Leda Galvão de Avellar Pires
[Cónsul - Botucatu - SP]
VULTOS AO ANOITECER
Foi assim... talvez não fosse bem a hora nem o lugar, mas nossos lábios se uniram em beijo ardente. Nossos corpos se enlaçaram, senti enternecer o seu olhar, seu corpo fremia e seu suor brotava levemente... O calor do desejo se espalhou como em prece e se expandiu em ondas. Tu te tornaste predador e eu a caça e os que passavam, fitavam-nos surpresos ao verem nossos vultos através de uma vidraça. Éramos amantes na gaiola do amor, então bem presos. Mas... quando mais tarde fechamos as cortinas suguei-te como a abelha ansiosa suga o mel e, depois cansados, exaustos, lágrimas pequeninas rolaram... sentindo-nos atores, cumprindo cada um o seu papel .............................
ESPALHANDO ESTRELAS
Quero sair por aí espalhando estrelas azuis, douradas, prateadas... Estrelas que adornem a fronte da menina feia e triste; estrelas que façam brilhar os olhos daquela velhinha que viu os filhos crescerem - e sumirem - na poeira dos caminhos; estrelas que façam sorrir a menina aleijada que todas as tardes, da janela, observa a criançada brincando de pegador; estrelas ternas que consolem a moça que perdeu a virgindade e que nunca pôde ser mãe; estrelas que entrem no barraco e sirvam de cobertor prá família João-Ninguém; estrelas de faz-de-conta prá botar nos sapatinhos dos que esperam, como eu, a NOITE que nunca vem. .............................
SOLAR PARA UM AMIGO Ao meu grande amigo Cláudio Ferrari Righi
Porque és meu amigo, acho que mereces um solar: frontispício branco, gregas as colunas e amplos salões onde bailarão teus sonhos. No teto, alto-relevos de estranha beleza simbolizando o encanto de fadas e de musas. Ladeando o solar, árvores frondosas onde cantarão os pássaros que tu amas tanto. Diante dele, canteiros de rosas, rosas vermelhas para a que elegeste como tua amante-amada e feliz rainha. Para chegar até ao portal, a passarela sob a qual passa um riacho, límpido berçário de carpas que dançam um bailado lindo enviando nos reflexos dourado-prateados, mensagens de amor e de euforia. É um solar de sonhos, sei, mas para um poeta o sonho é mais que vida: é uma eterna melodia.
biografia:
Leda Galvão de Avellar Pires nasceu em Lavrinhas, Estado de São Paulo, Brasil.É viúva, funcionária aposentada da Faculdade de Medicina de Botucatu - Unesp. Está residindo em Ubatuba [SP] embora tenha residência também em Botucatu. É formada em Jornalismo - Mtb 30620 - pela Universidade de Taubaté [SP]- Unitau. Títulos: Membro da Academia Botucatuense de Letras, Artes e Ciências; Sócia Efetiva das Associações: dos Escritores do Amazonas e dos Escritores e Poetas Botucatuenses. Sócia Efetiva da União Brasileira de Escritores - Seção de São Paulo. Atividades literárias: Livros 'Quatro Tempo de Poesias' e 'Infância, Exílio e Saudade - Três Temas e Um Poeta'. Em fase de Diagramação: 'Uma Família Paulista'. Participação em inúmeras Antologias. Trabalhos na Internet:'Apostila Base de Teatro' e, 'Vampirismo' [em andamento, no site do Luna e Amigos. Homenagem: Biblioteca Leda Galvão de Avellar Pires, na Sede do Departamento dos Servidores Aposentados da Associação dos Funcionários da Unesp do campus de Botucatu - DAP-ASU. Outras atividades: Membro da Tribo Cuesta: Cooperativa de Bens e Serviços Turísticos [Botucatu]; Grupo Convivência, liderado por Elvira Marins, esposa do escritor Francisco Marins.
ledagalvao@yahoo.com.br
http://geocities.yahoo.com.br/leda_galvao/indice.htm
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