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    Damário Da Cruz 
    [1953 - 2010] 


    Caixa - preta

    Sou um homem.
    Portanto,
    mais que palavra.

    Não pronuncio
    o sentimento
    apenas como palavra.

    O que foi dito
    ao entardecer
    não se confirma
    na madrugada.
    O que foi visto
    no sonho
    não se confronta
    com a realidade.

    Sou um homem.
    Portanto,
    uma surpresa.

    In Segredo das Pipas, Salvador, EPP PUBLICAÇÕES E PUBLICIDADE/ BANCO CAPITAL, 2003.


    Primeiro de Abril de 64 na Rua Direita do Santo Antônio

    Ao poeta Miguel Carneiro

    O que são
    esses navios cinzentos
    no meu mar?

    O que são
    esses olhos de menino
    querendo o mar?

    Porque dona Mosa,
    Pró do Primário,
    nunca me falou
    que toda ditadura
    enfeia a água?

    In Inédito 09/11/2005

    TODO RISCO.

    A possibilidade de arriscar
    é que nos faz fortes
    vôo perfeito
    no espaço que criamos
    Ninguém decide
    sobre os passos que evitamos
    certeza
    de que não somos pássaros
    e voamos
    tristeza
    de que não vamos
    por medo do caminho.

    [Damário da Cruz]

    Biografía:

    “Sua criação inclui versos duros que atingem o alvo de toda essa desordem instaurada no país pela gangue palaciana. Para essa gente, poetas só são 'os zezés de camargos e lucianos cantando dor de corno', ou 'os gilbertos gils da mediocridade', que lambem os sujos sacos e aceitam suas malas de dinheiro como forma de patrocínio:
    Quanto mais eu sonho
    com Cachoeira
    mais amanheço em Nove York
    Quem o diz é Damário.
    Poetas vivos brasileiros não passam de cerca de oito mil num universo em que a totalidade da população brasileira atinge a casa dos cento e oitenta milhões de habitantes. Mas aqueles que com o seu sacrifício adquirem o pão nosso de cada dia com a sua poesia não chegam a quatro ou cinco.
    No entanto, contrariando esses dados de uma sociedade perversa e neoliberal, está estabelecido na estrada desse campo literário o poeta cachoeirano Damário da Cruz, que há trinta anos faz poesia de primeira plana, alheio à safadeza capitalista.
    Conheci-o em décadas passadas, quando com Daniel Cruz Filho e meu amigo Márcio Salgado, poeta também lá de Monte Santo, autor de Indizível, lançaram uma coletânea na Facom, ainda no bairro do Canela, dali o poeta Dámario saiu diplomado.
    Da Cruz já viu o mundo. Fotógrafo premiado, percorreu vários países captando na lente de seu olhar paisagens e gentes. No Pouso da Palavra, em sua terra natal, mantém um espaço cultural, abrigando conterrâneos e turistas, ávidos por cultura genuína, brasileira. O poeta faz parte da irmandade dos membros do grande templo da linda sacerdotisa Fon, a nossa saudosa e eterna Luiza Gaiaku. E evocar a cidade heróica sem ligá-la a Damário da Cruz, que tanto canta sua aldeia, é cair no lugar comum.
    Damário é um poeta paradoxal, dentro da síntese de seus versos, indicadores de brilhos e imantação cuja poesia sintética eclode lírica em meu coração. “ MIGUEL CARNEIRO

    Ayten Mutlu
    José Pablo Quevedo
    Ali Al-Dimshawy
    Juergen Polinske
    Maggy
    Gómez Sepúlveda
    Candida
    Pedersen
    Xuanxo Bardibia Garçelya
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