Benny Franklin
[Cônsul - Belém-PA]
TODA INCERTEZA SERÁ CASTIGADA!
Qual das orquídeas selvagens Nascida rainha oprimida nos campos e florestas sem fim, Haveria de insurgir-se ante as covardes peripécias da natureza Cuja beleza transcende olhares e fomes? Mesmo que dela provenha o poder do reprove humano, Qual símbolo métafísico vindo dos altos penhascos divinos Poderia fazê-la colar-se à vida para sobrepujar a dor de todo desamor? É verdade, precisamos de esperança; agir, Viver sem esperança está além de nossas forças. Porém, não precisamos de mais que esperança: E não têm que nos dar mais que esperança. Não necessitamos de certeza. Pois ela já a habita em nosso cerne. Mas, o que se dizer da incerteza que mora ao lado? A incerteza, em particular, não deve ser um substituto, Para os sonhos e para desejos infundados: Não deve lembrar nem um bilhete de loteria nem uma apólice de seguros. O elemento religioso da incerteza constitui idolatria, supertição. Se pensarmos que a incerteza na vida progride, Ou que estamos destinados a progredir sem ela, Cometemos o mesmo erro Daqueles que acreditam que a vida tem um sentido que poder ser Descoberto nela e que não necessita der dado a ela. Progredir com certeza na obtenção do êxito É mover-se no sentido de alguma espécie de fim, Na direção de um fim que existe para nós enquanto seres humanos. A incerteza não pode fazer isso; Só nós, os indivíduos humanos podem fazê-lo; Podemos fazê-lo defendendo e fortalecendo as instituições democráticas De que a liberdade - e com ela o progresso - depende. E faremos muito melhor à medida Que nos tornarmos mais completamente cônscios Do fato de que o progresso da certeza fica por conta de nós mesmos, De nossa vigilância, de nossos esforços, Da clareza com concebemos nossos fins E do realismo de sua escolha. Porém, a indagação à vida, continua em alta...: Qual das orquídeas selvagens Nascida poesia oprimida nos rendez-vous e casernas afins, Poderia insurgir-se galada ante as covardes violências da fome Cuja beleza transcende olhares, gozares e homens? Com um beijo o homem traiu o verbo; Com um fato inusitado o homem mancha-se de sebo: O que mais matar em nome do amor? Resta senão convivermos com a flor do destino, Já que, os destinos incertos da vida sejam da natureza, sejam da história, Não podem tomar a decisão por nós, Não podem determinar os fins que iremos escolher. Somos nós que damos propósito e sentido à natureza e à vida. Nós, seres humanos, não somos iguais, Mas podemos decidir lutar por direitos iguais. As instituições humanas como o Estado não são racionais, Mas podemos decidir lutar para torná-las mais racionais. Nós mesmos e nossa linguagem ordinária somos, no todo, Emocionais em vez de racionais, tornar um pouco mais racionais. E podemos nos treinar para usarmos nossa linguagem Como instrumento não de auto-expressão [como nossos professores românticos diriam] Mas de comunicação racional. Depende de nós decidirmos qual será Nosso propósito na vida, determinar nossos fins. Ao invés de nos arvorarmos em profetas, Temos que nos tornar os forjadores de nosso próprio destino. Temos que aprender a fazer as coisas o melhor possível E a estar atentos aos nossos erros. E quando tivermos abandonado a idéia de que a história do poder É que nos julgará, quando estivermos deixados de nos preocupar, Se a historia irá nos justificar ou não, Então um dia talvez, Possamos conseguir derrotar o poder da incerteza. Dessa forma, somente dessa forma, Poderemos até justificar a história; Por nossa vez, sem medo de ser feliz, Ela precisa muito mesmo de uma justificação.
TEU CÉU SOB A PONTA DE MINHA ESPADA!
I
Desaba-se em mim o céu de brigadeiro! Às lágrimas talhadas da palavra Desaba-se o mistério do olhar de perdição Cuja queda d'água das altas montanhas pirolisadas Há que lamber vorazmente O sexo promíscuo da raça humana - essa gala sensabor Que comanda nossas maledicências poéticas!
Sei que hoje O orvalho de mim mesmo Há que precipitar-se da boca de Deus E de tantos orvalhos que não vêem somente dele Mas que vêem de mim e de santos soldados Que hoje não sobrevivem apenas de poemas mal-alimentados Senão de infindas dores e de mísseis latino-americanos Todavia que a morte no front não me seja breve
Ó palavra com ar de mistério! Ó força de origem desconhecida! Ó dardo afiado que fura o coração envenenado! Ó tantas bacias de cicuta! Ó rendez-vous de espíritos caídos Ó arco e flecha - Onde se escondeu o hábil arqueiro da vida?
