Tuas Palavras [por Domingos Oliveira Medeiros] Tuas palavras, quando me escreves São coloridas Belas palavras, da cor do céu Azuladas e atrevidas Infinitas, me dizem tanto Falam de amor, e no entanto São tão sofridas Já te li em cores diversas Do verde esperança ao amarelo Já te li em vermelho carmim Em todas elas sempre espero Já te conheço em multicores Teu arco-íris de mil amores Já ...
Tuas Palavras
[por Domingos Oliveira Medeiros]
Tuas palavras, quando me escreves
São coloridas
Belas palavras, da cor do céu
Azuladas e atrevidas
Infinitas, me dizem tanto
Falam de amor, e no entanto
São tão sofridas
Já te li em cores diversas
Do verde esperança ao amarelo
Já te li em vermelho carmim
Em todas elas sempre espero
Já te conheço em multicores
Teu arco-íris de mil amores
Já descobri porque te quero
É que me falta só uma cor
A cor que ainda não pude ler
A cor que tanto sonho com ela
A cor que um dia desejo ter Perto de mim a iluminar
A dos teus olhos a me afagar
A cor que um dia espero ver
Esse é o preço que a gente paga
Na realidade de hoje, a virtual
Onde os recursos assim permitem
Falar em cores é bem normal
Mas no entanto ainda persiste
O mais cobiçado que não existe
Ele se esconde no irreal
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ELA
[por Domingos Oliveira Medeiros]
Relembro o tempo em que tudo começava
A minha espera por algo, por alguém...por ninguém.
Por esperar, somente.
De repente, a sua chegada!
Surpreendente! Duas vidas! Estranhas e apaixonadas!
Fiquei conhecendo a quem não me parecia tão desconhecida.
Apertamos nossas mãos? Parece que sim. Não me lembro.
Falamo-nos. Falou-se de quase tudo, é bem verdade.
Procurei deixá-la à vontade. Enquanto a observava, atento.
Seus gestos. Seu sorriso. Sua ternura. Seus mistérios.
Ansiava por novidades. E observava mais. Cada vez mais.
Enquanto ensaiava u medo de perdê-la. Sem ainda entendê-la.
Queria conquistá-la. Que isso já fosse fato consumado.
Um pouquinho que fosse. Por alguns segundos.
Mas contentava-me com o que ela quisesse.
Ou com o que me dissesse para fazer. Que eu faria..
E, claro, sem nada exigir. Contando apenas com a espontaneidade.
Enfim, queria muito para tão pouco tempo. Assim pensava.
Mas queria. Disso eu já tinha certeza.
Não sabia porque, em meio à tanta gente, na rua,
Ou outro qualquer lugar, só a v ia. Só a escutava.
Depois, veio a primeira separação. Considerei assim.
Fiquei só. Refletindo. Ofuscado pelas cores da ilusão.
E também dos sonhos. Cuidando para não perder a razão.
Surgiram, assim, sem cores, a primeira prosa, algumas rimas.
Muitas emoções. Muitas dificuldades também.
Mas resolvi insistir. Persistir.
Àquela altura nada mais dependeria de mim.
Tinha certeza disso. Pelo menos, exclusivamente.
Mas muito mais dela. Ou não necessariamente.
Quase que soente dela. Digamos assim.
E até hoje, nada consigo fazer sem a sua ajuda.
Amar, viver, e até escrever.
As coisas do coração,
Tornaram-se rotinas insuportáveis, sem o seu auxílio.
Sem o auxílio dela.
A inspiração...
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ERA UMA VEZ ...
[Por Domingos Oliveira Medeiros]
Era uma vez uma floresta. Exuberante
De árvores densas. De mata extensa
Compactada, de cores mil
Verde-amarelo. Azul e branco
As cores do nosso Brasil.
Era uma vez uma floresta
De fauna e flora gigantes
Gigantes pela própria natureza
Envolta em escuridão constante
De sombras que se formavam das árvores
Refletidas pelas folhas que do céu azul caíam,
Retumbantes.
