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    Claudenir Paz Siqueira Assi 
    [Cônsul - Jardim Tupancy-SP] 


    LAILA

    [À Laila, minha querida aluna, contadora de histórias]

    Com seus olhinhos de cristal
    E largo sorriso cativante
    Conta histórias com jeitinho de Natal.
    Menina brilhante!
    Tem síndrome de down,
    Mas isso não é importante
    Na classe é genial.
    Furor de iniciante,
    Pra quem o saber é essencial.
    Sonha aprender, com vontade de gigante.
    Assim é Laila, menina especial:
    Faz-nos sentir como a vida é fascinante.
    Faz-nos sorrir e esquecer do mundo todo o mal.

    Clau Assi

    ***************************

    BÊBADO

    Uma bebida
    Uma segunda
    Outra mais
    Bebe a tristeza
    A solidão
    O desemprego
    E a favela
    Engole
    Dívidas
    Vergonhas
    Humilhações
    Cambaleia pra fora
    Esquecido
    De si
    Dos outros
    Do mundo
    Chacoalha pra lá
    Pra cá
    Cai
    Fica caído
    Na calçada
    Um desvia
    Outro também
    E ele dorme
    Apagado
    Abandonado
    Por si
    Pelos outros
    Pelo mundo.

    Clau Assi

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    POESIA FECUNDA

    Sou poesia
    Fecunda companheira
    Cultivo letras
    Crio sentidos
    [Re]crio palavras
    A paixão é o broto
    É o caule
    O fruto
    Amadureço amores
    Apanho a semente
    Colho vida
    Vida renovada.

    Clau Assi
    ***********************
    FAROL VERMELHO

    No farol
    Cobertos pelo Sol
    Observo duas crianças
    Nos olhos poucas esperanças
    Brincam com malabares
    Conquistam assim o sustento de seus lares
    Com tão pouca idade
    Do mundo já conhecem a crueldade
    Já conhecem o abandono
    Já descobriram do mundo os donos.
    “Tio, me dá um trocado”
    É o que costuma ser falado.
    Distraída com a cena
    Avisto outras duas crianças pequenas
    Carro importado
    Rostos corados
    Uns conhecem a fartura
    Os outros famintos, vida tão dura
    Menino de futuro brilhante
    Contrapondo com outro num pedir tão humilhante
    Menina de vestido gracioso, alegre criança
    A outra de trapos vestida, de comum apenas a trança.
    Penso na minha solidão,
    Que o mundo não é justo não!

    Clau Assi

    biografia:

    Claudenir Paz Siqueira Assi. Brasileira, natural de Teodoro Sampaio, residente desde os 3 anos de idade na cidade de Barueri, casada, mãe de duas filhas, Professora de Língua Portuguesa ha 17 anos, na rede pública de ensino, premiada com o terceiro lugar no concurso 'Giz de Ouro-2006' com o projeto 'Leitura: sonho, pensamento, ação'. Aprendiz de poeta e da vida.

    clauassi@yahoo.com.br

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