Saudade, uma Ternura Imensa. O tempo é um espaçoso e imenso palco,onde o show e a trajetória da vida acontece,e através de um imenso e preciso placar,registra cada detalhe e de nada esquece,permitindo, até, que o ser humano possa,com base no passado o futuro projetar Os registros de todos os fatos e acontecimentossão salvos e guardados na memória de um ...
Saudade, uma Ternura Imensa.
O tempo é um espaçoso e imenso palco,
onde o show e a trajetória da vida acontece,
e através de um imenso e preciso placar,
registra cada detalhe e de nada esquece,
permitindo, até, que o ser humano possa,
com base no passado o futuro projetar
Os registros de todos os fatos e acontecimentos
são salvos e guardados na memória de um arquivo,
onde vamos buscar lembranças e recordações,
sempre que necessário e por algum motivo,
desejamos que elas aflorem vivas e intensas,
quando alento e ternura exigem nossos corações.
Esse trio: o tempo, os registros e as lembranças,
dimensionam com precisão e com rigor a nossa idade,
e ao reunir cada detalhe de nossa história de vida,
define o conceito e o conteúdo da saudade,
o tempo informa o quando; os registros detalham o como;
e as lembranças destacam o que merece e queremos dar guarida.
“Dê tempo ao tempo”, é sempre uma decisão sábia,
“tenha calma, isso passa”, reflete uma conformação,
“vai dá certo, você vai ver”, é confiança e otimismo,
“ meu Deus, quanta saudade”, é puro amor e afeição.
“ eu era feliz e não sabia” é um sentimento de tristeza
não ter,porém, o que recordar, é o vazio total do egoísmo.
Embora alterne momentos de alegria e de tristeza ,
a saudade retrata com fidelidade a nossa história,
as lembranças de entes queridos nos machucam,
mas o ter com eles vivido é uma glória,
Deus os colocou, sabiamente., em nosso caminho,
e, muitas vezes, dá-nos a impressão que nos escutam.
Se o semblante de minha mãe, em minha mente surge,
um rosto suave, um olhar triste e um ar bem dolorido,
diante de uma fogão a lenha, suando com dignidade
lavando, e passando roupas, de um modo bem sofrido,
rezando e pedindo a Deus proteção pra todos nós,
não há como dela não sentir saudade.
Se revejo meu pai com os olhos fixos no horizonte,
suplicando a Deus chuvas para irrigar o seu roçado,
ou escalando postes para do telégrafo restabelecer a ponte,
ou nas procissões pedindo aos céus uma oportunidade,
com as mãos feridas de um trabalho áspero e pesado,
não há como dele não sentir saudade.
Se relembro o meu irmão mais velho à luz de uma lamparina,
estudando, para um concurso, durante toda a madrugada ,
para tentar ajudar a família pobre e mudar sua triste sina,
lutar durante 30 anos e morrer sem conseguir prosperidade ,
sem jamais perder a coragem , a esperança e o otimismo,
não há como dele não sentir saudade.
Se a luta para a sobrevivência foi dura e por demais árdua,
mas se a convivência no sertão me deu força e dignidade,
se o viver, lado a lado, com pessoas sofridas me deu coragem,
para enfrentar a vida sem medo , e com lealdade
se todo o caminho percorrido foi importante e valeu a pena,
não há como dele não sentir saudade.
Se tive, nos momentos mais difíceis, amigos sinceros e leais,
que me estenderam a mão nos piores trechos da caminhada,
que foram importantes na conquista dos meus ideais,
e se ainda sinto falta de suas companhias e amizade,
e se gostaria de retomar , passo a passo, cada instante vivido,
não há como deles não sentir saudade.
Se o estudo em Paris, sem recursos, me trouxe pesadelo e dor,
se a formação de uma pequena república, eliminou o medo,
se a contribuição de cada um numa caixinha trouxe destemor,
se unidos nos preparamos para o futuro com esperança e vontade,
se a recordação desses momentos sadios aperta-me o peito,
não há como deles não sentir saudade.
Se nos momentos de amargura e de profundas agruras,
Liso, atordoado, meio perdido, sem rumo e solitário,
e nos bares de Pigalle com uma striper dividia ternuras,
e ela me transmitia paz, segurança, sem demonstrar piedade,
embora sem saber o seu destino , nem de sua vida o desfecho.
não há como dela não sentir saudade.
Se com minha esposa vivi momentos de paixão imensa,
de um amor profundo, para mim, o maior do mundo,
se hoje, caminhamos, lado a lado, com chama ainda intensa,
se foram todos os momentos vividos cercados de lealdade,
se os gestos nessa trilha só aumentam nossa felicidade,
não há como deles não sentir saudade.
Se consegui, na vida, todos os baques superar,
se ainda me sinto forte para continuar na lida,
se estou cercado de amigos dispostos a me apoiar,
se vivo sentimentos de confiança, amor, fé e caridade,
se felizes momentos vividos me envolvem por inteiro,
não há como deles não sentir saudade.
Fortaleza, 16 de maio de 2005
EU SOU DEUS!