No chão, o tapete orgânico, os nutrientes, ali jaziam
O alimento ofertado, a garantia da sobrevivência
A troca sagrada. A alquimia,
A noite e o dia, sem pressa, por ali passavam
Ao som da orquestra encantada
Dos pássaros, das águas dos riachos, dosrios plácidos,
Caudalosos e profundos
Sinuosos, em cascatas,
Caminhando para os mares de futuros almejados,
Para mares nunca dantes navegados.
Vez por outra, a floresta amanhecia
Devagar, aos poucos, em pedaços de dias
Reflexos dos raios de sol, por entre brechas e frestas,
Que aproveitavam um cochilo da floresta
E a irrompiam.
Era uma vez uma floresta
Onça-pintada de olhos atentos, amarelados
Passeando no seu chão, desconfiada,
Agarrada nas garras da liberdade,
Então, bem cuidada!
Era uma vez uma floresta
De borboletas, milhares delas,
Hoje pintadas em versos e em cores,
em belos quadros de aquarelas.
Era uma vez uma floresta
O peixe-boi, a ararinha azul e o mico-leão dourado
O boto cor-de-rosa, o ouro enterrado
A tartaruga, a baleia, a mata atlântica
E até a mata do cerrado.
Nada foi poupado.
O jacaré do papo amarelo que o diga, foi desbancado
Pelo maior predador da natureza,
O BICHO-HOMEM,
ivilizado.
Aproveitando alguma brecha ou outra fresta ...
Inaugurou o fim da floresta
Da qual, muito pouco ainda resta.
A poesia já não existe, já não se presta
Para cantar, em verso ou prosa, tanta desgraça
O som da serra elétrica a todos emudece...
Os rios viraram estradas de destino incerto
Caminhos por onde passam os restos mortais do paraíso
Futuros caixões, destino de todos nós, por certo,
Em forma de troncos e pedaços de madeira
A ganância e a insensatez,
Sem limites, sem fronteira.
O fogo abre campos na mata
A moda da economia está na moda...
A soja e o pasto, o novo tesouro,
No jogo do mercado financeiro
De cartas e interesses marcados,
Vale muito dinheiro, um simples besouro.
Vale mais que o às de ouro,
No dizer da canção lembrada,
Situação que fica mais agravada, afinal,
Pelo contrabando das riquezas do antigo reino
Animal, vegetal e mineral.
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'Se as vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorriso nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios'
[Fernando Pessoa]
'O contato com a natureza é, em si mesmo, algo profundamente regenerador, assim como a contemplação do seu esplendor conduz à paz e à serenidade.'
[[João Paulo II]
biografia:
DOMINGOS OLIVEIRA MEDEIROS, nasceu em Pombal, cidade encravada no sertão do Estado da Paraíba, no Brasil. Formado em Administração de Empresas, com especialização em Recursos Humanos, servidor público federal aposentado pelo Ministério Público da União. Poeta, escritor e cordelista, influenciado pelo seu melhor companheiro, Anízio Medeiros, seu pai, já falecido, mestre de alfaiataria, músico e poeta autodidata. Domingos possui várias obras publicaas: Sonhos & Pesadelos, Fragmentos do Cotidiano, reunindo contos, ensaios, monólogos, crônicas e artigos de temática variada. Seu último, em prosa e cordel, Com Humor e Com Afeto, é uma sátira política acerca do atual governo do seu país. Possui, ainda, participação em várias antologias nacionais e internacionais, entre as quais a mais recente 'Cantos do Mundo', lançada em Portugal e no Brasil. Acredita em Deus e na utopia de um mundo melhor pela via da educação e cultura.
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Sua indicação para integrar esse seleto grupo de sonhadores em potencial, é culpa exclusiva de sua parceira de arte e amiga MARIA DO SOCORRO XAVIER, professora universitária, pesquisadora, poetisa e escritora, e grande incentivadora da cultura popular brasileira, em especial a literatura de cordel.
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