Na distânciaSinto a dor de te não vere a saudade morde-me a almacomo fera acirrada.Guardo o brilho do olhar que te enfeita o rostopara que me aqueça o corponas horas rasgadas pela distância.Busco no meu imaginárioa doçura das tuas palavrasde que aos poucos me sustento.Arranco do peito um abraçoque se funde no vazioe aquieto as entranhas magoadascom te ...
Na distância
Sinto a dor de te não ver e a saudade morde-me a alma como fera acirrada. Guardo o brilho do olhar que te enfeita o rosto para que me aqueça o corpo nas horas rasgadas pela distância. Busco no meu imaginário a doçura das tuas palavras de que aos poucos me sustento. Arranco do peito um abraço que se funde no vazio e aquieto as entranhas magoadas com teu sorriso envolvente. Traço tuas mãos de seda na luminosa tela da ilusão para que semeiem em mim lufadas mansas de carícias. Chamo por ti com ecos de mar e surripio beijos de fogo que invento na minha mansa loucura.
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Como cantata ao sol-pôr
Escuta o silêncio da alma que grita.
Abre as comportas do peito e deixa o sol entrar por entre as cortinas dos olhos cerrados. Rompe a névoa do cansaço, rasga a bruma do pensamento e pousa um sonho leve na mão suave da brisa morna. Um marulhar de emoções se escapa como cantata ao sol-pôr na praia de Quebra Canela. Ouve os desejos do areal sem fim e traça nas ondas prenhes longas vestes de prata que o crepúsculo incendeia. Levanta teu corpo e toca os luzeiros do infinito. Estende as asas da fantasia, deixa-te voar na imensidão!... Tropeça na lua ensonada e constrói nela um abrigo de luz. Revolve anseios reprimidos, acorda esperanças entorpecidas que o mar embala devagar. Lança teu veleiro à deriva. Deixa que a maresia te beije a alma e um manto sereno te envolva na quieta mansidão do despertar. Amanhã quererás de novo o meu ombro?
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Sonho
Na rosa do teu beijo Travesti-me de Ser único Alando-me de anjo por te Encontrar E me capitular a teus pés.
Na rosa do teu beijo Sorvi a tua língua de mel E teu perfume quão abelha Obcecada por pétalas tuas.
Na rosa do teu beijo Deslizei inteiro pela pele do teu corpo Feito espanadeiro para lavar teus anseios Espraiado na ribeira protectora nas torres do teu quente araço. Na rosa do teu beijo Transmigrei de novo ao natal dos meus acordares de infância Na terra onde as montanhas roçam e conquistam o céu Rodopiando na dança alegre da mazurka do teu sorriso.
Adormeci na quietude da fragrância desse beijo Que me ensinou a dançar em ti. .....
Poema inacabado
Ardem-me os lábios do beijo que não dei e grita-me no peito o abraço que se foi. Sinto na pele as labaredas famintas da noite que não veio. Rasgam-me o espaço centelhas preciosas de um olhar de luz e povoa meu sono um sonhar inquieto como mar de ondas prenhes reprimindo desejos vivos. Sufocam-me palavras mudas que trago em mim num poema inacabado.
Biografia: Daniel do Rosário MEDINA
Funções a desempenhar:
Professor Universitário. Investigador. Formador. Cronista.
Reitor da Universidade Intercontinental de Cabo Verde - UNICA
Formação Académica:
§ Doutor em Ciências Políticas – Faculdade de Sociologia, Administração e Ciências Políticas da Universidade de Santiago de Compostela – Espanha
§ Mestre em Linguística – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Universidade Nova de Lisboa
§ Pós-Graduado em Direito da Comunicação – Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
§ Licenciatura em Comunicação Social – com especialização em Jornalismo Internacional na Escola Superior de Jornalismo - Porto.
Possui:
Experiência académica em várias Universidades Portuguesas e Cabo-verdianas. Coordenação de vários cursos. Orientação de dezenas de teses e monografias. Dirigiu vários órgãos de Comunicação social em Portugal e Cabo Verde.
Publicações:
Vários artigos científicos em livros e revistas de especialidade. Três livros de poesia; Autor de dois livros técnicos;
É membro da Associação Cabo-verdiana de Escritores Administrador da Associação Cabo-verdiana de Autores