Mila Marian Furuse
[Embajadora - Japón]
Solidariedade Milamarian No dom de amor que Deus me dera abro as mãos e se há algum talento fecho os olhos e todo pensamento sobre o girar desta humilde pena. Não olvido... a tarefa se confere e se miro em desespero o catre fujo de mim e ali meu escarlate eu entrego, pois o abrigo é só pele... Ontem, hoje e amanhã eu me rendo recordando, o caminho é único contudo...ocasião não tem momento, se dorme o horizonte sem lembrança dôo o íris do primeiro ao último para florir outros céus de esperança. ******* O CANTO DAS SEARAS Milamarian Passa a bruma numa brisa constante da natureza é em gota esparsa onde me vejo no céu que aparta o futuro deste amor contagiante. Veste o céu, a fina chuva que cai carrega o desalento e me invade morre a tristeza e qualquer maldade e sinto que a alma em amor esvai. Foge de meus olhos e de mim também a triste visagem de um cinzento mundo tão amargo, de palavras rudes...sem amém e sorriem a minh'alma e coração com o canto das crianças, tão profundo nestas searas em só uma oração. ****** Maravilhas que se vão Milamarian Tem a vida maravilhas tantas basta sentir das flores o orvalhar doce... macio qual suave amar e no âmago em paz agiganta. Olhassem os homens às raízes que crescem e firmam em prece e do egoísmo onde fenecem saíssem...se mudasse a marquise... Um alpendre regado de amor onde novas gemas da fértil terra quiçá germinassem sem pavor dos fortes ventos ao chão batido da fúria do mar junto à serra e ao Universo já combalido. ****** Planeta mar Milamarian Fartas cores...é suave enredo o seu leito nas profundezas onde a divina mão da natureza condenada está ao vil degredo. Arpão à palma, e o homo sapiens sem pestanejar, desce e invade surdo é o estampido, sem piedade a visão da agonia não o abstém. Planeta mar, tu e Netuno Rei hoje no martírio gritam a sina subjugados à uma terra sem lei, quando invadem e carcomem tuas entranhas, levando as crias ...desenfreada gana... não é fome. ******
VACUM Milamarian Gado inerte adentrando para a ferra mexem brasas, em gritos a fornalha marcando as costas e assim retalha tal verbo que desce a mesma serra. Invadem os campos e são santos espelham uma imagem que se quebra no minuto em que água vira pedra passam dois, abandonam o tal calango. Em disparada atravessam os montes e na correria insana emendam a colcha naquela sanha feita de hoje e ontem. E se golpeiam com o corte das palavras sem notar no precipício à corda frouxa a pobre rês condenada àquela aldrava. ****** Céus e terra Milamarian Mãe terra, filha-lua que pincela os anéis das vertentes destas serras em aquarelas suspiros dos relvados em sombra de arandela demarcando estrelas com coloridos pincéis. Serena prateada num murmúrio em cortejo ao guerreiro que verseja no remanso do painel o adejo de suas asas em direção àquele céu onde ecoa a voz d' alma peregrina num solfejo. Atrás da colina mareja em prata velando a cascata dos sonhos modelados junto aos rios e cordilheiras acenando em suave enlace às cadentes, sua cantata, revelando quão sereno o caminhar do homem se faz em verdadeiro amor, seus passos seguindo à beira firmes e fortes, gigantes no celeiro em busca de paz. ******* CONCÓRDIA Milamarian Em cadência solfejem as cadentes um só canto entoando o hino dos amores outrora semeado no vergel e na colina envolta em véu imaculado onde da laranjeira as flores delinearam o manto. Murmurem as águas ao riacho e à cordilheira o sereno farfalhar das folhas daquela primavera quando a mansa brisa findara em beijos a espera e no anel moldara os frutos das duas parreiras. Amarelo_negro_vermelho_verde em branco mesclem a curvilínea daquele círculo de amor e seja a melodia entoada por todo o recanto, alastrem pelo fértil solo da planície e do planalto e no arvoredo as vertentes no mesmo pendor deitem as almas num só compasso sem intervalo.
Final dos Tempos As terras passarão, os mares e qualquer vento descerão o sol e a lua, as estrelas e as brumas o orvalho será gelo, os riachos apenas espuma nenhum pássaro no céu de um azul cinzento! Ouvir-se-á o pranto solitário daquelas enseadas e das cordilheiras as cálidas lágrimas a escorrer no manancial tristonho e prostrado a padecer os últimos acordes da água naquela invernada. Nos aromas nenhum incensar de alfazema daquele lençol somente a doce lembrança da verde madeira na poesia e último poema, e nos montes sem luar, nem poente ou alvor só a luz reflectida ante a verdadeira dança das almas unificadas no universo de amor.
