Crença e aparênciaQuem crê no amor e nunca chorouDificilmente amouQuem crê no amor e nunca sofreuDificilmente amouQuem crê no amor e nunca perdoouDificilmente amouMas quem ainda crê no amor?O amor foi reduzido a desejoPassageiro, ligeiroUm sem número de parceirosCompanheirismo é piegasAmar alguém é tão bregaA sinceridade está de braços cruzadosA cumplicidade tirou fériasE o compromis ...
Crença e aparênciaQuem crê no amor e nunca chorou
Dificilmente amou
Quem crê no amor e nunca sofreu
Dificilmente amou
Quem crê no amor e nunca perdoou
Dificilmente amou
Mas quem ainda crê no amor?
O amor foi reduzido a desejo
Passageiro, ligeiro
Um sem número de parceiros
Companheirismo é piegas
Amar alguém é tão brega
A sinceridade está de braços cruzados
A cumplicidade tirou férias
E o compromisso se aposentou
Mas quem ainda crê no amor?
Livre de interesses materiais
Repleto de saudades e lembranças
Os corações estão trancados
Protegidos contra danos
Todo mundo é tão sério e prudente
Falta coragem paraamar
É mais fácil possuir do que se entregar
Mas quem ainda crê no amor romântico?
O que era sentimento verdadeiro
Não passa hoje de um jogo entre parceiros
A morte já não separa os casais
O amor morre muito antes
O vinho é transformado em água
Sem sabor, gosto ou cheiro
Sem emoções e sem feições
Quem veio ao mundo e nunca amou
Falar sobre a vida não pode
Porque nada sabe
Porque nada aprendeu além de futilidades
Porque nada sentiu além do trivial
Porque nada entendeu além do óbvio
Porque, ainda que vivo, nunca viveu
Deveras, homem!Ah, como difícil é ser um homem
Em um mundo tão machista e feminista
Ah, como é difícil sorrir sem ser julgado
Como é difícil chorar sem ser censurado
Ah, como difícil é ser um homem
Em um mundo tão feminino e masculino
Onde os contrários se igualam
E as verdades se anulam
Ah, como é difícil
E você nem sabe do meu esforço
Você nem quer saber
Como é difícil sobreviver entre seus preconeitos de homem
Como é difícil não padecer aos seus padrões tão femininos
Como difícil é ser um macho
Daqueles com M maiúsculo
Que chora, ama e pede colo
ETRE VRAIMENT HOMMEOh, qu’il est difficile d’être un homme
Dans un monde si machiste, si féministe.
Oh, qu’il est difficile de sourire sans être jugé,
Qu’il est difficile de pleurer sans être censuré,
Qu’il est difficile d’être un homme
Dans un monde si féminin et si masculin
Où les opposés se valent
Et où les vérités s’annulent,
Oh, que c'est difficile,
Et personne ne veut en tenir compte,
Qu’il est difficile de survivre parmi les hommes à préjugés
Qu’il est difficile de ne pas souffrir en observant les normes imposées
Tant par les femmes que par les hommes.
Qu’il est difficile de vivre avec un M majuscule
Qui pleure, aime et prie à genoux.
Bernardo Almeida [Brésil]
Traduit en français par Athanase Vantchev de ThracyDeuses e demôniosA mentira faz dos homens homo sapiens
Os demônios são todos assim
Tenho conversado com dezenas deles
Porém, os deuses aspiram a perfeição
Ambos falham e mentem em formas
E em conjecturas arrogantemente expostas
Mas subdividem-se em bem e mal
Sois o que podeis captar da natureza
Exércitos são formados em nome do ódio
Mas no amor de um Cristo qualquer, velho e ultrapassado
Encontram a sua justificativa para matar e oprimir
São todos servos de uma estupidez esquálida
De um sinal que não deveria ser dado
E de divindades mortas, mas logo ressuscitadas
Nos túmulos do fanatismo catártico das religiões
biografia: Um dos mais jovens e contundentes poetas brasileiros, Bernardo Almeida expõe seu palavreado mental como uma necessidade vital. Sem aceitar qualquer autoridade, verdade ou poder constituído, seus poemas refletem a importância de se reformular as intenções universais. O amor necessita ser reencontrado, tal qual a liberdade e a plenitude. A intervenção artística na realidade oficial também é a base do seu trabalho. Na busca da justiça social, talvez encontre apenas a solidão de uma esperança sustentada pelas vigas de uma inspiração atrevidamente poética.
Bernardo Almeida é fotógrafo digital [desenvolve imagens artísticas sob o conceito da hibridez], poeta, escritor de contos, roteiros e tiras, compositor e livre pensador. É ainda formado em Comunicação pela Universidade Católica do Salvador. O trabalho artístico que desenvolve está centrado em três pontos: a intervenção, a descrença nos convencionalismos e o questionamento. No ano de 2005, lançou o livro de poesias Achados e Perdidos, o qual disponibiliza para download gratuito em seu site
http://www.bernardoalmeida.jor.bralmeida.bernardo@gmail.com