TEU MUNDO NÃO É O MEUTeu mundo não é o meu;Tem muito espinhos nas estradas,Tem corvos em passaradasRumo ao lixo que comeu...Buscam em bando a carniçaDo resto morto que atiçaPara em lutas devorar.Teu mundo não me pertence;Disputas pra ver quem venceNa fúria que se sustentePra correr e abocanhar...É um mundo vagabundo,Sorrisos roem falsos fundosPondo a corja a gargalhar.Tem dementes que alv ...
TEU MUNDO NÃO É O MEU
Teu mundo não é o meu;
Tem muito espinhos nas estradas,
Tem corvos em passaradas
Rumo ao lixo que comeu...
Buscam em bando a carniça
Do resto morto que atiça
Para em lutas devorar.
Teu mundo não me pertence;
Disputas pra ver quem vence
Na fúria que se sustente
Pra correr e abocanhar...
É um mundo vagabundo,
Sorrisos roem falsos fundos
Pondo a corja a gargalhar.
Tem dementes que alvitram os males
Em seus revezes miseráveis
Cobrindo-se de podridão.
É um universo descabido
Sustentando corpos que havido
Já não querem a ascensão.
Pobre mundo caricao!
Faustos lúgubres em aparato
Surge perdendo a razão...
Eu não pertenço a ele não!
Teu mundo falta a cor,
O cinza sobra onde for
Espalhados pelos vãos...
Brincando zombam do amor,
Chorando falseiam a dor
Pra ganhar um afago irmão...
Esse não é meu mundo, não!
EU RAIZ...
Eu raiz...
Fincada no solo da vida,
Sou uma prenhe que brotou prole parida
E amamentou com leite de pedra vencida
Frutos que de tão maduros dos galhos cairam
Esparramando a sobra na sombra matriz.
Eu raiz...
Semente nascida do ventre da cura
Rangendo os dentes ardida e segura,
Perpétua tangida dos lábios de Deus,
Furtiva aliança de um solo ateu
Partindo o sentido fértil que diz;
Eu raiz...
Puxada pra fora do estrume dos medos
Rompida em adubos dos falsos enredos
Que sorve a saliva da língua da terra,
Putrefa e digere na força que encerra
Com ávida sede bebida em barrís.
Eu raíz...
Sufoco-me e canto pr embrenha da luta,
Estico meus troncos na curta permuta
E confundo-me fundo com o fogo alazão;
Laçando em juncos a sorte da mão
Que ferve poeira na beira do chão
E funga animosa, destrosa, o nariz.
Assim me diluo em teto de crosta
Sorrindo e chorando com minha voz posta,
Até que descubro-me a viver por um triz.
PARA DETER O MAL QUE AVANÇA
Trago dentro de mim a essência pura da poesia;
Aquela que invade a alma
Sobrepondo-se a qualquer trauma
Vencendo a dor pela alegria.
Esparramam-se como se calda fosse
Cobrindo o lodo que trepida doce
Purificando os lábios com frase fosca e fria;
E assim vai cicatrizando o dorso de um tempo
Mesquinho e mau...
Fincando cruzes de arame farpado
No âmago da pergunta fatal.
Sobrecarregando a dúvida
com o peso incólume da agonia,
Vai empurrando o carrasco da estupidez
Que lhe alinhava a fantasia.
Enquanto isso, a mera coincidência ancoraNo porto vazio da consciência,
Onde atraca
A certeza da falsa intuição...
Os seus conceitos esfarrapados esparrama-se pelo chão
E a falsidade sai pisando no duro solo da incompreensão,
Até ser detida pela cega monotonia
Que lhe apunhala pelas costas;
Nem seu grito abafado encontra as respostas,
Mas, suas mãos mantém o dedo posto em direção
Até calar-se de vez mudando a rota
Para morrer de tédio na solidão que lhe esgota.
biografia:
Rose Arouck poetisa, jornalista, dramaturga, contista. Nascida em Belém do Pará.
Atuou por 14 anos na área da imprensa, em diversas funções na Bahia.
Participou em diversos movimentos políticos contra a ditadura.
Hoje mora na cidade mágica de Rio das Ostras, usufruindo da natureza como naturalista e sorvendo a beleza das praias fantásticas traduzidas em grande parte de seus poemas.
Read More