DOMINUS VOBISCUM Ajoelho-me diante de Ti, meu Senhor e agradeço por não me deixar à deriva e assim recolher desta Tua chama tão viva o carinho daqueles que me dão tanto amor. Senhor! Este verbo não pode sequer expressar o sol dourado que de Ti desponta hoje em mim espelhado naquelas distantes aquarelas enfim que à minh'alma regaram em pleno amar. E humildemente venho a Ti, me apresentar Incenso Sagrado que me socorre naquela hora de momentos de transe e tão profundo penar e ante a essência deles, prostro-me em reverência pedindo que os mantenha amanhã, hoje e agora sob o Teu Manto Sagrado em resplandecência. SANTUÁRIO DE GELO
No princípio em pedras e gelo rompendo agreste envolto em turfas naquele frio assim remotas revestia lenços flutuando espesso na encosta hoje desce rios, correndo o branco da tua veste.
Homo sapiens...que amanhece e assim aquece desembainha teus cristais deitando teu lençol em águas que escorrem do poente ao arrebol levando o complexo à irreversível e última prece.
Desnudam teu inverno, subestimam o clamor do cinturão que chorando desfalece ao verde-mar em lágrimas circulares! pois não há nenhum valor.
Escoa em vertigens, teus primórdios se afundam marinha sem rumo e se despede o urso polar pintado no papel, nos resquícios de uma tundra.
Aprendendo a viver
Descobre este paraíso em sentimentos afetuosos que te espera anima-o, preservando a essência entrega-te a ele como refúgio regala-te com a beleza que ora te entrego e nele ingressa dilacera minhas dores e dissabores, reúne as migalhas e agrega-o a ti. Aprecia deleitando-te nesta natureza que em minha alma expande respeita e ama com ardor este jardim que se faz ornamento teu e as florestas encantadas te abraçarão em verdes folhas no mar tranquilo serenas ondas de conforto te esperam como acalento embalando-te mansamente às praias de ternura e aconchego e minha enseada será um eterno abraço à tua alma envolver no cheiro da terra molhada apenas um chamado convidando-te pra o amor por entre as pedras bordadas delicadamente pelo branco das ondas e pequeninas conchas serão colhidas em águas de sonhos e encantos serei o reflexo da canoa em alto-mar exaltando da vida o recomeço semente pequenina que aprendendo a viver esparge-se no ar.
ÚLTIMA PRIMAVERA
Quisera junto a ti saborear agora O desabrochar desta última primavera Planar em copas floridas à nossa espera Propalando nosso amor como outrora.
Desvanecer as almas em folhas secas pelo chão Entornando o néctar das flores em nossos caules Sentir o desvelo de tuas mãos em minha pele Em brancas pétalas a florescer meu coração.
Do ópio seria o aroma deitado no ar Divina essência a exalar o puro amor brisa fresca na alma da terra a soprar.
Em seus casulos, frágeis crisálidas a estremecer E crisântemos palpitando alquebrados em torpor o emanar da derradeira primavera em nosso ser.
Renascer
Alma espiralada em brumas de amor arraiga em minha ez cristais de teu carinho Delineando marcas, confina em mim os teus caminhos Desata os nós, esfuma o pó de toda minha dor.
Desenraiza de meu solo árido todo sofrimento E em minha Pátria honra tuas fronteiras Arrebatando a tristeza que em mim vagueia Semeia teus sorrisos, floreia meus fragmentos.
Transforma-se em sol que ao entardecer em mim se alastra Em raios de luar entre estrelas trêmulas a me iluminar Junca-me com as conchas que o mar à tua praia arrasta.
Assim me faço relva que tua alma há de umedecer Na aurora entre os ramos, pequeno pássaro a cantar Renasço em flor, que amanhece sem anoitecer.
biografia: Mila Marian Furuse [Pen name: Milamarian]
Natural da cidade de Santo André- São Paulo, residente no arquipélago japonês há 5 anos, tradutora-intérprete apaixonada pela leitura.
Birthplace: Brazil Current home: Japan
I am an interpreter-translator. Volunteer of Red Cross Society in Japan. Member of International Peace Poem http://www.peacepoem.org/ WPS - World Poets Society http://world-poets.blogspot.com/ World Peace Society of Australia http://worldpeace.org.au/index.asp Green Dove Peace Poets http://www.greendove.net/ Books published: The Romance 'Lilly', the Poetry Book 'Drops from my Soul' and four children's book: 'Cherry Blossom', 'The Lullaby', 'The warrior and his geisha', 'The rose and the moon'.
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