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    Ilona 
    Bastos 


    COMO O BATER DE ASAS DE UMA BORBOLETA

    Procuramos sempre a paz e a harmonia
    onde os nossos gestos possam mover-se
    como o bater de asas de uma borboleta
    por entre os canteiros de um jardim florido.

    Neste espaço-tempo que buscamos,
    o silêncio e a luz são profícuos.
    Naquele, pontilham sons mágicos
    que avivam o raciocínio e os sentidos.
    Nesta, geram-se linhas e formas,
    corpos que o movimento inebria.

    No todo - espaço, tempo, silêncio
    e luz - sempre nos encontraremos
    para renascer na sombra dos dias.

    Eis-nos, como somos! Talvez flores do deserto,
    árvores da planície, aves solitárias.
    Em todo o caso, livres, sonhadores,
    poetas, construtores de novos mundos!

    A VINHA E A ESPERANÇA

    Agora, é a videira que se enche de parras e de uvas,
    que cresce, afoita, num reboliço de gavinhas,
    limbos, pecíolos, bainhas, e que se expande sobre o muro,
    galgando-o magnificamente, desafiando a rua,
    debruçando-se, viçosa, com seus cachos caprichosos,
    sobre os carros, as carrinhas e os apressados peões.
    Nada teme esta videira citadina, tão tranquilamente verde,
    tão essencialmente terra, água e sol, tão fiel a si mesma!

    Pudéssemos nós, humanos, conhecer a nossa natureza,
    interiorizá-la, assumi-la, vivê-la, expressá-la,
    independentemente do solo onde nascemos
    e dos obstáculos que a vida nos coloca,
    indiferentemente das modas e passageiras seduções.
    Seríamos o Homem na sua identidade perfeita,
    íntegro defensor do Amor, da Paz universal e do Bem.
    Tão natural nos seria sermos humanos como à vinha é ser vinha.

    Na vinha encontro a plenitude, a Beleza do Ser.
    Enquanto os homens continuarem a plantar vinhas na cidade,
    alguma esperança haverá para o Mundo!

    EU SEI

    Eu sei que apetece desistir
    e desesperar,
    eu sei.

    Mas repara, está lá tudo,
    nesse incrível caldeirão
    que é o mundo.

    Está o sofrimento
    misturado com o amor,
    e a meiguice dissolvida
    em azedume.

    Está lá tudo, te garanto!

    Estão lá a sabedoria e a estupidez,
    em partes iguais, e em idêntica proporção
    a raiva e a paixão, amálgamas de fúria,
    bondade, e indescritíveis rancores.

    Estão lá o ódio e a candura,
    a violência, a inveja e a arrogância,
    as acções mais nobres, a inocência,
    o desapego.

    Só temos que distinguir.
    Que extinguir o fogo do mal
    com a espuma da nossa esperança.
    Que regar a flor do bem
    com a água da nossa fé.

    Eu sei, eu sei.
    Mas repara bem.
    Está lá tudo!

    Biografia:

    Filha de pais portugueses, Ilona Bastos nasceu, a 29 de Outubro de 1959, na cidade de S. Paulo, Brasil.
    Fez o Ensino Primário, Preparatório e Secundário em Lisboa, Portugal.
    No Rio de Janeiro, Brasil, frequentou o Curso de Formação de Professores da Primeira à Quarta Série do Primeiro Grau.
    Em 1983, Licenciou-se em Direito, em 1983, pela Faculdade de Direito de Lisboa.
    Exerce a advocacia em Lisboa.

    Principais Publicações:

    - Poemas no JL e na Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea, vol.X, da Editorial Minerva, 1998.
    - 'A Espantosa História do Dinossauro de Fraldas e outras misteriosas narrativas', Editorial Minerva, 1998 [infantil]
    - Entre Outubro de 1998 e Janeiro de 1999, na Revista Rua Sésamo, os contos infantis: 'A Menina-Alfacinha', 'A Partida', 'A Chuva' e 'O Eléctrico de Natal'.

    Sites:

    - POESIA de Ilona Bastos - http://br.geocities.com/ibbaptista/index
    - À AVENTURA! - Site de Histórias Infanto-Juvenis - de Ilona Bastos - http://br.geocities.com/ilonabastos/
    - ANÕES E GIGANTES, PRINCESAS DANÇANTES - Histórias de Encantar, de Ilona Bastos - http://br.geocities.com/ilonabaptista/

    Participações com poemas, contos, prosa-poética e crónicas, designadamente:

    -e-book DIÁRIO DE BORDO Antologia Prefácio.Net http://www.mariajosezaninitauil.ebooknet.com.br/ [2005]
    - Os poemas 'O Jardim' e 'O Ritual do Café', e a crónica 'O vendedor de laranjas' no Site 'A Casa da Cultura' - http://www.casadacultura.org/
    - O conto 'Até um poder desconhecido', no 'Bestiário - Revista de Contos', ano 2, número 17, Julho de 2005 - http://www.bestiario.com.br/17.html
    - O poema 'Tempo', na Revista de Poesia 'Máquina do Mundo' - http://www.bestiario.com.br/maquinadomundo/ed5/ilona.htm
    - Os contos infantis 'A girafa e a formiga' e 'Um relógio legal', no 'Cronopinhos' - http://www.cronopios.com.br/cronopinhos/ineditos.asp?id=85
    - Os contos 'Uma Vida' e 'Esta Noite Sonhei Contigo', no 'Portal do Archote' - http://www.portaldoarchote.com/contos.htm
    - No 'Site da Magriça' -http://www.notivaga.com.br/mpa.asp?autor=Ilona+Bastos&uid=8749
    - Na 'Usina das Palavras' - http://www.usinadaspalavras.com/index.html?p=textos_autor&aut_id=740
    - No 'Recanto das Letras' - http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=12504
    - Na 'Sane Society' - www.sanesociety.org/pt/ilonabastos - e 'Sane Society 3D' - http://www.gogofrog.com/sanesociety/

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