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    Juli 
    Lima 


    Ela esperou por mim para partir

    A tarde morria... Saí do trabalho, apressada, cansada de falar. Professor não usa só giz. Peguei o ônibus. Tinha hora para chegar ao hospital. Meu irmão não ia me esperar. Pensamentos tantos. Minha mãe esperava por mim. Eu iria passar a noite com ela que estava internada há uma semana, com metástase. Lembrei da luta que travamos até que aceitasse ser internada, dos exames, das idas e vindas aos especialistas, das expressões de dores durante as injeções, dos gemidos abafados, dos choros escondidos. Até que parou de aceitar a alimentação e eu tive que convencê-la a se internar. Senti o nó na garganta, o gosto das lágrimas, e ela me disse: _ Estou lutando por você. Vou porque está pedindo. Abracei-a. E disse: _ Mãe, a senhora precisa se alimentar. Fiquei com ela a primeira noite. Alimentação enteral. Medicação intravenosa. Adormeceu e eu também. Meu irmão chegou pela manhã. Despedi-me. Abraçando e dizendo: _ Semana que vem volto. Ela sorriu, ou melhor, esboçou um sorriso. Beijou-me. Mantive-me informada por telefone e por meus irmãos. Nós nos revezamos. Hoje, eu volto. Sei que não reage bem ao tratamento. Mas, sempre a incentivei. Adentrei a ala, senti a mudança, o ar condicionado. Caminhei rápido. Queria estar com ela. Diante da porta, respirei fundo. Precisava demonstrar otimismo e ânimo. Abri a porta. Silêncio. Luz tênue. Olhei para a cama que ela deveria estar. E senti um aperto no peito. Havia uma pessoa com aparelhos. Estranhei. Será que entrei no quarto errado? Sai. Confirmei. Voltei. Acendi a luz e estremeci. Ela estava irreconhecível. Em uma semana, o câncer a transformara. Lágrimas molhavam-me a face. Aproximei. Beijei-lhe os cabelos. Rosto sem cor, por trás da máscara. Monitorada por aparelhos. Era uma sombra da mulher que me gerou. Apaguei a luz. Silêncio e o som da respiração com aparelho. Segurando-lhe uma das mãos, fiz uma prece em voz alta. Emocionada, disse: _ Mãe, se continua lutando por minha causa, eu peço, não lute mais, vá em paz. Seu calvário terminou! Vi uma lágrima. Beijei-lhe. E ela se foi... O aparelho sinalizou que algo estava fora do contexto. Corri e chamei por ajuda. Médicos e enfermeiras vieram e me pediram para sair. Eu me sentia aliviada, apesar de triste. Ela esperou por mim para partir.

    Fragmentos

    Voltar.
    Recomeçar.
    Fragmentos juntar.
    Refazer Caminhos.
    Necessidade?
    A que preço?
    Minha Alma,
    Esta desconhecida,
    Que na viagem
    Através da eternidade,
    Ainda não me sinto
    Capaz de decifrar.
    Urge...
    Perceber-me,
    Desnudar-me,
    Sinalizar...
    Pontos vulneráveis.
    Lidar com os conflitos....
    Razão. Emoção.
    Pensar. Agir
    Sentir. Decidir.
    Refletir. Optar.
    Errar. Acertar.
    Que referencial?
    Quero ser
    Significativa.
    Sinto-me fragilizada...
    Tenho diante de mim
    Velhos e novos desafios...
    Rever conceitos...
    Visualizar novos rumos...
    Por que complicar?
    Mergulho-me...
    Perscruto a alma
    fragmentada.
    Ansiedades...
    Desejos...
    Expectativas....
    Vislumbro
    Uma luz.
    Um arco-íris.
    Despertada
    A ousadia...
    Vou de encontro
    a mim mesma...
    Tropeço
    E reergo-me.
    Enfrento desafios...
    Quem sou? Um SER...
    Mais feliz hoje.
    Marginal? Talvez!
    Incapaz de compreender.
    Incompreendida?
    Buscante...
    Transcendente...
    De Alma para Alma,
    Linguagem da eternidade,
    Além dos limites...
    Sonho... Magia...
    Encantamento...
    Emotizo e CAMINHO...
    Junto fragmentos...
    Dou forma ao mosáico de mim.
    Para onde vou? Não sei!
    Instintivamente, apenas, caminho...

    Ah! AMOR Imortal!


    Que nos invade e arrebata
    De forma única...sem igual...
    Que mexe com a gente...
    Fazendo da magia poesia...

    Amor sem igual
    Transcendental
    Primordial
    Vital

    Sublime magia...
    Invasor de almas
    Se esconde na gente
    À revelia do querer

    Procurado...
    Não tem endereço
    Em uns habita o coração
    Noutros...na sede da razão...

    Tem o poder
    Da razão enlouquecer
    E mexer e remexer
    Com toda a gente

    Faz-nos loucos parecer...
    Mas é o amor da gente
    É o amor que a gente sente
    Dos desafios e superações...

    É imortal...
    Não tem final...
    Porque atravessa
    A infinitude do tempo...

    Vai com a gente
    Aonde a gente for
    Viajante do tempo
    Viandante em nós

    Lindo sem igual!
    Desperta quereres
    Desejos... e Paixão
    Encanta o coração

    Apossa-se da alma da gente
    De onde vem e como chega
    Até hoje ninguém sabe...mistério
    Percebemos a presença na gente

    Meu AMOR é imortal...
    Diferente do seu
    Porque sou
    Diferente de você

    É radiante...
    Intenso...
    Mágico
    É assim que ele é...

    Transformador...
    Transcendental...
    Sem igual
    IMORTAL

    Pulsa em mim
    Vive em mim
    O AMOR imortal
    De mim por você!


    biografia
    JULI LIMA,
    Idealista, sonhadora e questionadora,
    Professora da Rede Municipal do Rio de Janeiro,
    Na escola especial aprendeu a amar as diferenças
    E escrevendo cria acessos para a interação.
    Acredita que o mundo melhor depende
    De cada um de nós, nos gestos,
    Atitudes, ações e no amor.

    juli.lima.rj@gmail.com

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