Damário
Da Cruz
Caixa - preta
Sou um homem. Portanto, mais que palavra.
Não pronuncio o sentimento apenas como palavra.
O que foi dito ao entardecer não se confirma na madrugada. O que foi visto no sonho não se confronta com a realidade.
Sou um homem. Portanto, uma surpresa.
In Segredo das Pipas, Salvador, EPP PUBLICAÇÕES E PUBLICIDADE/ BANCO CAPITAL, 2003.
Primeiro de Abril de 64 na Rua Direita do Santo Antônio
Ao poeta Miguel Carneiro
O que são esses navios cinzentos no meu mar?
O que são esses olhos de menino querendo o mar?
Porque dona Mosa, Pró do Primário, nunca me falou que toda ditadura enfeia a água?
In Inédito 09/11/2005
TODO RISCO.
A possibilidade de arriscar é que nos faz fortes vôo perfeito no espaço que criamos Ninguém decide sobre os passos que evitamos certeza de que não somos pássaros e voamos tristeza de que não vamos por medo do caminho. [Damário da Cruz]
Biografía:
“Sua criação inclui versos duros que atingem o alvo de toda essa desordem instaurada no país pela gangue palaciana. Para essa gente, poetas só são 'os zezés de camargos e lucianos cantando dor de corno', ou 'os gilbertos gils da mediocridade', que lambem os sujos sacos e aceitam suas malas de dinheiro como forma de patrocínio: Quanto mais eu sonho com Cachoeira mais amanheço em Nove York Quem o diz é Damário. Poetas vivos brasileiros não passam de cerca de oito mil num universo em que a totalidade da população brasileira atinge a casa dos cento e oitenta milhões de habitantes. Mas aqueles que com o seu sacrifício adquirem o pão nosso de cada dia com a sua poesia não chegam a quatro ou cinco. No entanto, contrariando esses dados de uma sociedade perversa e neoliberal, está estabelecido na estrada desse campo literário o poeta cachoeirano Damário da Cruz, que há trinta anos faz poesia de primeira plana, alheio à safadeza capitalista. Conheci-o em décadas passadas, quando com Daniel Cruz Filho e meu amigo Márcio Salgado, poeta também lá de Monte Santo, autor de Indizível, lançaram uma coletânea na Facom, ainda no bairro do Canela, dali o poeta Dámario saiu diplomado. Da Cruz já viu o mundo. Fotógrafo premiado, percorreu vários países captando na lente de seu olhar paisagens e gentes. No Pouso da Palavra, em sua terra natal, mantém um espaço cultural, abrigando conterrâneos e turistas, ávidos por cultura genuína, brasileira. O poeta faz parte da irmandade dos membros do grande templo da linda sacerdotisa Fon, a nossa saudosa e eterna Luiza Gaiaku. E evocar a cidade heróica sem ligá-la a Damário da Cruz, que tanto canta sua aldeia, é cair no lugar comum. Damário é um poeta paradoxal, dentro da síntese de seus versos, indicadores de brilhos e imantação cuja poesia sintética eclode lírica em meu coração. “ MIGUEL CARNEIRO
damariodacruz@globo.com
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