DOR ALHEIAQue seja intensa a tua dor imaginária,Que lateje em todas as fendas da tua alma,Que te de a cor lívida dos flagelados e enchaO teu cérebro de escuridão, como uma noite total.Que ela seja o horror do teu suplício,A prova da tua resistência,O heroísmo do teu gesto alucinante,Ainda, assim, não saberás avaliar a dor alheia.Que a tua dor imagináriaSeja a expressão do irremediável, ...
DOR ALHEIAQue seja intensa a tua dor imaginária,
Que lateje em todas as fendas da tua alma,
Que te de a cor lívida dos flagelados e encha
O teu cérebro de escuridão, como uma noite total.
Que ela seja o horror do teu suplício,
A prova da tua resistência,
O heroísmo do teu gesto alucinante,
Ainda, assim, não saberás avaliar a dor alheia.
Que a tua dor imaginária
Seja a expressão do irremediável,
Seja a dormência da tua sensibilidade
Seja a humilhação atroz de todos os teus desejos,
Ainda, assim, não saberás avaliar a dor alheia.
Quando, porém, sentires o que os outros já sentiram,
Aquela dor viva, aquela dor real, aquela que sanifica.
A dor em que se bebe, trêmulo, gota a gota,
A essência humana da derrota e do aniquilamento,
Aí, sim, meu irmão, saberás avaliar a dor alheia.
CATIVONum despeito cruel enfezado e terrível
Diante da irradiação da beleza suprema,
O homem vê denegrida a alvura do seu poema
O poema de um amor veemente e incompreensível.
Sedento de carinho e preso numa algema,
De tântalo recorda o sofrimento horrível,
E, raivoso e descrente em face do invencível,
Ergue os olhos ao céu e estorce e blasfema.
E assim, por essa vida amarga de ansiedade,
Ele vive a falar, num profundo suspiro,
Que as almas feminis são feitas de impiedade.
E, entretanto, meu Deus, o homem sempre de rastros,
Em torno da mulher anda a fazer seu giro,
Como em torno do sol vivem girando os astros.
TEUS CABELOSEstes cabelos teus que tu me deste
E que eu guardo com máximo cuidado,
São lembranças do afeto que tivestePelo meu pobre ser desventurado.
Inda hoje há neles o perfume agreste,
O aroma suave, o aroma delicado,
Que costumava por em tua veste
Nos tempos em que eu era o teu amado...
Às vezes, quando cheio de desgosto,
Repouso neles os meus olhos; sinto,
Sinto o pranto correr-me pelo rosto...
Pois que, chorando assim em teus desvelos,
Revejo todo o nosso amor extinto,
Nestes negros anéis dos teus cabelos.
biografia:
PILAR Reynes da Silva CASAGRANDE, 51 anos [14-07-54] casada, sócia da CAPI [representações comerciais], meu escritório é aqui em casa e fico on line durante todo o dia.
Por esse motivo, nas horas vagas, participo ativamente das cirandas da internet.
Fui sempre leitora voraz, mas fui escritora de gaveta até 1997 quando participei de um concurso literário e me convidaram para fazer parte de um grupo de escritores, o CLIRC -
Centro Literário Rio Claro, do qual sou presidente há dois anos.
Sou colaboradora do jornal Diári Rio Claro desde de 1997 [crônicas], em 1999 comecei a escrever poesias. Participei de dois concursos e ganhei os dois [sorte de iniciante], daí pra frente participei de inúmeros concursos nacionais e internacionais e fui premiada em alguns. Participei de várias antologias no Brasil e duas na Itália. Sou também Acadêmica Praeclarus do Clube de Escritores Piracicaba.
Desde que assumi a presidência do CLIRC, nós os escritores, passamos também a fazer o trabalho de Atores Sociais [rede social do SENAC]: ensinamos poesia, literatura no Centro de Ressocialização Feminino de Rio Claro [cadeia]. Já tivemos três reeducandas premiadas em concursos de poesias.
Também realizamos workshops de poesia, literatura, folclore, incentivo a leitura através de contar história e fazer livros com recortes em entidades sociais que atendem crianças, jovens e adultos carentes.
Tenho 4 ebooks: AS PIRAÇÕES, FELI[Z] CIDADE AZUL, SÓ LETRANDO SOLIDÃO, DIÁRIO CRÔNICAS. Estão no
http://www.pilarcasagrande.ebooknet.com.br