SONETO À JUVENTUDE Fiquei feliz quando fiz quinze anos Parecia que meu mundo iria desabar Para abrandar vindouros desenganos Ganhei loção e creme de barbear. Com a chegada desses novos dias Descobri que a idade é difícil de se tolerar Estou sozinho, minhas noites são tão frias E nada de um novo janeiro chegar. Todos me dizem que nesta fase não devo me precipitar Que virá e terei incontáv ...
SONETO À JUVENTUDE
Fiquei feliz quando fiz quinze anos
Parecia que meu mundo iria desabar
Para abrandar vindouros desenganos
Ganhei loção e creme de barbear.
Com a chegada desses novos dias
Descobri que a idade é difícil de se tolerar
Estou sozinho, minhas noites são tão frias
E nada de um novo janeiro chegar.
Todos me dizem que nesta fase não devo me precipitar
Que virá e terei incontáveis primaveras para amar e ficar
Estão; tudo o que um dia não foi, em mim, em ti, será.
É uma angústia uma eternidade um sofrimento.
Mas o eterno azedume deste meu lamento
Tal qual noite após o dia, um dia... passará.
* * * * *
PRÉ-DICADO
Permaneça desligado, computador:
Não compute
Não conecte
Pois não quero computar
Minha dor.
Permaneça deixado, sofredor:
Não tolere
Não curta
Não queira sofrer
Minha dor.
Permaneça mudo, despertador:
Não desperte
Não pondere
Pois não desejo despertar
Minha dor.
Permaneça insensível, sonhador:
Não divague
Não delire
Não queira sonhar
Minha dor.
Permaneça surdo, ouvidor:
Não me ouça
Não quero saber
Não quero falar
Não quero revelar
Não quero denunciar
Minha dor.
* * * * *
MUSA DO PECADO
Faz de conta,
Faz de conta que sou poeta
Que escrevo versos no teu coração
Que me fiz luz dos teus dias
Que me fiz sorriso nos teus lábios
Que sou da tua felicidade, ilusão.
Faz de conta, faz de conta.
Faz de conta que descobri os segredos da tua alma
Que tenho o manual doprazer
Que desperto em ti o mais íntimo desejo
Que faço tua carne de amor delirar
Que sou a razão do teu viver.
Faz de conta, faz de conta.
Faz de conta que este poema não tem fim
Que o fogo dessa paixão nunca vai findar
Que nosso caso é um caso sem solução
Que vivemos a bonança do eterno janeiro
Que as águas de março não vão chegar.
Faz de conta, faz de conta.
Mas se você quiser me dominar
E fazer tudo do seu próprio jeito
Por favor, não me mande recados
Inverta a rotina de nossos papéis
Crave suas garras no meu peito:
E me faça pecar seus pecados.
biografia:
Antonio Virgilio de Andrade, Poeta e Escritor Pernambucano, radicado no Riacho Fundo - DF, têm se destacado pela simplicidade, objetividade e irreverência de sua obra e uma marcante participação em movimentos literários de diversos países latinos americano. Antonio Virgilio, cuja participação poética, contempla uma linha pessoal que navega doconcreto ao cotidiano para descortinar mundos abstratos, tem um fino sentido do sarcasmo e forte dose de ironia em sua maneira especial em lidar com o sentido das palavras. Si por um momento sua poesia tem a geometria da estrofe e o rigor da rima, de outros, o verso é livre, genioso, romântico e de fugaz erotismo.
Em sua promissora carreira literária, foi selecionado pelo Painel Brasileiro de Novos Talentos para figurar no CATÁLOGO BRASILEIRO DE POESIA CONTEMPORÂNEA Recebeu menção honrosa do Centro Cultural de Aricanduva - São Paulo, e selecionado pela Associação dos Cegos e Ambliopes de Portugal - ACAPO; para compor o acervo de obras publicadas em braile.
BIBLIOGRAFIA:
Coletânea Poética: RASTILHO DE PROSAS; ADOLESCER DOS GIRASÓIS; FRACTALS; ANDRADE's POÉTICA GENEAL ANTOLOGIA.
Antologias Poética: TERRAS LUSÍADAS.
Contos: CAÇADA A PIRA-BRASILIA; AGUA RASA NO RIACHO FUNDO; O PRÍNCIPE QUE CAIU DO CÉU.
Crônicas: CRÓNICAS DO COTIDIANO E DO ABSURDO, e
o Romance: OINOTNA, O ÚLIMO ERMITÃO.
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