OUTROS OUVIDOS PARA AS MINHAS QUEIXASAs paredes me confessaram em cicios sentidosque estão arqueadas as suas costase o peso dos meus ais já nelas expostasfazem delas carpideiras de amores partidos...Que nelas há lágrimas que choram de abandonoe fazem deslizar outro pranto em flor,ressentidas já pedem para trocar de dorpor isso não aceitam desculpas nem suborno...E viram meu recato muitas vez ...
OUTROS OUVIDOS PARA AS MINHAS QUEIXAS
As paredes me confessaram em cicios sentidos
que estão arqueadas as suas costas
e o peso dos meus ais já nelas expostas
fazem delas carpideiras de amores partidos...
Que nelas há lágrimas que choram de abandono
e fazem deslizar outro pranto em flor,
ressentidas já pedem para trocar de dor
por isso não aceitam desculpas nem suborno...
E viram meu recato muitas vezes por um fio
e ajuizaram porque estava eu de aceso pavio,
do haver torrentes a sugar minhas madeixas...
E seu desgosto é a eterna desconfiança
que nelas ainda deposito e a sua desesperança
em não haver outros ouvidos para as minhas queixas
Índia libriana
[04Novembro2007]
LAGINHA
Laginha é mais quando vestida de corpos,
de quase-nudez - a sua mais bela silhueta -
que se faz dos côncavos das beldades
e dos convexos torneados e viris,
É um chocolate de todos os sabores,
tela que se pinta o ano inteiro
num castanho de todas as cores
atiçada nos Verões com estampa diasporizada...
E é vê-la a ser contemplada com olhos dos sentidos
de tão cobiçada, há onde queriam e queiram
uma Laginha loira, morena e ruiva como a nossa ...
É almejada também no bronze que o Rei
deixa na cútis de quem nela se deleita
e no mel dos olhos de quem toca a sua plenitude
Índia Libriana
[Agosto2007]
AO RELENTO DE TI
Estive a dormir ao relento de ti, Luar
e das tuas atípicas aparições de rara deidade,
ficou em mim esse estado de tudo a minguar
mas ignorando propositadamente tua bondade,
com o coração na mão e lamparina de luz poética
desci, medo adentro neste anoitecer,
me acompanhou esta solidão peripatética
que no itinere fez a esperança desfenecer,
sufocando o vazio a doce cítara,
melodia que servida decresceu a saudade
e partilhamos nozes e vozes num sorvo da xícara
que me ensinou que no vazio o espaço é maior
para semear um sonho e colher alvorada crescente
ainda que seja devir, de Heráclito o melhor presente
Índia Libriana
[Agosto2007]
BIOGRAFIA
Índia Libriana
Maria Tereza de Jesus Assunção, nasceu a 15 de Outubro de 1966 na Vila da Ribeira Grande – em Santo Antão – Cabo Verde. Reside em São Vicente desde 1991. Trabalha na TACV – [Transportadora Aérea de Cabo Verde - São Vicente há 16 anos.
Em 2005 fez o Curso de Iniciação Teatral e com outros actores criou a Companhia de Teatro SARRON.com
Como actriz já representou algumas Peças de Teatro tais como: - Sófamília, Rei Lear, Up-Grade Bô Democracia e Um Vez Sóncent era Sáb – Este último um musical de Neu Lopes.
É sócia da Associação Artística e Cultural – Mindelact e actualmente desempenha funções na Direcção. Esta Associação realiza todos os anos em Setembro o Festival Internacional de Teatro – Mindelact, evento que concentra Artistas de Teatro de vários países do Mundo.
É colaboradora do Jornal Raizonline [raizonline.com]; Membro de “Os Confrades da Poesia” – Amora / Portugal.
Escreve poesia desde a juventude, mas de forma organizada e sistemática só desde 2002. É uma pessoa atenta ao mundo que a rodeia e isso reflecte na sua poesia leve e sensual.
Usa o pseudónimo «Índia Libriana» que surgiu em Fortaleza – Ceará Brasil., inspirada na Índia Iracema e Libriana por ser ela uma nativa de Libra.
Blog: napeduvid.blogspot.com [ainda em construção]
teja_assuncao@hotmail.com