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    Berenice 
    Barreto Fernandes 


    A obra

    A obra começa no sonho da alma,
    no imaginário do meu inconsciente.
    Quando diante da ausência de cor,
    no infinito branco de uma tela,
    ouço uma voz que me diz: Vai!!!!!
    Mergulho então no recôndito do meu ser interior
    e navego num impulso quase mágico,
    sem hora marcada,
    sem regra,
    sem algemas,
    sem pensar muito.
    Apenas deixo fluir aquele sonho,
    fazendo deste momento
    uma realidade substancial,
    onde o expectador
    é o seu complemento final.

    MISTÉRIOS DA VIDA

    Por sermos programados com ilusão
    é que passamos a não ser verdadeiros..
    Nascemos gritando por sermos cortados
    de uma vida que não era a nossa.
    Vivíamos em águas tranqüilas
    hoje nos afogamos.
    Éramos alimentados
    hoje temos que chorar por isto.
    Não pensávamos em nada,
    hoje temos que em tudo pensar.
    Vivíamos sozinhos,
    hoje temos que conviver com muitos.
    Não enxergávamos nada,
    também não havia pedras para tropeçar.
    O barulho do mundo não nos incomodava.
    Tinha um coração, mas não havia a quem amar.
    Desfrutamos deste mundo por nove meses apenas,
    o que nos parecia ser eterno.
    De repente, um grito de mulher em dor,
    nos acorda para vida
    Dizendo, ' meu filho, te amo' !
    Envolto em cordão e sangue
    nos enxugam para vida
    e nos cobrem a nudez.
    Hoje, temos o mundo
    e não somos dono de nada.
    Mistérios da vida.

    Berenic, Rio 09 de Maio de 2008

    RETALHOS DA VIDA

    A vida é uma colcha de retalhos
    que vamos encontrando no balaio da vida.
    Dia, após dia, costuramos a nossa dor, o nosso amor.
    Tecemos verdades, mentiras, fuxicos.
    Cortamos, aparamos, emendamos e até mudamos a cor.
    Assim vamos tecendo a nossa colcha de retalhos
    que um dia, será estendida sobre a cama do cenário da vida
    estampando o nosso passado de lembranças coloridas.
    Deixaremos no balaio da vida, pedaços de amor, restos
    de vida, pontas de tristeza, trapos de dor.
    Fiapos de esperança, emaranhado de linhas que outros irão desembaraçar.
    Novelos de lã tricotarão casacos de luxo.
    Meadas de linhas serão tecidas pela mão do pobre, que, tece, tece e re-tece
    mas que casaco nunca veste para cobrir a sua nudez.
    Retalhos da vida, sobras de sonhos que não se realizam.

    Berenic
    Rio de Janeiro - 23-04-08


    Regresso das borboletas

    Surge de repente
    Plantado como
    Semente.
    Regado, germina.
    Nasce em silêncio.
    O amor.
    Cresce, cria raízes.
    Brotam galhos.
    Sopram ventos.
    Folhas gritam agitadas
    Rosas desnudas.
    Botões entre espinhos
    A chorar.
    Galhos ao vento
    levam as borboletas
    que enfeitam os ramos.
    É outono.
    Primavera sempre haverá.
    Florescendo o jardim
    borboletas voltarão a bailar
    beijando flores a perfumar.

    Berenic
    Rio 24- 04-08


    RECANTO DOS ENAMORADOS

    Entre flores e espinhos
    Caminham os meus sonhos a te buscar.
    Entre sorrisos florescem os lírios em
    Busca de paz a conquistar.
    Entre beijos a flor se regala.
    Borboletas coloridas enfeitam os céus.
    Vestido de azul
    O galhardo pavão exibe a sua exuberante
    Cauda cortejando a fêmea.
    Pássaros gorjeiam trazendo o sol da radiante manhã.
    Serena inquietude invade os corações apaixonados.
    É dia dos enamorados!
    O vento sopra trazendo o teu perfume de aroma suave.
    Desperta um desejo ardente de beijar
    Teus lábios quentes de mel.
    Em que peito bate
    Ó insensato coração?
    Vem buscar a chave
    Para abrir o meu coração
    E encher-me de emoção....

    Berenic - Rio 12 de Junho 08

    Biografía:
    Berenic

    Berenice Barreto Fernandes
    , conhecida como Beré ou Berenic, é natural do Crato Ceará, onde passou sua infância e parte da adolescência. Autodidata, desde o inicio definiu o seu estilo naïf de pintar. Fez sua primeira exposição em 1977, em Salvador, Bahia. Reside no Rio de Janeiro desde 1981.

    No Museu de Arte Moderna fez os cursos de “Análise e Crítica da Obra de Arte”, “Para Entender o Contemporâneo” e ” História da Arte”. Tem formação em arteterapia. Realizou centenas de exposições no Brasil e exterior, incluindo individuais, coletivas, Bienais e Salões de Artes Plásticas, fazendo jus a várias premiações. Tem projetos aprovados pelo Ministério da Cultura e pela Secretaria de Estado. Suas obras fazem parte do acervo de Galerias e Museus, dentre estes o Museu Internacional de Arte Naïf e Nuseu Nacional de Belas Artes e em coleções particulares no Brasil, França, Canadá, Itália, Japão e Estados Unidos.

    Berenic, ainda, ilustrou com as suas obras inúmeros livros e revistas de arte, cartões de telefone e Telelistas de várias cidades no Brasil. Participou do documentário Arte Ingênua. Vários críticos de arte e historiadores como - Lucien Finkelstein a Osar D`Ambrosio e Ivan Alves Filho - reconheceram os méritos das suas obras..

    É colunista do Jornal O Rebate onde escreve sobre arte e cultura. Reescreveu várias lendas brasileiras, temática marcante em suas telas. Faz parte dos Poetas Del Mundo, onde tem como missão difundir a Paz ao mundo.

    No ano de 2007 foi condecorada com a insígnia da Medalha do Mérito Humanitário “Nise da Silveira”, outorgada pela FALASP – Federação das Academias de Letras e Artes do Estado de São Paulo. Recebeu também Moção de Congratulação e Louvor da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, foi empossada Membro Correspondente Titular da “Academia de Letras da Mantiqueira”, da Estância de Águas de Lindóia, passando a ocupar a cadeira de número 56 patronímica de Herri Julien Felix Rosseau. Em 2008, passa a ser Membro Correspondente da AILA- Academia Itapirense de Letras e Artes.

    berenicfernandes@yahoo.com.br

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