a mão. Sou um espelho, espelho teu, espelho irmão e sem aço.
Biografía:
Jorge Ventura
O POETA
Brasileiro, 43 anos, nascido e criado na cidade do Rio de Janeiro. Morador de Jacarepaguá. Poeta associado à APPERJ [Associação Profissional dos Poetas no Estado do Rio de Janeiro] e atual Diretor de Comunicação do SEERJ [Sindicato dos Escritores do Estado Rio de Janeiro], Jorge Ventura é ator, jornalista e publicitário. Além de performances e encenações poéticas, vem atuando nos principais saraus e movimentos culturais do Rio. É um dos coordenadores do evento literário-musical Estação Poesia, criado em 2004 no Café Xangô, em Botafogo. Publicou Turbilhão de Símbolos [2000] e Surreal Semelhante [ 2003] – ambos pela Imprimatur. Sua poesia está presente em diversos sites e jornais literários, além de antologias cariocas, como:
- Palavrarte [ Site Literário – 2000 ] - Antologia Poemas Cariocas [ Editora Íbis Libris – 2000 ] - Antologia Santa Poesia [ M& M Editores – 2001 ] - Antologia De Coração Para Coração – Poetas Em Ação [2001 ] - Jornal Panorama da Palavra – 2001 - Jornal Rio Letras - 2002 - Jornal Internético João do Rio - 2003 - Caderno de Poesia Talismã [APPERJ/ Oficina Editores] - 2003 - Jornal Recreio da Barra - 2004 - Antologia Ponte de Versos – 4 Anos [Editora Íbis Libris – 2004] - Revista Literária Plural [APPERJ/ Oficina Editores] - 2004 - Jornal Tijucacit - 2004 - Jornal Tribuna do Escritor [SEERJ] - 2004 - Boletim Literário Um Brinde à Poesia - 2004 - Boletim Literário Deleites - 2004 - 1825 Dias de Poesia – Organização: Grupo Poesia Simplesmente – 2004 - Coletânea Perfil 2005 [APPERJ/ Oficina Editores] - 2004 - Jornal Tijucacit – 2005 - Tango Fotografia/ Coletânea de fotos e fragmentos de poemas - 2005 - Antologia Poética República dos Poetas – 2005 - Coletânea Poética Oficina Editores 20 Anos [APPERJ] – 2005 - Agenda Literária 2006 [APPERJ] – 2005 - Coletânea Perfil 2006 [APPERJ/ Oficina Editores] – 2005 - Antologia Poesia nos Arcos 5 Anos [Oficina Editores]- 2006
Tem verbete no Dicionário do Morcego, de Sílvio Ribas [Flama Editorial] - 2005 - nome citado como o jornalista responsável pelo fanzine sobre o herói das HQs, Batman [ personagem criado por Bob kane ].
Premiações Recentes: Melhor Intérprete, pelo poema A Casa, de sua autoria, na noite de lançamento do Caderno de Poesia Talismã [ dez/ 2003 ]; um dos três primeiros colocados no concurso de poesia “ Carioca, um jeito original de ser ” – promovido pelo jornal Capital Cultural [ mar/2004 ], com o poema Lamento de um Malandro Carioca e 1º lugar no Concurso-relâmpago da APPERJ, com o poema Perfume de Mulher [ julho/2004 ]; 2º lugar no IX Concurso Nacional de Poesia Francisco Igreja [ setembro de 2004 ], com o poema De Água para Vinho, obtendo também a Medalha de Melhor Intérprete e o Troféu Francisco Igreja, por ter sido o apperjiano mais bem classificado no Concurso; um dos dez finalistas no Concurso Laranjeiras Em Prosa e Verso [ setembro de 2004 ], coordenado por Cristina da Costa Pereira, nas categorias poesia - com o poema Laranjeiras: Ontem,Hoje,Sempre e prosa – e com a crônica Laranjeiras, Eu Sei. 1º lugar também no Concurso-relâmpago da APPERJ [ maio/2005 ], com o poema O Reflexo e A Reflexão, sob o tema “Espelhos”e Menção Honrosa no V Concurso Literário de Poesia Livre da Biblioteca Comunitária Tobias Barreto [maio/2005 ], coordenado por Dalva Meirelles e Iracema de Souza, com o poema Ele. Medalha de Melhor Intérprete pelo poema Criação, de sua autoria, na noite de lançamento da Coletânea Oficina Editores – 20 anos [ agosto/ 2005 ]. Finalista com o poema A Farsa e A Força e Medalha de Melhor Intérprete no X Concurso Nacional de Poesia Francisco Igreja [setembro de 2005]. Ainda neste ano, 2º lugar no Concurso-relâmpago da APPERJ [novembro/ 2005], com o poema Sobrevivente, sob o tema “Comigo Ninguém Pode!” Tem seu nome lembrado como agradecimento, nos livros Olhares, de Silvia Bagrichevsky; Passaporte 8574, de Patrícia Carvalho; Marés, de Sonia Segadas [onde também assina o prefácio da obra]; Palavreando, de Nilton Alves [onde assina uma das orelhas] e Falando de Amor – Algumas Vezes Contra, Outras a Favor, de Gladis Lacerda [onde também assina uma das orelhas]. Tem poema dedicado por Thereza Christina da Motta [Antologia Rios] e é homenageado no poema Laborum