CAFÉ FORTE O chiado de veludo do café se fazendo bate forteNas madeixas de seda da amada fulguranteEnquanto desperta a mudez adormecidaE evasivas vontades da paixão.O cheiro chega chiando de mansinhoA saga segue cegando caminhosDe mádidas medidas de meu faloVolúpico, volátil e voraz.E na alvorada destroçada de minha investidaInverto papéis invento vontadesArrancando suspiros e maldadesMe t ...
CAFÉ FORTE O chiado de veludo do café se fazendo bate forte
Nas madeixas de seda da amada fulgurante
Enquanto desperta a mudez adormecida
E evasivas vontades da paixão.
O cheiro chega chiando de mansinho
A saga segue cegando caminhos
De mádidas medidas de meu falo
Volúpico, volátil e voraz.
E na alvorada destroçada de minha investida
Inverto papéis invento vontades
Arrancando suspiros e maldades
Me torno deus, mentiras, Zeus e verdades
E a tomo saboreando o cheiro e o som
E a umidade faminta de seu corpo suado
Cansado, febril e excitante, dentro de um só instante
Me torno rei, dono de um castelo cercado de muros feito de flores vermelhas.
**********************
POEMÚSICA!ouçam a música, fechem os olhos e voem na imaginação.
ousem chegar no mundo das quimeras
e desejar o indesejado aos mundos esquecidos do homem..
somos gatos pingados esquecidos em telhados de vidro
resvalando na sonolência adormecida dos tempos
transformados em lagartas que nunca voarão
porque nos falta o tempo, nos falta a luz,
nos falta o sonho e a ilusão de um momento apenas
para que toquemos a felicidade, sem medos.
nos falta a alma, tomada por um deus qualquer
punitivo, impondo medos, fracassos
e cruzes com pregos e infernos com fogo
e amigos com a foice da morte pronta para a ação.
somos mais carne que energia,
matamos nossa fonte atômica,
deixamos a descoberto nosso deserto
invadido por gafanhotos que se alimentam de nosso dna
somos os perdidos do infinito em busca de um planeta que não existe
porque somos esse planeta e não nos habitamos faz tempo.
somos o que fizeram de nós
vidas, simplesmente vidas
que não tracejam as páginas, desconhecem as letras
e não se sabem poesia.
Ouçam a música! Fechem os olhos e viajem, com as quimeras.
***********************
BUSCA[PRESE]NTEQue no repente das vidas aladas, o mundo do natal
Seja o portador de novos encontros e novas caminhadas
Vislumbro o dito profano nas palavras de amor
Santificando-se na vontade dos que o sentem
Não por minha ou sua, mas por uma vontade bem maior.
E no repente, o menino se fez homem
Pele morena, os olhos? Que importam os olhos?
Ele nasceu cego porque sua alma enchergaria o futuro
Andou, por vezes, debatendo-se no escuro
E cresceu, no sonh o, na alegria e na tristeza,
Nunca parou, porque não conseguia ver
Tateando sozinho, buscou o caminho
Até que, uma mão toda branca agarrou-se na sua
Ela também procurava sair da escuridão.
Mas... ao sentir que a mão tinha pele jovem
A imaginou, apalpando paredes, rostos, braços, corpos, beiradas
E, num ímpeto a soltou, sentiu medo da força que vinha delas.
Então, o Menino, que agora não era mais tão jovem, tateou novamente,
Vislumbrou uma áurea violeta ao redor daquele ser e
Suas mãos insistiram na busca, alcançaram o que buscavam
As mãos morenas encontraram-se com as brancas e
Começaram a tocá-la, na busca de conhecer o desconhecido aos seus olhos
Sentiu uma mão fria, tremente, medrosa, mas também sentiu batidas de um
coração
O Menino nascido e crescido pela vontade do Senhor,
Sabia que um dia essas mãos não estariam mais juntas, na carne
Mas, encaixavam-se tão bem, e as suas, tão quentes poderiam aquecer as
outras, tão frias. E num repente, puxou-as para si e
E os dois começaram a andar por novas estradas
Comemorando o primeiro grande natal de suas vidas.
Os magos, que o viram nascer, sorriram,
A estrela, resolveu passar novamente para um brilho especial
E o sol, raiou como nunca naquele 25 de dezembro
Para que os dois voltassem a enchergar
E pudessem escolher, enchergando os caminhos.
O BRILHO DE MEU SILÊNCIOA voz do meu silêncio e o brilho de minha escuridão
São pontos reflexos espalhados na amplidão
De uma distância aproximada pelo cósmico
Que conspira para nosso encontro final
A música de minha calmaria e o sino suave de meu horizonte
Pairam no ar de um tempestivo céu longínquo e neutro
Que baila em ondas vibratórias de meu coração
Enquanto minh´alma sonha desfazendo a solidão
E os caminhos cruzados se aproximam, aproximando o nós
E as verdades eternas se confundem ao som de minha e de sua voz
Sussurrando medos e escondendo verdades
Que ninguém sabe, apenas nós...porque nos amamos sempre
O grito de meu silêncio já não cala e não falha
E o raio de luz surgido em minha escuridão se espalha
Envolto em nuvens rosadas, em pétalas suaves bailando
Trovas amorosas e carícias deliciosas ao meu coração te amando.
