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    Maria da Conceição 
    G. Bentes 


    Senhor do Tempo
    Conceição Bentes

    O meu amor
    é o senhor do tempo
    que transmuta os ponteiros
    transformando segundos
    em centelhas.

    Nas ternas madrugadas
    pára o mundo
    fazendo meus olhos
    dançarem em cada afago
    entrelaçados de promessas
    na certeza do nunca
    ser demasiado cedo.

    Num gesto sem tempo
    cessa meu sonho
    despertando-me nas manhãs peregrinas
    acenando esparsas palavras
    semeadas com alento.


    Amor Peregrino
    Conceição Bentes

    Vieste devagar
    tal orvalho que não se sente
    mas se faz notar
    tocando em cada segmento do meu ser.

    No trapézio da vida
    o amor foi equilíbrio
    entre os mundos meu e teu.

    Foi ponte de sentimentos
    farol das nossas tempestades
    transformado em ausência caminhante
    pelas calçadas do tempo.

    E assim seguiste
    espalhando com mãos cheias de nada
    uma realidade fitada
    chamada solidão


    Promessas
    Conceição Bentes

    Prometo que serei,
    o tempo a estilhaçar-se
    nas tuas mãos,
    tendo teu silêncio
    a minha volta

    Hei de ser,
    os olhos fechados
    ou a curva indecisa na noite

    Serei a própria noite a te embalar
    até que a manhã te leve
    e adormeças longe de mim

    Meditação
    Conceição Bentes

    Quando a plateia se retira,
    os sentimentos morrem,
    e a vida suspensa por uma haste
    equilibra sonhos deitados em esteiras

    O tempo espera as espigas do mundo
    varridas pela poeira
    esquecendo a cadência dos passos
    no desfiladeiro do silêncio

    Mergulho então no céu que me grita
    enquanto anjos temporários
    partem o silêncio
    que saem do meu mutismo


    Biografia:
    Maria da Conceição G. Bentes
    ,

    Filha mais velha de cinco irmãos, bióloga, mestre em Engenharia Sanitária pela UFRN.
    Venho de Belém do Pará, terra do açaí, e atualmente moro em Natal /RN, Cidade do Sol.

    A poesia entrou em minha vida depois de uma grande perda, foi preciso que isso acontecesse pra eu descobrir o que estava adormecido dentro de mim.

    Sempre gostei muito de literatura, dos grandes nomes, de teatro, cinema e comecei a escrever sem maiores pretensões, apenas como uma válvula de escape, sem me preocupar, com métricas, estilos, rimas, eu só queria desabafar uma imensa dor.

    E um dia, um poeta viu meus escritos e perguntou pelos demais o que me deixou sem saber o que dizer, eu não queria me expor. Mas o destino queria mais de mim e hoje posso dizer que não saberia viver sem a poesia.

    Não tenho livros editados, mas a convite da poeta Jane Rossi, participei da Antologia Alimento da Alma e sou Acadêmica Correspondente da Academia Brasileira de Poesia – Casa Raul de Leoni – Petropolis - RJ

    cbentes45@yahoo.com.br

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