Mulheres de pretoRespirando a loucura, bebendo a morte, num só enorme dia, feito de séculos, milênios. Eternamente o combate no coração. Suportando o insuportável ao relento, contra o muro, o lamento mudo, rogo sem esperança, sem urgências, sem sentido, inexplicavelmente. Durando no tempo, as mulheres de preto.MomentoO espelho que me interroga, evoca antigo retratono quarto deserto, inunda ...
Mulheres de preto
Respirando a loucura,
bebendo a morte,
num só enorme dia,
feito de séculos,
milênios.
Eternamente o combate no coração.
Suportando o insuportável ao relento,
contra o muro,
o lamento mudo,
rogo sem esperança,
sem urgências,
sem sentido,
inexplicavelmente.
Durando no tempo,
as mulheres de preto.
Momento
O espelho que me interroga, evoca antigo retrato
no quarto deserto, inundado por oceano de aço,
onde correntes de versos vazados a faca se esvaem
em cartas não escritas, laços frágeis,
pássaros feitos pedra em pleno vôo.
Nostalgia de percorrer estrads
sem rumo certo ou prazo de chegar.
Partilha
Sob o sol
a paisagem ressecada
do sertão [do velho a soledade].
Famintos
trôpegos errantes
órfãos [da fartura]
irmanados na fome e no cansaço.
No mormaço,
a velhice penitente,
do pacato pastor à apascentar
[pedras e bodes].
Sobre a terra [esturricada]
partilha o pouco que tem
com o irmão de [amarga] sina.
biografia:
Gerusa Leal, recifense, um filho. Psicóloga, servidora pública aposentada. Participante da Oficina de Criação Literária de Raimundo Carrero, dois contos publicados em coletâneas anuais da Oficina, Pedaço de mau caminho e Por um triz [menção honrosa Concurso Literário Luís Jardim - 2004 - Recife / PE]. Outro conto, Anacy [5º lugar no I Concurso de Contos de Cordeiro / RJ - 2005], em coletânea a ser lançada em abril. Os brincos prateados, classificado entre os dez melhores no concurso do Instituto Maximiano Campos / 2006 - Recife/PE. Um poema, Momento,premiado em terceiro lugar no concurso Fliporto 2006, um romance na cabeça, três capítulos esboçados, e o desejo de continuar a escrever.
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