Ode ao amorEmbevecido ao te admirar, perdi-meNo emaranhado desse amor ciumento.Estranho é que me perco e não lamento,Sou réu impenitente, adoro o crime.O amor não me condena, me redime,É minha essência, não meu complemento.Se ele é prisão, adoro ser detento,Em suas grades colho a paz sublime.Tem o amor meu cuidado e meu denodo,Com igual devoção do velho mongeQue nos braços de Deus busc ...
Ode ao amor
Embevecido ao te admirar, perdi-me
No emaranhado desse amor ciumento.
Estranho é que me perco e não lamento,
Sou réu impenitente, adoro o crime.
O amor não me condena, me redime,
É minha essência, não meu complemento.
Se ele é prisão, adoro ser detento,
Em suas grades colho a paz sublime.
Tem o amor meu cuidado e meu denodo,
Com igual devoção do velho monge
Que nos braços de Deus busca sossego.
Vontade de gritar ao mundo todo:
'Desculpe a pressa, amigo, moro longe,
E a minha amada sofre se eu não chego'.
Põe-te linda
Enleva-te, minha alma, põe-te linda,
Faz-te merecedora desta festa.
És amada e, no mínimo, te resta
A esperança de ser feliz ainda.
Embriaga-te de amor, minha alma, e brinda
À vida que te fere e te molesta.
Amor bem-vindo apara toda aresta,
Por isso canta o dom da sua vinda.
Mas, se ficares só, sem a alma-par,
E a negra solidão, como uma peste,
Trouxer-te o manto da tristeza espessa,
Vivas tu, alma-viúva, de lembrar
O amor antigo e terno que tiveste
E que em nós nenhum novo amor floresça.
Eu fiquei velho de repente
Eu fiquei velho de repente, um dia,
Não sei como ocorreu nem quando ou onde.
Desde então, uma velha bruxa esconde
O meu brinquedo, o sonho, a fantasia.
Cobro-lhe o dolo e a bruxa silencia,
Quando insisto em ser jovem, não responde.
Ela sabe que a infância traz na fronde
Compromisso vivaz com a alegria.
Conto um segredo [boca de siri,
Que minha alegação desgraça puxa,
E eu quero ter remédio para a dor]:
Por fora, é bem verdade, envelheci,
Mas dentro - que não saiba a feia bruxa! -
Sou o mesmo moleque sonhador.
BIOGRAFIA LITERÁRIA:
SOLANGE RECH reside em Florianópolis [SC]. É poeta, membro de várias organizações culturais. Acumulou diversos prêmios em concursos nacionais e internacionais de poesia. Recentemente, obteve o segundo lugar no Concurso Nacional de Sonetos, promovido pela Fundação Roberto Marinho e Canal Futura, com 'Imenso Amor o Meu', o que lhe rendeu uma crítica literária no Jornal do Brasil [RJ], edição de 27.01.2004. Seu nome é verbete na Enciclopédia de Literatura Brasileira [Afrânio Coutinho, co-edição da ABL, 2ª edição, 2001]. É Cidadão Honorário de São Lourenço do Oeste [SC] e recebeu o título de 'Personalidade do Ano do Distrito Federal - Ano 1983', outorgado pela Associação de Imprensa de Brasília. Tem publicações em vários países. Participa de dezenas de antologias literárias. Publicou, entre outros, os seguintes livros: TROVÕES DOLENTES, PARA MATAR A NOITE, DE AMOR TAMBÉM SE VIVE..., OS ESPARTANOS DE DEUS, SERÕES NA REDE, SACERDÓCIO POÉTICO e MEUS SONETOS PREMIADOS.
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