Insônia Na madrugada tateio papéis e canetaVasculho um rastro livre na memóriaSomente um silêncio profundo.Um trânsito a lentos passos.Nessa linha da imagem que construoPasso a martelar as letrasBusco construir palavras, frases, parágrafos...Uma forma de romper o silêncio da insônia.Do peso de cada marteladaResulta em infinitos papéis amassados...Na gaveta, os guardados da memória, desis ...
Insônia Na madrugada tateio papéis e caneta
Vasculho um rastro livre na memória
Somente um silêncio profundo.
Um trânsito a lentos passos.
Nessa linha da imagem que construo
Passo a martelar as letras
Busco construir palavras, frases, parágrafos...
Uma forma de romper o silêncio da insônia.
Do peso de cada martelada
Resulta em infinitos papéis amassados
...
Na gaveta, os guardados da memória, desistem de ficar no acaso
Começo de amores, de dores, pudores, rancores...
Mas apenas rumores do presente, suficientes,
Trazem um gosto doce e amargo:
saudade de sentir tua boca.
É longa a caminhada de um querer que não quer ser
Ser penas uma saudade.
É o presente dilatando o passado, o futuro são apenas papéis amassados.
Retraindo
Renegando um querer de bloquear as imagens do agora,
Restos do passado.
É a vontade de sentir tua boca.
Mas o travo do desejo insistente que sempre rompe,
Tropeçando em minhas memórias, essa insônia, cansa.
Amanheceu e junto a saudade de sentir tua boca
...
CÁLICE DE HOMEMLá, eles estão.
Soberbos, imponentes, sedutores...
Reflexivos, cristais de fragilidade e beleza.
Brilhantes.
Contemplação
Dois olhares inquietos os consomem
Desejos das partes
Amor mútuo
Veneração
O homem agarra o cálice
O cálice agarra o homem
Harmonia ou consumação ?
Longas aventuras...
O homem e o cálice.
Horas o homem é merlot. O cálice, gamay, chardonnay.
Horas o cálice é merlot, o homem, gamay, chardonnay.
Cumplicidade
O homem, doce. O cálice, seco.
O açúcar cria uma máscara
Falsidade
O homem pode ser seco
Mais um brinde
Já é vício
O homem é o cálice
O cálice já é o homem.
Duas almas embriagadas, enaltecidas, etílicamente desnudadas, a sangue.
O cálice ergue o homem. O vinho ergue a vida.
Poema sem nomeComo o sol ignora a lua,
você me trata;
Como as horas consomem o tempo,
você me mata;
Como a morte teme meus pecados
dessa vida sempre de partida
espanto as lembranças
espanto as expectativas
idolatro o espaço, a presença, a sensação do agora,
desconfio do futuro,
o tempo é insaciável,
encarno o desejo desobediente do móvel momento
momentos que na imaginação dói mais.
Por isso
respiro-te
mastigo-te
venero-te
Como quem causa prazer,
Como quem causa dor,
Como quem sente medo,
pela última vez.
Assim, desapego-me da minha saudade, do meu futuro para fica num eterno presente,
Perto de você.
biografia:
Neucivaldo dos Santos Moreira, nascido em Santarém, Pará, no dia 05 de evereiro de 1968, filho de Maximino Soares Moreira e Maria Neusa dos Santos Moreira. Estudou na Escola Frei Othmar, Colégio Rodrigues dos Santos, e no ILES/ULBRA, formou-se em LETRAS. Concluiu pós graduação pela ULBRA em 'Administração e Planejamento para Docentes' e pela Universidade Estadual da Paraíba, pós-graduou-se em 'Marketing '. Foi Professor da Rede Estadual de Ensino do Pará-Brasil, do Colégio Objetivo - Santarém, do Centro de Formação do IESPES[Instituto Esperança de Ensino Superior],. Atuou de 1997 a 2005 como professor do Instituto Luterano de Ensino Superior de Santarém na área de Literatura e Teoria da Literatura, foi nomeado recentemente pelo Governo do Pará [através de concurso] para desenvolver suas atividades como professor. Além da atividade de Professor, é gerente comercial da TV Santarém - Canal 12 - Rede Bandeirantes de Televisão - desde 1987. É publicitário e produtor de programas de televisão.
Tem 04 livros de poemas publicados. O último 'Seleta e Outros poemas '. Os poemas aqui ublicados fazem parte do próximo livro a ser lançado em 2006.
http://www.neucivaldo.com