De repente, me pintou uma vontade,
de fazer ao nosocômio uma visita,
um cidadão alto falou: tenha bondade,
achei aquela gentileza muito esquisita.
Ele disse não tenha receio, sou o PT,
Não fique assustado, não faça confusão,
Eu sou o Pai de Todos, Deus, e você?
Sou apenas um curioso, vivo na solidão.
Se você é Deus, veio de louco dessa vez?
Eu pensei bem qual deveria ser a profissão,
Como um carpinteiro, não o pai, talvez.
Não iriam acreditar em mim, com razão.
Quando eu começasse a pregar o amor,
A fraternidade, a solidariedade, a paz.
iam me chamar “o louco”, o pregador,
Onde já se viu, sem cultura, tão loquaz.!
Se concordasse com Godard, o cineasta,
Viria como motorista de táxi, popular,
Do povo saberia seu ganho, quanto gasta,
Mas todos os excluídos, eu iria isolar.
Como político não seria um bom exemplo,
Lembro-me dos fariseus hipócritas, arrogantes,
Tive que expulsar aqueles vendilhões do templo,
Aqueles negócios, na casa de Deus, revoltantes.
A figura do professor, do mestre, me agrada,
Mas ele encarna o profissional injustiçado,
Ensinei muito, abri caminhos, vivia na estrada,
Em cada encontro, porém, me sentia ameaçado.
Percebi o grande divisor de águas que criei,
Entre os que ouviam e entendiam a verdade,
E aqueles que desprezavam tudo, só eu sei,
Antevia um futuro amargo, sentia piedade.
O sermão da montanha, aquele foi meu grito,
Foi como minha aula final, de encerramento,
Procurei deixar um legado, um gabarito,
Expus com clareza todo o meu ensinamento.
Quando escolheram Barrabás, eu tudo entendi,
Depois de curar cegos, leprosos, mortos ressuscitar,
Preferiram um ladrão em vez de mim, quanto sofri,
Do ser humano, imperfeito, tudo se pode esperar.
Muitos, porém, entenderam, muito bem, minha missão,
Por isso ressuscitei Lázaro, um homem bom, amigo leal,
Já Zaqueu, subiu numa árvore, pois era quase anão,
Queria me ver, me ouvir, sua procura era, de fato, real.
Ele era um corretor de impostos, um fiscal, ficou dividido,
Entre escolher a riqueza, o conforto, os bens materiais,
E o desprendimento, o amor ao próximo, meu pedido,
Não teve coragem, optou por sua rota, seguiu seus ideais.
Já Madalena vivia o amor até as últimas conseqüências,
Ela se expunha, sua alma era pura, sua doação era total,
Não tinha apego a riquezas, detestava falsidades e ausências,
Era um ser de uma beleza interior, de uma fortaleza sem igual.
Quando a salvei daquela terrível cena de apedrejamento,
Colocando aqueles cruéis agressores num dilema,
“Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”, lamento
Ninguém se atreveu, tão real e profundo era o tema.
Tomé, todavia, era pura dureza, vivia na total racionalidade,
Só acreditava no que via, ele sempre pagava para ver,
Eu o fiz tocar minhas chagas, para conseguir credibilidade,
Era muito exigente para consigo mesmo, mas era um belo ser.
Apesar, portanto, de ter todo o bem e a verdade semeado,
De ter formado uma multidão de seguidores, um professor,
Achei que o profissional seria aquele que de modo integrado,
Conseguisse formar uma unidade entre a alegria e a dor,
Que obtivesse o equilíbrio entre o imaginário e o real,
Entre o lógico e o ilógico, entre o princípio e o fim,
Entre o sonho e a realidade, entre o bem e o mal,
Entre o ódio e o perdão, enfim, um louco, igual a mim.
Para o louco o que pensa é real, uma verdade evidente,
Acredita nos outros, se alguém disser pula, ele pula,
Pois sente que nenhum mal irá lhe acontecer, naturalmente,
Ele se situa sempre entre a lucidez e a demência, não capitula.
Para ele só importa o presente, ele vive, respira, sorrir,
Não liga para o que dele dizem, está com a verdade,
Não se abala com o abandono, com o que há de vir,
Ele está centrado na fé que tem na humanidade.
Todos os sábios e os gênios são considerados loucos,
Nas escolas encontramos muitas crianças deslocadas,
Ainda bem que não enviei demais, muito poucos,
Do contrário, além de excluídas, seriam isoladas.
De fato olhar o céu, o mar, a lua, a natureza,
E acreditar que existe um ser superior,
Que nos acompanha nos protege, com clareza,
Que existe uma outra vida, é loucura sim senhor.
Enxergar as pegadas de Cristo em nossa estrada,
Acreditar que ele afasta as pedras do nosso caminho,
Que ele zela pela nossa paz e acompanha cada empreitada,
No meio de um universo imenso, cheio de amor e carinho.
Muitos consideram esse gesto uma verdadeira demência,
Que não se coaduna, com a fortaleza que parecemos ser,
Que nada tem a ver com a genialidade de sua essência,
Mas quando estão ameaçados pedem a Deus para proteger.
