NOVOS TEMPOSCasinhola formada por um engradado de arame.Pequena prisão para um pássaro gigante.Coração feminino.Fragmentos de épocas longínquas,encarcerados.Cenas traumatizantes,conservadas cuidadosamente.Passado barrando o presente, prejudicando o futuro.Quarto escuro da sua alma.Impossibilidade de desfazer-se das tralhas do porão,impossível ...
NOVOS TEMPOS
Casinhola formada por um engradado de arame.
Pequena prisão para um pássaro gigante.
Coração feminino.
Fragmentos de épocas longínquas,
encarcerados.
Cenas traumatizantes,
conservadas cuidadosamente.
Passado barrando o presente,
prejudicando o futuro.
Quarto escuro da sua alma.
Impossibilidade de desfazer-se das tralhas do porão,
impossível separar-se dos episódios sombrios.
O prisioneiro cantava uma opera triste,
ecoando em todos os setores da sua existência:
fantasma, assombrando as tentativas de ser feliz.
Um certo dia,
este som rachou os vidros das janelas,
abalou os aliceces da residência interior,
derreteu as grades da alma.
A opressão desmaterializou-se no ar.
O cofre dos sentimentos liberou a tristeza.
A brisa da paz soprou levemente,
a porta se abriu:
prenúncio de novos tempos.
AMAR EM SEGREDO
Noite.
Abstém-se de manifestar seus pensamentos.
Madrugada.
Sentimento íntimo lhe ruboriza a face.
Ouve-se um clamor mudo da alma.
Um movimento interior quebra o silêncio noturno.
A lua cheia estaciona diante dos seus olhos.
A claridade denuncia os anseios do seu coração.
Os reflexos do luar transformam-se em sombras na parede:
são os contornos de um alguém que reina em seus sonhos.
O vento murmura seu nome.
Ama e não ousa revelar a ninguém!
O galo canta.
Desponta as primeiras horas do dia...
Fecha a janela e a cortina do seu querer.
Segredo.
ÁGUAS DA EXISTÊNCIA
Substância líquida e incolor.
Mares, lagos e rios,
inundam sua consciêcia.
Perdeu o conhecimento de si mesmo.
Insípida e inodora.
A vida é simultaneamente
transparente, sem gosto e sem cheiro.
Essencial para a existência é a água.
Escorre das árvores... choro:
foram feridas e queimadas!
Lágrimas e suor,
lavam a alma do cansaço de existir.
Solvente inigualável para as emoções.
Os sentimentos são dissolvidos pelo descrédito.
Estado de torpor.
Maré alta, ondas selvagens,
afogam os pensamentos insensatos.
Enchente alaga a lucidez.
Na lagoa flutuam os pedaços do seu \'eu\'.
Inconsciência.
Trágica é a realidade naufragada no seu coração.
biografia:
Rosimeire Leal da Motta
Nasci e resido no município de Vila Velha, no Estado do Espírito Santo, em 16 de abril de 1969. Sou, por formação, professora e Técnica em Contabilidade. Sou criativa e sempre tenho muitas idéias. Gosto de pesquisar, descobrir e analisar. Além da literatura aprecio a História e a Arqueologia. Deus está em primeiro lugar na minha vida. Sinto uma paixão especial peloidioma espanhol, museus de arqueologia e exposição de quadros. O traço marcante da minha personalidade é a timidez e o romantismo. Comecei a escrever aos 15 anos, seguindo o exemplo da minha mãe, que usava a escrita como uma maneira de expressar seus problemas pessoais. A outra influência foi a leitura, pois por ser tímida, passei a maior parte da minha adolescência lendo. Desenvolvo o estilo Simbolismo, onde a vida interior é revelada por meio de símbolos. Existe a postura romântica, centralizada no \'eu\', explorando as camadas mais profundas do subconsciente e inconsciente... interioridade... poesias endereçadas à emoção... romantismo... idéias envoltas em sombra, em névoa... Na verdade, não sei explicar como adquiri este estilo, possivelmente deve ter sido porque sempre fui tímida e tinha vergonha de falar sobre mim de maneira clara e então inconscientemente, usava objetos materiais e abstratos para representar o que sinto.
Página pessoal:
http://www.rosimeire.xpg.com.br/
* LIVRO PUBLCADO:
- \'Voz da Alma\' - Editora CBJE - RJ - Novembro/ 2005 - Poesia e Prosa.
rosimeire_lm@oi.com.br