InquietudeQuando aninha cá dentroUma saudade de não sei o queUma inquietude danadaDessas de doer as entranhasMisturando os sentimentosBuscando uma estranha razão.Mas quem disse que eu procuro razão?Quero mesmo é divagarEntre sonhos e pesadelosEntre o real e o abstratoCorrer como corre o rioCom sua língua desvairada Lambendo pedras e ribanceirasE sem culpa ...
Inquietude
Quando aninha cá dentro Uma saudade de não sei o que Uma inquietude danada Dessas de doer as entranhas Misturando os sentimentos Buscando uma estranha razão.
Mas quem disse que eu procuro razão?
Quero mesmo é divagar Entre sonhos e pesadelos Entre o real e o abstrato Correr como corre o rio Com sua língua desvairada Lambendo pedras e ribanceiras E sem culpa cuspir no mar.
Mas quem disse que eu procuro o mar?
Quero mesmo é olhar as estrelas Pegar uma a uma na palma da mão Fazer delas um banquete especial Para o meu pobre andarilho Que busca mais... Muito mais Do que água e pão.
Mas quem disse que eu quero pão?
Quero mesmo é cavalgar por montanhas infindas Atrás do meu ouro em potes Que herdei de Ali Babá Libertar-me da antiga túnica E vestir meus sete véus Engasgar-me com o que restou do vinho E ser expulsa dos céus.
Mas quem disse que eu não quero os céus?
Construção
Ergo catedrais enquanto durmo Sem algemas encontro caminhos Entre grandes amanheço Debruçada no meu travesseiro de pedras. Se clamo por liberdade Arrastando pesada corrente Fica distante o horizonte Torna sofrido o presente.
Ergo catedrais enquanto vivo Prevendo melhores dias No caos de novo me encontro Mergulhada em demasia Numa esperança mórbida Numa vontade vazia.
Ergo catedrais enquanto sonho Romper as amarras contidas Em pequenos flashes concretos De uma realidade escondida Na ridícula humana certeza De que as catedrais construídas Serão finalmente o túmulo De onde não há saídas.
Cotidiano
Meus olhos tremem ao não te ver Minha boca sussurra o medo contido No simples fato amanhecido Da cama vazia e o seu calor se esvaindo.
Meus dedos vagueiam no fino lençol Procurando você, quase por instinto E um cheiro suave com sabor de café Transmite-me paz, desejo o infinito.
Meus olhos despertam, o coração acalma Você me toca, cumprindo a missão Eu fico imóvel, fingido dormir Só para sentir o calor de sua mão.
Meu dia começa atarefado Continuam as horas em atropelo Minutos se agregam formando o passado A noite chega, vou dormir ao seu lado.
biografia:
Poeta e contista, membro fundadora da Sociedade dos Poetas Menores - Franca SP e membro efetiva da Academia Francana de Letras. Autora do livro Ramalhete de Mim.