Sempre ao levantar, antes de mais nada, rezo a oração do poder,
“Dai-me a segurança do teu amor e a certeza de que estais comigo”,
“tira de mim o medo que me invade”, a paz absorve o meu ser,
“proteja a minha família, ainda que seja por milagre”, me ligo.
“Fica comigo, para que eu não te abandone, jamais te esqueça”,
Saio tão tranqüilo para o trabalho, feliz que tudo correrá bem,
“ajuda-me a seguir-te sem olhar para trás”, entro de cabeça,
“Que se cumpra em mim a tua vontade e não a minha’,amém.
Eu sou um homem de fé e me orgulho muito disso,
Fico muito feliz se for considerado um louco,
Aqui está meu testemunho firme, nada quebradiço,
espero que me entendam de poeta tenho um pouco.
Fortaleza, 20 de junho de 2005.
CONTA E O TEMPO.
“Não tive tempo” é a desculpa mais freqüente,
sobretudo quando se tem que prestar conta,
muitos preferem não ter conta , cansa a mente,
mas sem tempo, ao passado não se remonta.
Diz um provérbio chinês que se alguém pretende,
que uma tarefa seja realizada, no tempo, na medida,
procure o homem mais ocupado que ele entende,
de melhor dar conta, já que organizar é sua vida.
Quanto tempo perdemos no mundo do faz de conta,
não levamos em conta pessoas , no tempo, importantes,
cometemos erros que sua conseqüência nos desmonta,
o amor não faz contas, ele as paga pra ver, eletrizantes.
Quantos amigos perdemos a conta, ficaram no caminho,
não lhes dedicamos um pouco de tempo para lembranças,
o companheirismo ficou por conta, isolado, em desalinho,
não valorizamos o tempo tão presente em nossas andanças.
Se tivéssemos levado em conta todos os belos momentos,
vividos, lado a lado, intensamente, no tempo desejado,
quantas recordações, a gente conta, são monumentos,
que dedicamos gratidão ao tempo que não nos foi tirado.
Sentimos falta do tempo perdido nos estudos, na escola,
jamais recuperaremos essa conta, e um vazio imenso,
nos penetra e se prolonga por muito tempo, sem bitola,
invade-nos um desejo de reaver tal conta, tão intenso.
“Por aparente falta de tempo” dos filhos não cuidamos,
eles fazem a conta de nossa ausência , que desencanto,
sua evolução, suas idéias, nem o tempo relembramos,
sua história não conta, ficam sem amor, sem acalanto.
Nossos pais que muito nos amaram, a conta perdemos,
de todo o amor, da dedicação, do tempo todo presentes,
como prestaremos conta a Deus se nada lhes demos,
gostaríamos de retroceder no tempo de tão ausentes.
E ao nosso amor lhe dedicamos do tempo a maior parte?
que história ele conta ,será de uma felicidade intensa?
ou ele se perdeu no tempo, foi um infeliz descarte,
que sentimos, nos damos conta, dessa triste ofensa!
E os amigo sinceros que o tempo nos aportou,
que nos debitaram uma conta imensa de carinho,
quanto tempo nos resta, será que tudo nos importou,
essa conta Deus não perdoa, fica em desalinho.
O relógio do tempo vai parar quando tudo terminar,
será que nos demos conta, a tempo, de nossa missão,
e podemos fechar os olhos sem uma conta pra pagar,
caminharemos decididos tendo o tempo por anfitrião.
Fortaleza. 24 de junho de 2005.
biografia:
Bernardino Matos
Nasci na cidade de Iguatu Estado do Ceará, me formei em Filosofia pela Faculdade de Filosofia em Fortaleza-Ce. Em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma-Itália. Em Economia, na Sorbonne - Universidade de Paris França. Em Sociologia pelo Instituto Católico de Paris - França. Em Direito Internacional pela Universidade de Toulouse-França. Fui professor durante 13 anos na Universidade do Vale do Sinos; Na faculdade São Judas Tadeu e na Faculdade Porto-alegrense no Rio Grande do Sul. Leciono há 20 anos na Universidade de Fortaleza - Unifor.
Atualmente sou Diretor Administrativo Financeiro do Hospital Pronto Socorro de acidentados e sou Consultor de empresas.Casado com Raquel Caminha Matos há 28 anos, esposa dedicada e amada, temos duas filhas: Érika Caminha Matos, que está concluindo o curso de Administração de Empresas e Cássia Caminha Matos, que está cursando Fisioterapia na Universidade de Fortaleza - Unifor.
Adoro ler de tudo, por essa razão, tenho muita facilidade de escrever e sempre gostei de fazer versos brincando com a turma da faculdade, mas como minha vida foi sempre muito corrida, nunca tive tempo de me dedicar a poesia. Quando li as poesias dos amigos da minha esposa na internet, resolvi voltar a screver, a torcida em casa era muito grande, da mulher, das filhas, todas me incentivando não deu para recuar, estou indo em frente com prazer.
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