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    Deomídio 
    Neves de Macêdo Neto 


    O NORDESTINO E O PADIM PADE CICERO
    [Linguagem do Sertanejo, matuto]

    Acariciei meu corpo percebeno meus pêlo moiadim pelo suó que brota da pele
    sofrida pelo tempo.
    Oiei pro céu, e vi as nuvem se juntano e logo escureceu. Tirei o suor da
    testa, que escorria pro nariz, denunciano a quentura que tava fazendo.
    Fiquei emocionado quando ouvi um istrondo vindo do céu. Esbugaei os oi e
    arreparei a chuva caino. O meu suó agora misturava com os pingo trazido
    pelo vento. Os Passarim revuava procurano abrigo, e os relampo clareava o
    céu com seus Raí, e eu ali estatelado agradecia a Deus.

    As foia tava orvaiada pela caricia do céu. Arretirei meu chapé, de forma
    respeitosa, garei minha inxada e bailei sem pará entre as plantação, lá do
    céu com certeza meu Padim Pade Cícero ria de mim. De encontro à chuvarada,
    vou vuano pra casa abraçar a famia, que já vinha na minha direção. A minha
    Matide de pé no chão, corria com seu vestido grudadim na sua formusura
    trazendo os guri.

    Direpente estacou na minha frente, não sabia se chorava ou se sorria, eu
    só sei que ela me abraçava, e neste abraço senti seu coração palpitano de
    alegria incostadim ao meu peito. Os moleque me puxava pra lá e pra cá, e
    neste puxa, puxa, de alegria nois caimo no chão rolano na enxurrada que
    descia em disparada serpenteano o sertão.

    Levantamo sujo de barro, Butei Tiago na carcunda, entrelacei Matide, dei
    a mão a barnabé e pra casa retornamo. Tomemo baim, pra tirar a tiririca
    que a terra moiada deixou. Ascendemo os fifó e esquentemos no calor do
    fugão de lenha, que aquecia a água do café, a borboiá. Logo, logo, os guri
    adormeceu. Peguei um a um e na cama butei.

    Voltei pra minha muié, que tava linda, radiante, Iluminada pela chama que
    briava na cozinha tão modesta. Ela tava incuidinha com o vestido entre as
    perna toda brejera e marota. Fui chegando de mansinho, sentindo seu
    respirar Bem pertim da minha boca que dizia: Matide:eu te amo minha flor.

    Abracei seu corpo escuturá e ali mesmo nois amamo ouvindo a música no
    teiado dos pingo que banhava as teias da nosso ninho. Adormecemo
    entrelaçado e logo pela manhã oio pra ela reluzente o ar era diferente,
    alegria sem igua. Pego meu chape de paia, minha sandaia rasta pé, No ombro
    boto a inxada, ainda suja de barro, do dia anterior.

    No camim percebia os cantar dos passarim, os poço todo cheim, gumitano
    água pura . Vi nossa marca no chão, o florar do feijão, o cantar do
    sabiá, o mi desabrochar e nove meis dispois nasce Esperança nossa fia Pra
    completar essa famia do nordeste brasileiro.

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    SEU MENINO, SEU AMOR, SEU POETA

    Minha mãe quem diria que um dia
    Aquele menino franzino e pacato
    Que sentia dificuldade em aprender o B A B Á;
    Que levava preocupação para o lar
    Quando a professora falava: ele é bom no futebol
    Mas em Matemática e Português tenha dó.

    Meu pai alfaiate, costurava sem parar,
    e ali perto me colocava pra estudar.
    o meu medo de errar não me deixava concentrar
    e quando ele perguntava B O - BO LA - LA
    eu respondia sem pensar: C A S A
    Até que rimava e a régua estalava
    Acompanhada da sua fala: casa o que moleque: BOLA
    Era disso que entendia, mas ninguém compreendia.
    Passa, passa, passa o tempo, fui crescendo e aprendendo em busca de novos
    conhecimentos

    Minha mãe quem diria que um dia
    estaria aqui relembrando meu passado, minha infância e dizer com alegria
    Sou poeta, sou ator, seu menino, seu amor que escalou os Montes Claros das
    Minas Gerais, Terra de Tiradentes, dos inconfidentes, De Thomas Antônio
    Gonzaga, De Marília de Dirceu, das Cartas Chilenas, Terra do velho Chico
    que traz este gigante: O PSIU POÉTICO DO POVO Irradiando poesias para o
    Brasil e o mundo.
    Mãe...... PSIU !!... sou eu ...seu filho, seu menino, seu amor, seu poeta
    POÉTICO

    PSIU POÉTICO

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    QUANDO NASCI!

    Quando cheguei,chorei e eles sorriram;
    antes de chorar, me bateram para o meu desespero.
    Onde estou não sei, me pegaram pelos pés e de ponta cabeça fiquei.
    Que estranha gente que de repente me bate, me corta e sorri;
    Tava tão quietinho, quentinho ali e fui obrigado sair por uma força
    empurrando minha bunda.
    Êta confusão danada e sem me perguntar me jogaram na água.
    Uma mão veio em minha direção esfregou os meus cabelos,
    desceu para minha cara quase a me sufocar, lavou o meu pinto, saco,
    pernas, pés, não parava de esfregar.
    Não sei quanto tempo durou este vai e vem
    Até que me levaram para alguém, que tinha um cheiro conhecido, me sentia
    protegido.
    Ela me abraça, me beija, sorria pra mim oferecendo o peito, e pelo
    instinto minhas mãos a segura com carinho e minha boca suga sem parar o
    líquido que me acalenta.
    E naquela satisfação, ensaiei um sorriso, porque visualizei MAMÃE pela
    primeira vez.

    biografia:
    Deomídio Neves de Macêdo Neto

    Natural de Guanambi - BA, ator DRT nº
    2274/2000, inscrito no Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de
    Diversões do Estado da Bahia. Administrador; pós-graduado Lato Sensu MBA
    em Gestão Pública - Desenvolvimento e Economia Regional pela Fundação para
    Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia -
    FUNDACE - Fundação formada com professores da USP. POETA / DECLAMADOR.
    Participo desde o ano de 1994 do Grupo Artístico Bem-Te-Vi Guanambi da
    UNEB - Universidade do Estado da Bahia, Campus XII, Guanambi - BA, o qual
    apresentou várias peças teatrais.

    deomidio@gbi.com.br

    Violeta Boncheva
    Patricia Andrea
    Rodriguez
    Ahmed
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    Ljubomir Mihajlovski