SONSQuando sons de sino embalarem a lua pingente no céue roucos sussurros se esparramarempelas rachaduras da terratalvez tenhas coragem de dizerque me amas...e eu direi que te amoe te segurarei do meu ladoQuando a voz do silêncio ultrapassaras barreiras do some as tuas palavras se perderemnas minhas profundezas.Quando esse som só se fizer ouvidocomo hino solitárioem meio ...
SONS
Quando sons de sino embalarem a lua
pingente no céu
e roucos sussurros se esparramarem
pelas rachaduras da terra
talvez tenhas coragem de dizer
que me amas...
e eu direi que te amo
e te segurarei do meu lado
Quando a voz do silêncio ultrapassar
as barreiras do som
e as tuas palavras se perderem
nas minhas profundezas.
Quando esse som só se fizer ouvido
como hino solitário
em meio às nuvens,
também eu me calarei
e te deixarei ir
porque o amor só tem sentido
quando as palavras fazem eco.
25.11.2004
CARDIOPATIA
*\'Mas mesmo morto o peito sente dor\'
que o amor não morre assim, não deste jeito,
que o efeito da paixão não cessa junto
com o defunto coração no peito
E qual o efeito de sofrer assim,
não cabe a mim, doente, responder
só sei querer, amar, sofrer, por fim
mesmo que seja o meu maior defeito
Não é direito, eu sei, sofrer por ti
porque senti, em todos esses anos,
que nos teus planos, não cabia o amor.
Morri, eu sei, há muito, no teu peito...
Porém meu peito aqui, embora morto
insiste, amado meu, em sentir dor...
01.10.2005
INAUGURAÇÃO
Inauguras em mim uma estação de flores, primavera antecipada, mal o inverno se despede.
E me concedes explosão de brilho e cores onde o cinzento inda se faz presente, nos galhos das árvores, nas folhas secas no chão.
Eu borboleta, bêbada de luz, voleio à tua volta, enfeitiçada pelo brilho opalino dos teus olhos.
E eu, que dantes não me via a dividir espaços, olho-te nu, sobre os lençóis de seda... e tudo o que eu quero agora é repousar sobre o teu peito,
até que os pássaros anunciem o novo dia...
e o teu ressonar tranqüilo do meu lado, é a minha mais doce canção de ninar...
31.08.2004
biografia:
Terezinha de Lisieux Batista Souza, mas assino somente lisieux, todo em minúsculas. Sou mineira de Belo Horizonte, casada, 4 filhos, teóloga e, nas horas vagas, professora de português, literatura e teologia. Poeta desde menina, escrevo de tudo um pouco: sonetos, versos livres, prosa poética, crônicas, pequenos contos e estudos teológicos. Um livro publicado, com o médico-poeta pernambucano Paulo Camelo [Coroas de Sonetos a Quatro Mãos - 2003] e participação em duas Antologias.
lisieux@mandic.com.br