ManifestoUma poesia cálidaque adormeça a fomeentorpeça o frio,mas não calequem incendeiaa cidade ávida.Uma poesia pálidaque desvende o brilhodos simples e dos tímidose denuncie o palavrório fácildos autoproclamados arautos.Uma poesia áridaque escancare as faltase desencadeie a descobertadas novas trilhaspras águas claras. ...
Manifesto
Uma poesia cálida que adormeça a fome entorpeça o frio, mas não cale quem incendeia a cidade ávida.
Uma poesia pálida que desvende o brilho dos simples e dos tímidos e denuncie o palavrório fácil dos autoproclamados arautos.
Uma poesia árida que escancare as faltas e desencadeie a descoberta das novas trilhas pras águas claras.
Uma poesia esquálida que se misture com os pobres e suprimidos e se empanturre com o sal da terra dizendo sim ao sul dos sentidos.
Uma poesia rubra que acenda a chama das brasas escondidas e estenda a manta sobre a noite já parecida com as primeiras horas do dia.
Uma poesia nua em que cada qual reconheça um sinal uma sílaba, um pedaço dos seus êxtases e de seus percalços.
Porque
Tantos muros o futuro, clandestino, é um pulo rumo a um polo escuro.
Geografia dos encontros achar os pontos ligar as guias descobrir sinais achacar as esperanças
chegar.
Tempo Rei [bis] [inédita]
Até que veja a aterradora núvem cogumelo, ou outra forma de flagelo em que se transforme a perversa arma alma atma de gigante hecatombe.
Até que outra onda, das mortais, venha afogar as nossas iras banais ou provocar espasmos nos halos de ozônio.
Ou até que, simplesmente, a cortina se cerre e nosso espetáculo termine sem palmas, sem bravos, sem vivas.
Até então, esse pôr do sol sobre as núvens [de um laranja que mancha teus olhos de um ó suspirado num tapete encantado negro e azul furado de estrelas que caem de teus cílios cos e lírios] dirá que cada minuto vale seu preço [de tempo] esculpido nas rugas crescentes tatuado no branco dos pelos.
biografia:
Bruno Linhares nasceu em 1958 na cidade do Rio de Janeiro e escreve poesias desde a adolescência, quando pôde participar da efervescente cena poética do Rio de Janeiro, onde a dita Poesia Marginal atingia corações e mentes da juventude. Em paralelo com sua atuação em Literatura e Poesia, participou da resistência ao regime militar e atuou como animador cultural nesta cidade. tendo fundado e presidido a Casa Cultura Solano Trindade, em pleno Complexo do Alemão [bairro proletário, conhecido internacionalmente pela violência] e outras inciativas.
Publicou o livro \'Fronteiras, Encontros e Partidas\' e é o fundador e editor do magazine literário virtual www.poesianarede.com.br, onde lançou a campanha \'Poesia pela Paz\', a qual convida o movimento \'Poetas del Mundo\' a integrar-se.
Trabalha como executivo na área de Marketing Digital.