AH ! SE ALGUM DELES TE VISSE Ah! Se Jorge Amado te visseAntes que eu te encontrasseTalvez ele não escrevesseOs romances que escreveu.Talvez se apaixonasseE, por paixão ou por medoMudasse todo o enredoTirasse o cravo e a canelaColocando no lugar delaVocê, mulher... Dona FlorQuem sabe até... uma heresia !Mudasse de Salvador. Ah! Se Caymmi te visseAntes que eu te encontrasseTalvez ele não compu ...
AH ! SE ALGUM DELES TE VISSE
Ah! Se Jorge Amado te visse Antes que eu te encontrasse Talvez ele não escrevesse Os romances que escreveu. Talvez se apaixonasse E, por paixão ou por medo Mudasse todo o enredo Tirasse o cravo e a canela Colocando no lugar dela Você, mulher... Dona Flor Quem sabe até... uma heresia ! Mudasse de Salvador.
Ah! Se Caymmi te visse Antes que eu te encontrasse Talvez ele não compusesse. Marina, teria outro nome Na certa seria o seu. E ele, homem de fé Talvez se tornasse um ateu Iría ao Bomfim à pé Somente para proclamar: João Valentão fraquejou E o “doce morrer no mar” Morreu ao te encontrar.
Ah! Se Caribé te visse Antes que eu te encontrasse Talvez ele não pintasse As cabeças de filho-de-santo. E ele, que era inquieto Talvez se acostasse num canto Clamando a Iemanjá seu afeto. Talvez não pintasse as mulheres Negras esculturais Talvez só pintasse você Outra mulher, nunca mais Turista algum há de ver.
Ah! Se Mario Cravo te visse Antes que eu te encontrasse Talvez ele não esculpisse No cobre, no ferro ou latão A sua obra-prima seria Somente buscar a moldura Arrancar toda a luz do dia E você seria a escultura Eternizando o momento Na lente da fotografia A sua segunda paixão. E assim, congelando a emoção.
Ah! Se Vinicius te visse Antes que eu te encontrasse. Talvez ele não poetasse. Seria impossível um poema Não mais, a Garota de Ipanema Não sairia nem mesmo um fonema. Tudo porque sua manha Inibiria o “Canto de Ossanha”. E o poetinha de Arrastão Louco, se poria a declamar: Sei lá... a vida tem sempre razão Eu sei que vou te amar.
Ah! Se algum deles te visse Antes que eu te encontrasse Talvez eu não existisse.
QUEDA ABISSAL
Tênue ! Delgado ! Fraco ! Ele não resiste. Balança ! Afrouxa ! Se desprende ! E cai ! Cai, como uma folha seca Num vôo suave de pluma Silencioso Como uma asa-delta Sem o seu condutor. E o percurso de apenas centímetros Parece uma queda abissal.
Cai, mais um fio de cabelo !
Falam que é próprio da idade Que e só mais um pelo Mentira ! Cai, na verdade Mais uma ansiedade Uma angustia no coração Uma contrariedade O fim de uma paixão Ou o início de uma tensão
Cai, no travesseiro Cai, no chão úmido do banheiro Cai, mais um fio de cabelo Não é somente um pelo É o tempo passando ligeiro.
MALDADE ! PURA MALDADE !
Maldade ! Maldade você fez ! Você, na flor da idade Sabendo da minha carência Embora com toda a vivência Me encanta ! Embasbaca ! [ou babaca ¿] Me mostra a sua verdade Depois escapa de vez.
Maldade ! Pura perversidade ! Um homem da minha idade Com sede de beduíno Estando ao lado do poço Espera voltar a ser moço Fazendo papel de menino Brincando de ser mocinho. Mau ator ! Interpreta o texto sozinho.
Maldade ! Sem dó, nem piedade ! Beleza é a tua riqueza Me compra a preço qualquer Me joga num quer-e-não-quer E basta um olhar, um sorriso Destrói minha fortaleza Soterra o pouco juízo Afunda meu amor próprio [próprio ¿] Agora, um amor-impróprio. Comprei, na verdade, tristeza
Maldade ! Que infelicidade ! Pago, sem necessidade Por não escutar a razão É tempo... te esquiva ! Sabes que a tua sina Ao lado desta menina É ficar em carne-viva Braseiro no coração Destroços de um furacão.
Estive na Fonte da Juventude, de Ponce de Leon e não bebi um gole.
Maldade ! Pura maldade !
Biografía: Formado em Administração de Empresas, é empresário da área