ALEGAÇÃOUm cais deserto sob a morte me justifica.A queda brusca de uma históriaAntiga,O deus secreto a que a memóriaAspira.Mundo suspenso,Terno e cruelPara quem fica.Pequeno sonhoDe papel.*CAMBUTAHá um pigmeu no teu corpoCurandeiro que me limpaDa consanguinidade adivinhadaNas entranhas do benefícioQue legitima os avançosMais nada garante.Há um ferreiro nesse pigmeuUm pouco mais para Norte- ...
ALEGAÇÃO
Um cais deserto sob a morte me justifica.
A queda brusca de uma história Antiga, O deus secreto a que a memória Aspira.
Mundo suspenso, Terno e cruel Para quem fica. Pequeno sonho De papel.
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CAMBUTA
Há um pigmeu no teu corpo Curandeiro que me limpa Da consanguinidade adivinhada Nas entranhas do benefício Que legitima os avanços Mais nada garante.
Há um ferreiro nesse pigmeu Um pouco mais para Norte-Nordeste, Muito além de Tombuctu, aquém Do que me dizes sem saber Que Amani, a grande rainha, Entre limalhas nos legou O poder sobre rios e cumes Aores e ciúmes.
Muito além de Tombuctu. Muito aquém dos estalos Da língua silenciosa Das areias khoi-san No sal dos meus olhos mistos.
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PERPLEXO
Fábula maravilhosa... E no entanto não posso Ser aquilo que eu invento.
biografia:
Poeta, fotógrafo, crítico e professor universitário, foi também editor. Vive entre Angola e Portugal.