MENDIGO Maltrapilho pelas ruas vai vagandoCabelos em desalinhos por aí, Com seu saco de bobagens carregandoDesgraçado, nunca chora, nunca ri...Sem amor, sem carinho, sem destino...Sem presente, sem passado e sem futuro,Vil pessoa que das coisas não tem tinoProcurando pela vida no monturo.Segue teu caminho, o teu presente,Revirando este mundo que não sente.Pois, esperando pela morte merencória ...
MENDIGO
Maltrapilho pelas ruas vai vagando
Cabelos em desalinhos por aí,
Com seu saco de bobagens carregando
Desgraçado, nunca chora, nunca ri...
Sem amor, sem carinho, sem destino...
Sem presente, sem passado e sem futuro,
Vil pessoa que das coisas não tem tino
Procurando pela vida no monturo.
Segue teu caminho, o teu presente,
Revirando este mundo que não sente.
Pois, esperando pela morte merencória,
Deitado na sarjeta humilhante,
Agonizas pela rua torturante,
Sem notar que escrevo tua história
O POETA E O COMPUTADOR
A R.B.Sotero...
Olhos no écran colorido
Pensamentos sempre em alvoroço
Dedos no teclado, mal batido
Na alma a poesia. Um colosso!
Na máquina, impulsos em abundância
Chips da emoção, agora elétrica...
Zeros e Um`s pulsam em ressonância
Reproduzindo emoção, sempre poética.
Veloz digitador, transfere tudo!
Incauto, se esquece o 'Control-B'
Inpedido de salvar o conteúdo,
Perde a 'emoção' sem perceber.
-Tragam mão de pilão! Tragam martelo!
Que assim, castigo a ingratidão
Desta máquina, não mais eu zelo
O que sobrar, vai pro porão!
Coração acelerado em polvorosa
Pedaços p`ra todo lado, u`a tragédia!
O Poeta olha o vídeo, todo prosa
Sem saber se é um drama ou u`a comédia...
LIBERDADE
[À minha filha querida: Suzana Pires, com todo amor!]
O cadáver de Ícaro, em sua óssea brancura
E Izabel, a Princesa, todos clamavam!
Prometeu de olhos no horizonte, a bravura!
Com a liberdade, em comum, todos sonhavam
Barrabás cabisbaixo passa na ruela
Maria chorando implora clemência
Na cruz, ele ora pensando só nela,
E à foragida, espera com paciência
A mãe preocupada examina a barriga
O Negreiro navega sobre os olhos de Castro
O tufão nunca chega e isto o intriga
A Liberdade escapole, ela sai pelo mastro
No Sudão, a triste lembrança da foto
O abutre aguardando o menino que parte
Novamente ela foge este é o seu voto
O fotografo falece por causa da arte
O menino sentado prisioneiro da tela
Seus olhos fixados no écran colorido,
No canto de cima o ícone da terra
Gira veloz , objetivo atingido!
Clicando com gosto o menino navega
Brasil, Portugal, o mundo, a fantasia
O espaço acabou e no tempo trafega:
Internet nas mãos e tudo ele via
Navegando o virtual o menino prossegue
Do sexo proibido à liberdade sonhada
O mundo virtual, sem o corpo, consegue
A Liberdade e consigo! ela foi apanhada!
biografia:
Roberto Pires de Oliveira nasceu na Serra de Petrópolis, Rio de Janeiro, trabalhando muitos anos na sua área profissional de Engenharia Elétrica. Nasceu de fato em 11 de junho de 1947, mas só foi registrado depois. Para escapar da...
multa, seu pai providenciou o registro em 01 de setembro de 1947. RPires, como gosta de ser chamado no ambiente literário, diz que não se importa com isto. Na verdade é até bom ter duas datas de nascimento, uma de fato e outra de direito, pois, com um pouco de sorte, acaba ganhando dois presentes! Por volta de 1980, Roberto veio a Fortaleza pela primeira vez através da empresa Montreal Engenharia para solucionar alguns problemas num equipamento de comunicação, importado, na Plataforma de Petróleo Montreal III, que na época explorou petróleo no litoral cearense. Apaixonou-se por Fortaleza e depois de tentativas infrutíferas de transferência para o Ceará, Roberto deixou a empresa e mudou-se para Fortaleza. Um dia, em passeio por Camocim trazido pelo empresário Barcelos, da área de exploração de castanha de caju, gostou e aqui passou um ano. Roberto passou alguns anos nos EUA, a fim de aprender sobre computadores, pois tivera contato com uma dessas máquinas com médicos amigos seus - Paulo Iran e Sebastião Fernando Vieira, o Babá, no Hospital Walter Teles em Fortaleza; afinal, os computadores haviam mexido com sua alma. Em 1992, ainda na América e a convite do amigo Ernesto Saboia, veio a Camocim para participar da campanha política de Manoel Siqueira. Porém aqui ficou e não mais voltou a morar na América do Norte. RPires fundou junto com o prefeito Antônio Manuel Veras o Curso de Computação da Casa de Cultura, que viria mais tarde contribuir, fortemente, para a informatização da cidade. Conversando em 1998 com Carlos Cardeal na Casa de Cultura, exibiu-lhe um exemplar de informativo que fizera para a Escola de Promoção Humana, em parceria com o ex-padre Benedito; propôs então a Cardeal criar um jornal de cunho literário. Carlos Cardeal disse-lhe: - Um momento que irei chamar outro amigo interessado para lhe apresentar. De telefone em punho, chamou um colega e minutos depois lhe apresentou Raimundo Bento Sotero. Desta parceria, Rpires, que possui muita habilidade nas artes gráficas de computadores, logo tinha em mãos o rascunho do que viria a ser O Literário, mídia papel, que daria origem ao Literário On-Line [http://www.literário.com.br]. O site hoje conta com mais de 50.000 visitas de escritores, poetas e leitores do mundo todo de língua portuguesa. Como conseqüência deste movimento nas letras camocinenses, criou-se o Grêmio Literário Ivan Pereira de Carvalho, do qual Rpires é um dos fundadores. Três anos mais tarde propôs ao grupo a transformação do Grêmio na Academia de Letras da Cidade. O grupo não aceitou e Rpires, em 31 de maio de 2001, com a cooperação de intelectuais da terra e três escritores convidados de Portugal para esta tarefa, fundava a Academia Camocinense de Letras que, ao mesmo tempo, integrou em seu quadro, trazidos por Rpires, o escritor e humorista Chico Anysio, Arimatéa Filho, Raimundo Silva Cavalcante e a grande Rachel de Queiroz. Rpires é sócio emérito da Academia Municipalista de Letras do Ceará- ALMECE , sócio efetivo da Academia Fortalezense de Letras, Cadeira 3 da Academia Camocinense de Letras e atual presidente e Acadêmico Honorário da Academia de Letras e Arte do Ceará - ALACE. Seu livro Crônicas de Uma Vida foi primeiro lugar no Concurso Literário Ideal Clube 2002.
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