RondóVem, meu belo navegante!Vem ancorar no meu porto.Faz renascer exultanteUm coração que está morto.Faz-me outra vez radianteEste olhar hoje absortoÀ espera de um barco erranteDe onde me vem o conforto.Dos oceanos que visteTraz-me a cantiga que existeNo arrojo de cada onda.Traz as canções que ouvisteE faz o meu riso tristeO sorriso de Gioconda..Mu ...
Rondó
Vem, meu belo navegante! Vem ancorar no meu porto. Faz renascer exultante Um coração que está morto.
Faz-me outra vez radiante Este olhar hoje absorto À espera de um barco errante De onde me vem o conforto.
Dos oceanos que viste Traz-me a cantiga que existe No arrojo de cada onda.
Traz as canções que ouviste E faz o meu riso triste O sorriso de Gioconda..
Mulher
Perguntas-me quem sou? Sou a beleza. Sou a forma ideal da natureza. Da razão sou a luz. Sou o porto onde o náufrago descansa. Sou Pandora guardando a esperança. Sou a Virgem chorando ao pé da cruz.
Sou a Ciência - o livro que ensina Sou a lâmpada que os lares ilumina E a flor dos gineceus. Mas, acima do que sou enaltecida, Sou o seio nutriz gerando a vida E a mais pura criação das mãos de Deus.
Sou acalanto, a mão que embala o berço. Sou a mais lírica expressão de um verso... Sou Aspásia e Éster... Sou mistério nas coisas mais secretas... Sou a musa de todos os poetas! Sou deusa. Sou encanto. Sou Mulher!
Minha Cantiga
No castelo do Destino Dividi-me por igual. Ficaram duas meninas. No meio de um roseiral.
Uma bordando a ouro, Outra o mais fino l.
Uma tranpôs a soleira Que era a porta pra o mar. Tomou o barco da vida, Partiu sem querer sonhar.
A outra subiu à torre Que ia dar nas estrelas No barco da meia-lua Foi para a mais longe delas...
Um dia encontro as meninas Bem longe do roseiral Nelas havia a tristeza Dividida por igual.
Nenhuma bordava a ouro, Nem o mais fino l.
Fui escolher! Não sabia Com qual das duas ficar!? Castelos já não havia E a torre para sonhar.
Sem manto bordado a ouro; Sem palmatória de rei! Ai! Minhas pobres meninas Qual de vós escolherei?!
Do CANCIONEIRO EXPERIENCIAL [1987]
biografia:
Zilma Ferreira Pinto, nome literário de Zilma Ferreira dos Santos, poetisa paraibana, cordelista, trovadora, historiadora e genealogista. Tem publicado diversos livros e lançou recentemente A SAGA DOS CRISTÃOS-NOVOS NA PARAÍBA. Professora licenciada em História pela UFPB. Nascida em Tacima - PB, Brasil.