II
Cabe o teu céu sob a ponta de minha espada Cabem-me todas as injustiças possíveis Todas as inverdades impossíveis Todas as angústias do mundo - as angustias [meu Deus!] nos cortam as palavras! O que antes eram apenas inocentes ilusões Hoje se depara em forma de crucifixos de aço
Ó Deus! Ó Deus! Que é o amor enquanto é? Que é a dor enquanto não é? Que é a palavra enquanto não está? Que é o pavor enquanto è? Que é o homem enquanto se destrói? Que é a verdade enquanto não cabe? Sei que com os admiráveis truques de guerra Faz-se a bendita paz no horizonte Mas há que se lembrar do futuro do homem
III
Mas há que se lembrar Que a Deus imploramos sofridas renuncias Sustento Amor Há que se desvendar O homem: - um ser para a morte! Há que se desdizer O homem: - um claustro em movimento! Há que se contestar O homem: - um pássaro cativo! Há que se maldizer O homem: - um ser abominável! Há que se construir O homem: - um ser quase poético! Há que se salvar O homem: - um ser semelhante ao espinho!
IV
Sim! É desejo de minh'alma Ó estômago ressequído! Que caiam sobre a terra Os arrependimentos de Judas! As canções de John Lennon! As palavras de Martin Luther King! Os ensinamentos de Gandhi! As bênçãos de Cristo e Maomé! E a mercê de acreditar No lamento das bocas de fome Possa este poema esquivar-se Da ganância!
Deste modo Ao fim da ceia Que caiam pujantes Flores em edifícios nova-iorquinos Que desapareçam tumores do homem Que desapareçam as ferrugens brutas de Carajás Que caiam vidas da neve amazônica Pois que se calem também As lamúrias das palavras malquistas Os assobios dos mísseis londrinos!
V
Porque é meu desejo Ó esperança! Que caiam sobre todos nós O doce burburinho das manhãs Dos amanhã possíveis Que floresça-nos por fim O verdadeiro Deus Cujo divino orgasmo ocultado na dor de escrever Não mande falecer Os grandes poetas baixo-amazonenenses Porquanto sua farta languidez poética Embebida de salientes orvalhos Não se liquefaça gozada Tampouco se deixe balear Pelos tanques e baionetas Das vaginadas Américas
biografia:
Sou Benjamin da Costa Franklin, atuo profissionalmente na área administrativa, e Benny Franklin é o nome com que assino as minhas publicações. Nasci a 14 de março de 1960 na cidade de Santarém, plantada à margem direita do Tapajós, rio de águas claras, lugar-comum de grandes escritores e músicos, entre eles: Rui Barata, Cléo Bernardo, Rodrigues dos Santos, Emir Bemerguy, Nicodemos Sena, Wilson Fonseca, Sebastião Tapajós, José Wilson Malheiros da Fonseca e Vicente Malheiros da Fonseca. Por fidedigna dedicação, excitação incontrolável, a vida me empurrou ao prazer de fazer poesia, me fez abandonar o ato de expiação dos homens quietos de plantão [vez que, a poesia para mim é um ato de guerrear; uma forma de resistir!] para me empurrar, irrequieto, por inteiro, ao difícil e duvidoso [em termos profissionais] caminho da arte poética. Minhas primeiras poesias chegaram ao conhecimento popular após serem publicadas de forma virtual em dois blogs poéticos que os mantenho no ar, além de publicações em outros sites de poesias virtuais [pois a publicação de livro é um sonho à vista!...]; de modo que, nesse tipo de publicação encontrei forma ideal, rápida e abrangente de fazer minha poética chegar até longes terras. O viajar dos anos só fez amadurar as minhas convicções poéticas e abonar os elogios com que fora recebido pela intelectualidade paraense. Recentemente, fui 'vencedor em poesia do 1º Prêmio AP de Literatura 2006' da Assembléia Paraense: um dos maiores e tradicionais clubes de atividade social da sociedade brasileira, que pela primeira vez pôs à disposição da comunidade cultural do Pará tão importante prêmio literário. Premiação esta, que me deu ânimo de vida, que me renovou a força de escrever e, que, me fez tomar a seguinte decisão: buscar na poesia arma ideal para combater o mau tempo. Sem perder o inconformismo que inflama meu canto, continuarei buscando estrume verbal e divinal inspiração dos deuses da palavra, pondo-me por inteiro a serviço de relevantes causas literárias e sociais de nossa Região, do Brasil, e do Mundo.
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