......................
UM NOVO CORAÇÃO17/03/08Cadeias envolvem minha mente
Chaveada em noites dementes
Envolvidas em luar inebriado da noite
E uivos surdos dilacerando meu espaço.
Descubro-me nua para a vida
Desprovida de uma alma sadia
E olhos que, cegos, já não enxergam o visível.
Vislumbro espaços escuros, plenos de esquinas famintas
E ruas que se alongam em direção de mim mesma
Não há norte, nem sul, resta um leste de mim
Envelhecida no descaso do acaso perdido
Em uma solidão inexistente de quem andou solitariamente
E não houve tempo para olhar no horizonte
E descobrir nele outros olhares
Outros sorrisos e lábios que buscavam pares
Contendo um vazio que na verdade não há.
Não há porque existe um você
Que completa uma parte de mim
Que precisa ser tocada e despertada
Trazida à tona para vida, que já não creio
Mas que avizinha um futuro de promessas
Talvez inexistentes, criadas numa ânsia louca
De um náufrago perdido na imensidão
Do desejo por desvendar segredos
Do simplesmente amar, sentir-se tocado
Esperançando uma nova canção
Que pode brilhar suave e vagarosamente
Nas cordas do que poderá vir a ser um novo coração.
...........................
AS MARGENS DO RIO[À Rishikesh]Pedras se lavam na intrepidez de águas geladas que fluem
Escutando o cantar suave que escorre tranqüilamente com elas.
Enquanto brincam de fazer amor, misturam fluídos mágicos e riem
Incitando nossas almas a se abraçar mansamente e voar em sonho.
Um grão aqui, outro grão ali, juntam-se em abraços infinitos
Moldando um colchão para pés cansados e corpos inflamados
Que erguem-se das águas e deitam-se infinitamente unidos
Em lânguidos olhares e beijos ocultos pelos que se sentem amados.
O verde se exibe no horizonte da mãe bondosa
Espalhando esparsas folhas que se jogam de galhos vistosos
Querendo fazer parte da paisagem-cama que se faz briosa
Embalando sonhos e sons de amantes desejosos.
O suave encanto do momento marca corações
Que se abraçam timidamente, escondendo as próprias mãos
Um desvencilhar-se não querendo, um correr que busca ficar
E um enorme desejo de amor se escondendo.
As águas verdes com sua calma espumada seguem trilhas tortuosas
Agora testemunhas de um encontro fatal, pleno de medos
Que se enfileirarão também em vales distantes
Aguardando o momento do encontro em que se tornarão amantes.
biografia:
Lucy Salete Bortolini NazaroGraduada em Letras-Inglês e Pedagogia- habilitação em Orientação Educacional; Especialização em Língua Portuguesa[FAFI], Mestrado em Educação [UNICENTRO/UNICAMP]; Créditos no Mestrado em Literatura Brasileira [UFSC]. Diversos cursos de extensão, incluindo cursos de Educação à Distância. Foi Secretária de Cultura do Município de Palmas-PR [1993-2000], onde desenvolveu e coordenou diversos projetos e eventos na área Cultural e trabalhou com grupos de Terceira Idade do Município, em colaboração com o Provopar. Foi Chefe do Departamento de Letras da FAFI, Coordenadora do Curso de Letras e do Curso de Secretariado Executivo Bilíngüe do UNICS; Membro do Conselho Universitário do UNICS; Revisora da Revista Araucárias do Programa de Mestrado do UNICS e Coordenadora do Curso de Pós-Graduação-Especialização em Ensino de Línguas. Foi membro da Comissão de Avaliação Institucional do UNICS. É Coordenadora da Revista Consciência [01032364], Coordenadora do Cerimonial Universitário, Membro da Comissão para Estudos e Credenciamento do UNICS para Educação à Distância; e Pesquisadora, na linha de pesquisa 'Memória Oral'. Desenvolve trabalhos de pesquisa pelo UNICS. Professora do Curso de Letras do UNICS. Tem diversos livros publicados, individual e em co-participação [Antologias e/ou Coletâneas]. Escreve para diversos sites na internet e tem dois e-books publicados no Portal CEN. Orienta TCC e Monografias [Especialização] desde 1998. É Coordenadora Curso de Letras do NEAD/UNICS e Avaliadora pelo MEC/INEP desde 2002. Participa em vários sites, entre os quais:
http://www.poetasadvogados.com.br/. http://www.caestamosnos.org/
Sou membro da Academia Palmense de Letras-APAL [Fundadora e 1ª Presidente]; da Academia de Letras e Artes de Pato Branco-ALAP
lucynazaro@hotmail.com