Carnavais____________________Nos carnavais de minha vidavi diversos blocos reais:vi o bloco dos famintosque com sua melodia castigadasoava essa canção sem esperança.Vi jovens loucos copulando a noite inteiradisseminando seus vírus alienados nas esquinasmarcando com total ignorância as suas sinas.Vi aqueles que contaminados chorarampor ter vivido tamanha sujeira.Vi o bloco das mulheres barrigu ...
Carnavais____________________
Nos carnavais de minha vida
vi diversos blocos reais:
vi o bloco dos famintos
que com sua melodia castigada
soava essa canção sem esperança.
Vi jovens loucos copulando a noite inteira
disseminando seus vírus alienados nas esquinas
marcando com total ignorância as suas sinas.
Vi aqueles que contaminados choraram
por ter vivido tamanha sujeira.
Vi o bloco das mulheres barrigudas
que “fantasiadas” de miséria, lavaram
as roupas imundas da pobreza em si.
Vi o bloco das crianças ossudas
cadáveres de leite nas ruas frias.
Nos carnavais de minha vida
vi minha juventude partidária,
decepções d’aqueles que o capital comprou.
Amigos vendidos a blocos de mentiras
dinheiro maldito que ao amor matou.
Vi nas ruas, chuvas de lágrimas
nas cabeças prostradas para a derrota
entoando cômicos hinos de de-sistência.
Generais-palhaços ordenando seus exércitos de covardia
e os pierrots-tristezas largando suas armas.
Mas vi a esperança novamente saltar de mim
eu poço de tamanha descrença...
Banhar os blocos dos suspirados excluídos
formando cordões de combatentes, foliões-rebeldia
despertando na luta, sua verdadeira maestria.
Gilberto bastos jr.
ILUMINADOS
A manhã desperta novas drogas ao terceiro mundo.
Os cordeiros da TV absorvem a nova programação
absurda do talk-show demoníaco.
Eles dominam a informação e me tiram a própria verdade
e eu me curvo.
Donas de casas imagináveis do nordeste
sonham com a libertação de seus sonhos
atrelados pela prisão do entardecer só.
Suspirando solidão no cômodo cárcere da dor.
Diariamente, corpos cremados de trabalhadores descartáveis
alimentam a indústria do poder econômico
e a mecanização do amor edifica
os novos bebês da desgraça.
Nos templos sagrados da farsa
o comércio da fé, cúmplice do apocalíptico caos
coordena com paciência, o exército dos desalmados.
Enquanto isso nas esquinas iluminadas pela fome,
o Davi das ruas, com sua pedra de crack
derruba o enorme Golias da sociedade.
gilberto bastos jr.
não sou
Não sou Alice no país da porcaria
muito menos a nádega multicor
que rebola na TV;
Não sou o Chuck ou o Bond boca
da indústria farmacêutica
nem o desdentado Brasil.
não sou palavras tolas enfiadas na
memória por uma propaganda norte-americana
de péssima qualidade,
nem a dublagem incompetente
deste vídeo de merda.
Não sou o menino experimental do Murilo Mendes:
o terrorista ateando fogo aos santuários vazios
da métrica.
Não sou cobaia de você: tola mulher
que com seu laboratório de paranóias
chamado cabeça, manipula seus ratos
entre suas pernas.
Não sou o brinquedo moldado
pelas mãos dos canibais da cultura,
a procura de baratas massas de manobra.
Muito menos sou o messias bundão
que se isenta de viver, pra se foder
pelos que o trai diariamente.
Não sou a beleza que te inspirou
nas madrugadas insólitas de solidão
nem o conforto que te aliviou.
Não sou o ator que jurou prazer
nem o músico competente que
soletra acordes financeiros a podre
indústria do jabá.
Não sou o poeta que recita suas merdas ao luar.
nem me sento nos viscosos assentos das
academias excludentes da palavra.
Sou um uivo uníssono e periférico
engrossando o caldo da palavra livre
pra mostrar a realidade daqueles
que pensam sob o manto imundo
da exclusão.
Gilberto Bastos Jr.
marginalegal@hotmail.com
biografia:
GILBERTO BASTOS JR. Participou do Coletivo Literário de Olinda no final dos anos 80 onde iniciou sua carreira literária. Vindo a João Pessoa, formou junto com Diogo Freitas a banda de rock: O Silo. Iniciou a produção de zines e colaborou com o movimento hip-hop. Atualmente edita o zine UIVO, colabora no informativo SINTÔNIA CIDADÂ, no jornal TRIBUNA DO VALE sob o pseudônimo de Maciel Caju. Atua ativamente na articulação do Fórum Metropolitano de Comunicação Comunitária e dirige o Coletivo da Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares FM.
É escritor autodidata e teve suas obras [poesias] publicadas nas coletâneas: Olhos d’alma e Pérgula Literária 6. participa da articulação nacional Literatura no Brasil junto com nomes como: Ferréz, Mano Brown, Sacolinha, Fernando Bonasse entre outros e é membro do Conselho de Cultura de Itabaiana.
Participou em diversos concursos literários se destacando em Barra Bonita [SP] onde venceu a categoria consagrados com o poema: Carnavais. Em valença [RJ] onde ganhou Menção Honrosa com o poema:
Do cais do Apolo a rua da Aurora no 6 concurso poeta Nuno Álvaro Pereira. Em Colatina [ES] onde ganhou também Menção Honrosa no concurso Aldifax de Poesia com o poema: Poemador. Se destacando entre outros.
Ministrou oficinas de poesia livre nas comunidades da zona sul de João Pessoa em 2004.
Ministrou oficina de poesia no Centro Cultural Hip Hop de Abril a Agosto de 2004.
Participou de mesa redonda sobre literatura marginal na 50° Feira do Livro de Porto Alegre, juntamente com Ferréz, Alessandro Buzo [SP] e Fred Maia [PI] em novembro de 2004.
Participa da articulação nacional do MHHOB – Movimento Hip Hop Organizado Brasileiro.
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