ÉBRIO DE SAUDADECANTO INo perecer desta longa madrugadaProcuro meus pensamentos a galope E garimpando no suspiro da sorte Encontrar a minha chinoca tão amadaAo longo deste campo de várzea inóspita Encontro ideologias neste chão Forjado na base da espada e do canhãoTudo pela forma de governo impostaMeu cansado zaino carrega em seu lomboO grande fardo rec&oc ...
ÉBRIO DE SAUDADE
CANTO I
No perecer desta longa madrugada Procuro meus pensamentos a galope E garimpando no suspiro da sorte Encontrar a minha chinoca tão amada Ao longo deste campo de várzea inóspita Encontro ideologias neste chão Forjado na base da espada e do canhão Tudo pela forma de governo imposta Meu cansado zaino carrega em seu lombo O grande fardo recôndito da vida Que laborar aqui nesta terra é tida Sem a característica do abandono. Foi da poeira deste meu Rio Grande Que constitui minhas longas quimeras Dentro de longínquas e belas taperas Da campesina xucra me fiz amante Naquela velha chaleira esquento água Pra fazer o meu velho e parceiro amargo Num Bueno circulo de amigos largo Pelas trovas afora eu deito minhas mágoas O fogo deixa queimada a lenha tristonha No fim de uma cansativa tarde campeira Feitas estas minhas lidas de forma ordeira Pelos alambrados vejo a aurora medonha Inicia aqui a noite estrelada e fria Recolho meu ser próximo ao candeeiro Esquentando a mão de um gaúcho faceiro De terminar mais um dolorido dia Novamente a madrugada se aprochega Esta saudade insistente aqui retorna Mas sem tu chinoca minha vida é morna Tuas antigas lembranças me atormentam.
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CANTO II
Busco tragueado o velhusco pelego Que meu pobre bisavô já teve posse Ao qual pealado morreu de tosse Tísico e borracho, eu vou ficar aqui mesmo. Mas tu oh quiméricos redundantes sonhos Que me trazem macanudo Minuano Forte e rígido com seus ventos cantando Versos que nestes tempos são enfadonhos De pialo eu levanto a ver a alvorada Que por anos se chamou de precursora E agiu em guerras farrapas de co-autora Levantando novos dias em rumo a camperiada Eu não lido apenas para sobreviver Peleio pelo caráter da teimosia Por que gosto destes tempos de invernia Mania ao qual matreiro desejo eu ser Nestes toscos xucros versos busco eu mostrar Vinte e quatro horas de um sonhador Que trabalha nesta terra amada com louvor Para um dia olhar o velho passado e chorar Mas...não penses tu, que é choro de amargura É a intrínseca lembrança da minha vivência Que recomendo aos que fazem referência Ao modo empírico-sulista de aventura Mal e mal escrevo estas palavras tortas Pois aprendi a escrever com a vida Ao qual por tempos longos foi trazida No lombo do pingo co`a esperanças mortas Me despeço deste verso, ao som de um gaiteiro Que pelo bom som, conquista seus ouvintes E eu, pobre diabo do campo sem requintes Sigo meu vasto e eterno rumo tropeiro.
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ESTAÇÕES DO AMOR
No inicio Tudo é primavera Parece que tempera A vontade de se olhar
Depois de algum tempo Tudo é verão Parece esquentar a relação Teu corpo é meu propósito
Os meses passam Tudo é outono Começa o transtorno As folhas caem
Por fim É inverno O amor já não é eterno Aproxima-se o separar
Mas por sorte O tempo segue E a primavera converte Ao reaproximar este olhar
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A CHUVA
Que magnífico efeito É ver a chuva cair. É ver a terra ser alimentada Como uma mera criança Desolada pela fome. As gotas caem. Que magnífico efeito. São como camicases Suicidadas na aventura E num ato de bravura Ao alimentar o chão. É um batalhão feroz e bravo Na qual nos traz no crepúsculo\\\\ O cheiro, o vento e a visão Da chuva a
C A I R
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Nascido em Santa Maria, Rio Grande do Sul, Marlon William Schirrmann escreve desde seus quatorze anos, tendo como norte uma poesia com teor filosófico.Foi selecionado para participar de duas antologias em nível nacional [Antologia dos Poetas Brasileiros Contemporâneos - Vol. II e III, Ed. CjBE] e uma em nível internacional [Antologia Livre Pensador, Ed. Scortecci - XVIII Bienal Internacional do Livro de São Paulo]. Foi integrante do Grupo de Discussão Literária Santa Poesia e de seu Jornal poético \\\'Poesilha\\\'. Participou com poesias do 3º Festival Mundial de Poesia junto ao grupo palavreiros, hospedado na UNESCO, em homenagem ao centenário de Pablo Neruda [www.palavreiros.org]. Ganhou o prêmio internacional de Menção Honrosa nos Jogos Florais com a poesia \\\'Estro de um dia qualquer\\\' em Portugal.Tem suas poesias publicadas regularmente em jornais regionais e locais. Já projeta o lançamento de seu livro de poesias, com a coletânea de todas suas obras publicadas e inéditas.Estuda na cidade onde reside a faculdade de Direito. Fundou o grupo poético Cafeína, www.grupocafeina.com.br.