Mulher ou MeninaHelô AbreuMenina, mulher,poeta de esquina,sem fim, sem começo,sem preço, sem nexoapenas sexo...Estudante, estudada,incompreendida,amante e amada...Fênix, simples verso de santos populares,ode a uma forma mais purade estar.Livro aberto, pergaminho negado...Literatura de bolso,música erudita,criança expedita...Musa!Eterna amargura,de risos armados,beijos trocadosem dias de calo ...
Mulher ou Menina Helô Abreu
Menina, mulher, poeta de esquina, sem fim, sem começo, sem preço, sem nexo apenas sexo... Estudante, estudada, incompreendida, amante e amada... Fênix, simples verso de santos populares, ode a uma forma mais pura de estar. Livro aberto, pergaminho negado... Literatura de bolso, música erudita, criança expedita... Musa! Eterna amargura, de risos armados, beijos trocados em dias de calor abrasivo. Criatura sem íris, arrancada dos ventres da terra, liberta, alada... Nas prisões encarcerada. Prisões de ti. Perdida. Perdida... Acorrentada, desmedida. Sonada. Em noites de verão, em dias desfiados por velhas deusas enfezadas. Querida, desejada. Mulher... Contraditória... Adorada. Apenas... Mulher! ::::
Ás Vezes Temos Que Parar. Helô Abreu
Seja quando apenas vemos portas fechadas, seja quando a nossa vida se transforma ela própria numa porta interminável, e nós fechados, dentro dela. Parar. Parados deixar que outros passem sôfregos e felizes por serem sôfregos. Vegetar... Na quietude dos dias que faltam das noites que passam tão velozes que não chegam a passar. Inamovível dentro da porta opaca e minha. Apertada assim, contra ela tenho paz. Não quero vitórias para não querer insidiosas guerras. Quero ficar, simplesmente... Parar um pouco, se me deixarem parar. Resistir, se conseguir, até à tentação de espreitar acocorada, pelo buraco da fechadura do futuro. Ancorar a alma neste fundo lodaçento que é o temponeste muro. Parar. Parar o sangue de pulsar... e dar-lhe tréguas. Dar-lhe um canto para ficar, antes de soçobrar, às portas tantas deste mundo. ;;;;