Silvia Mota
[Cônsul - Cabo Frio-RJ]
ÍNDIA VIRGEM BRASILEIRA
Sou pura e linda e doce e livre... Meu seio firme se retesa nas ondas do mar... Meu corpo vermelho se esverdeia ao contato da relva... Minha boca se rega ao gosto das frutas... Minhas pernas torneadas apostam corrida com o vento... Sou livre... Sou linda... Sou pura... Ao longe, os deuses do mar apontam... Velas brancas acenam e anunciam a paz... Chegam. Invadem. Assustam. Seduzem. Encanto-me naquele vestir e encanto pela nudez... Liberdade? Beleza? Pureza? Para onde vão?... Desvirginam a pureza da terra e devoram-me virgem. Impiedosos. Brancos. Frios. Pelos vis m℮tais, meu sangue escorre entre as pernas... Minha beleza se esconde nas asas das arapongas, minha voz dolente cala nos uirapurus, minhas feridas sujas magoam os rouxinóis, minha doçura aviltada azeda o mel... Maldita lua! Funesto sol! Sinistras estrelas! Execráveis montanhas! Todos e todas omissos! Não ouvem meu temor, nem meu gemido, nem meu asco... ignoram minha dor! Ah! Mãe-natureza, és conivente! Pindorama! Ilha de Vera Cruz! Terra Nova! Terra dos Papagaios! Terra de Vera Cruz! Terra de Santa Cruz! Terra de Santa Cruz do Brasil! Terra do Brasil!
Brasil! Do passado ao presente, na minha terra, sou coisa-prazer... mas nos céus - índia - brilho no Cruzeiro do Sul e ainda sou pura!
Sílvia Mota. Dedico este poema a todas as índias brasileiras, do passado ao presente, esperando que no futuro tudo seja diferente. Dia do índio - 19 de abril. ___________________________
A VIDA E A MORTE
A Vida Adolescente encantadora, esconde a malvadez atrás dos seios redondos, empinados... Seduz, conquista, emboçala, e se revela traidora...
A Morte Estranha criatura, exibe o enredo da sua intrepidez e do eterno império... Subjuga e maltrata, dilacera, assusta, mas - verdadeira - não falha.
Sílvia Mota. __________________________
MAS, AFINAL, QUID AMOR? - TU ME PERGUNTAS SEMPRE...
Que coisa é o amor? Pode nascer no crisol de um olhar e asilado na palavra espargir por alma afora...
Pode ser jazigo raso ou um pélago profundo.
Pode ser sorriso em dor ou talvez choro em sorriso.
Pode ser noite de chuva ou alvorada de sol.
Pode ser borrasca temível ou orvalho numa flor.
Pode ser um carro novo ou pé descalço na estrada.
Pode ser lamento triste ou brado em lança de herói.
Pode ser medo e coragem ou a paz em oração.
Pode ser réu e juiz ou a justiça sem lei.
Pode ser palavra doída ou sorriso de perdão.
Pode ser beijo na alcova ou soluço frente à morte.
Pode ser lajota fria ou um páramo estrelado.
Pode ser cincho eternal enlaçando Vida e Morte.
Pode ser soneto inteiro ou adágio estilhaçado.
Pode conter-se num verso ou transcender o Universo.
Pode ser eu em teu braço ou teu braço em meu abraço...
Mas, afinal, me pergunto: amor omnia vinciti? E me respondo: talvez...
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quid amor? = que coisa é o amor? amor omnia vinciti? = o amor vence tudo?
Uma pergunta ecoa no ar, sempre: - 'O que é o amor?' - Nunca me atrevi a respondê-la, talvez porque seja uma pergunta impossível de ser respondida... Mas, a insistência dessa inquirição me provoca e, afoita como qualquer poeta, deslizo meus pensamentos para o papel, na tentativa de decifrar o indecifrável. Este poema ficará aberto, para que eu o modifique ou o amplie, a cada dia que aprender algo diferente a respeito dessa virtude que transforma o mundo e as pessoas... E, a depender de mim, renovar-se-á, sempre...
Sílvia Mota.
biografia: SÍLVIA MARIA LEITE MOTA Humanista, pratico o Budismo de Nitiren Daishonin. Tenho como desafio contribuir para a concretização da Paz Mundial, a exemplo do meu Mestre da Vida, Dr. Daisaku Ikeda. Acredito na mudança interior de cada indivíduo, por meio da cultura. Por tal razão, meus escritos científicos nascem do anseio de despertar nos leitores um pensamento crítico-reflexivo, para que possamos, juntos, interferir na realidade fática em benefício de um mundo melhor. Quanto aos meus poemas, são as flores de mim. Ofereço-as ao mundo. Através de cada verso, pretendo alegrar os corações, espargindo-lhes um perfume de Paz, Amor e Fé. Pelos caminhos da vida, sou professora universitária. Ensino o que sei. Aprendo o que não sei, todos os dias. Procuro entender a Justiça e transmutá-la num direito meu. Perco e ganho. Morro e renasço, por diversas vezes. Fênix do amor! Do amor, para o amor! Sempre.
silviamota@silviamota.com.br
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