algum dia virá que seja natal [entre os nós altíssimos do deserto]algum dia desflorará o poema da justiça que se prevejanas palavras que se fizeram [por dentroe eu criança ainda cante aquéme o meu canto coincida com o [rubro das rosas que desliza.1Jan.2006a minha alma começa de um [templo tatuado.à sombra, começam coisas a [tomar forma: a flor, a seara, a mesa.numa dicção acesa aliment ...
algum dia virá que seja natal [entre os nós altíssimos do deserto]
algum dia desflorará o poema da justiça que se preveja nas palavras que se fizeram [por dentro
e eu criança ainda cante aquém e o meu canto coincida com o [rubro das rosas que desliza.
1Jan.2006
a minha alma começa de um [templo tatuado.
à sombra, começam coisas a [tomar forma: a flor, a seara, a mesa.
numa dicção acesa alimentam-me [as aves.
quando eu me for embora levarei o corpo desprovido de [promessas. a alma não.
15Jan.2006
agora só as árvores me dirigem
neste quase inverno mudaram a [nudez da minha boca
sou uma pessoa resumida às [árvores [sou uma folha
vejo uma flor eterna a cair e chamo-a
inclino-me sobre a minha pele [porque murmurei um nome
vê meu amor esta música não [pára de subir.
14/15 de Dez.2005
nota- este poema deve ser lido com o acompanhamento da faixa musical nº 2] Lamentu I do cd Eurípedes Trojan Women, música de Eleni Karaindrou da ECM Records, 2002. mariagomes
biografia:
Maria Gomes nasceu a 8 de Junho Benguela, Republica de Angola. Vive em Portugal há 6 anos. Tem poemas publicados no Jornal de Angola, em três antologias de poesia portuguesa editadas pelo poeta José Félix e em revistas de poesia e tradução. Participou na 2ª Bienal de Silves, em Abril de 2005, em homenagem ao poeta António Ramos Rosa. E participou no 'poema mais longo do mundo' denominado ' O Estado do Mundo', livro a ser publicado em breve em Coimbra, colecção Almedina.