UMA HONDURA A MAIS, OU A MENOS... Por Patricia Neme* 
 

BRASIL-HONDURAS: Num repente, todos nos solidarizamos com o que sucede em Honduras. Nos entristecemos com os fatos ocorridos no Oriente Médio. A tragédia africana nos abate.

O mundo, hoje, encontra-se em situação de horror. Mas esse horror não se concretizou de uma hora para outra. Veio sorrateiro, insidioso. Porém, por mais tato que tenha tido, sempre deixou rastros; rastros que não percebemos porque pouco vigiamos. Só despertamos quando ocorre a explosão final.

No Brasil, o sistema político é assustadoramente corrupto, perverso para com as classes menos favorecidas – onde se encontra mais de 90% da população. Não temos escolas públicas condignas, nosso sistema de saúde pública é abominável, falta emprego, falta teto... Mas permanecemos alienados, dispersos, omissos. E em momentos de grande tragédia [se é que as há pequenas], muitos ainda conseguem tirar proveito da dor alheia, como ocorreu em Santa Catarina quando das enchentes, lucrando com as doações enviadas de todo o país.

O mal é astuto. E muito coeso. E isso basta para que pequenos grupos manipulem toda uma população, conduzindo-a a seu bel prazer.

Quando a água chega na garganta, nos apavoramos.

Desde que me lembro estar viva, tenho meu coração nas mãos, assustada com o permanente tormento a que as pessoas são submetidas, independentemente do país onde residam.

Gosto dos ditos populares, são sábios. Lembro-me de ouvir meus avós afirmando: pelo andar da carruagem, já se sabe quem vem dentro.

Mas nos ocupamos com tantas superficialidades, permitimos que tantas coisas supérfluas nos distraiam, que perdemos o costume de ouvir o andar da carruagem. E só quando somos aviltados, violentados, invadidos, é que nos permitimos refletir. Mas, então, nossa ação já está amortecida pelo enredar do mal.

Os fatos atuais de Honduras já vinham sendo anunciados pelo andar da carruagem. O futuro próximo do Brasil, e de tantos outros países do mundo, não é difícil de ser imaginado. É só ter ouvidos...

Até quando nos permitiremos ser personagens passivas dessa ópera cruel? Quando teremos a ousadia de assumir os papéis principais do enredo e mudar essa história?

É tanto o que se escreve, é tanto o que se fala...

Quando, finalmente, estaremos unidos e atentos ao que vem pelo caminho?

E la nave va... Uma Honduras a mais, ou a menos... Um Iraque a mais ou a menos...

Deus, tem compaixão de nós, teus filhos que teimam em não enxergar!

Patricia Neme*, POETA del MUNDO:
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=4150

18-07-2009


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