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    Deth Haak 
    [Cônsul - B. Ponta Negra-Natal-RN] 


    Búzios mulher...

    Não sei porque fiquei, porque fui e voei indo e vindo,
    Sei que perto estou da fortuna! Anos e anos se foram
    Muitos virão e eu sigo na contra mão, flano e vou indo,
    Assim quis o onipotente! O que seus ventos plasmaram...

    Sei do que sonhei contigo noites afins, no pranto sentido,
    Remoendo as saudades eivadas, que na face rolaram
    Encharquei papiros, tingi de lágrima a pena o tempo ido
    Na nostalgia que os versos aos gritos, remidos propalaram...

    Em suas pomas pranteadas a Búzios mulher da mocidade
    posto que a poesia seus contornos a lembrança alcança
    que na fábula divulgarei ao mundo a cara $3>$3>$3>$3>$3>$3>$3>$3>de da cidade...

    Búzios, que eu te cante que te verse a minha única verdade
    Sua graça e formosura sem par! Prevejo no voejar da lança
    Suas curvas insinuantes na essência, o alcançar da realidade...

    'A Poetisa dos Ventos'
    Deth Haak
    28/6/2006


    Julho em Armação dos Búzios...

    É em julho que legião de anjos cantam
    Os salmos em catecismos maviosos.
    Na romaria seguida dos fiéis que oram
    Em louvor a Sant' Ana! Nativos e curiosos.

    É em julho que nos recordamos
    Dos festeiros, Tuico e Joaquim Maia
    Trazendo a lista dos donativos, e brindamos,
    Com sinos a festa esperada na orla da praia...

    Julho, o migrar das aves nos mares
    Em hinos. Flanando pelos montes nas raias
    Buscando pouso voejando arredores
    Em alegres gorjeios em todas praias...

    Magnânimo Julho de Sant' Ana e reza!
    Em terços ou ladainhas em contrição
    No coreto a banda no andor a beleza
    Fogos missas e romeiros a tomar benção...

    É em julho que nos reencontramos
    Fazemos e pagamos tantas promessas
    Ao seguir a procissão nos irmanamos
    Iguais ,pobres e ricos a fé devotamos...

    Aos pés de Sant' Ana que sai da capela,
    Visita seus filhos entre cantos e velas
    Nas ruas calçadas pescador na janela
    Pedindo a Sant' Ana fartura na panela...

    Que proteja seus barcos redes e canoas
    E os poupe nas proas dos vendavais,
    Que abençoe a cidade de boas pessoas
    Pra que chegue o verão raiado de paz...

    Bênçãos Nossa Senhora de Sant' Ana!

    'A Poetisa dos Ventos'
    Deth Haak
    2/7/2006


    Caiçara...

    São restos mortais de abalones só nacaro!
    Ninados por espumas nas ondas bravias
    Sob o olhar fascinado dum grão de areia
    Vigilante atento ao espreitar das bahias...

    No florescer da embira amadeira de lei!
    A colmeeira no telhado a abelha rainha
    No cume mais alto do monte te batizei,
    A água benta do capim que cheira diria...

    A rede tecida a sombra da amendoeira
    No laço que amarra o barco no calafeto
    Da canoa que faz água, na proa ou popa,
    Nos tarrafados arcos trinados do vento.

    É o farol lobrigado, acossado na tormenta...
    A bonança do dilúvio que surge da viração!
    O fruto desejado encontrado na fominha
    flâmula que treme percebendo assombração.

    Caiçara nos remos, de rumos apenas ornados
    nas cores da vida, que tarimba pés e mãos
    Estro verseja, cândidas praias da Armação
    querida. Nos Búzios negros em fumes torcidos...

    dos lampiões acesos ao querosene no pender
    das lamparinas, na brasa do fogão de lenha
    fervendo o café de cana ,chispas fagulhadas
    das brenhas que gemem na foice ao morrer...

    caiçara, do presente o passado vem agradecer,
    marcas desmistificadas, seguindo as linhas
    deixadas no norte, traçando rotas a percorrer
    ouvindo vento, o que diz a voz das esquinas...

    o som de seus atabaques, quem sabe marimbas,
    hoje são os dardos advindo do arco das flechas
    musicando os tamancos, o dançar das marinhas
    no caminho dos negros o banhar nas cacimbas...

    passos que jaz embalado na melodia dos ventos
    ouço o pranto dos silvícolas, os muitos habitantes
    verso a Armação de dantes, a exaltar os Tamoios
    dizimados, dornados barcos partindo como antes...

    nos cipós do Humaitá, ao barro de João Fernades
    louvo ao Senhor dos encantos, a Búzios doravante
    foi esteira foiço esteio, da pargueira anzol fremente
    hoje versa o poema ao SOL, agradecendo essa gente...

    no cantar de meus irmãos africanos brancos caiçaras
    a Europa miscigenada, que floresceu neste quintal
    nas roças de bananeiras a sombra das tantas aroeiras
    a pajelança do curandeiro, crendice de crioulo é igual...

    nas canoas e tarrafas no mergulhar das lagostas
    o propalar dos pescadores, nada mudou afinal...
    do xaréu das cavalinhas, a fartura só quem tinha
    diz Dith de Dagil, depois de partilhar tinha enterrar...

    chora na poesia a Caiçara, por Deus salvem meu mar!
    A versar dor e lamento, já não temos mais pescado,
    Escrevo pra relembrar. Do Parati Namorado da Garoupa
    O Dourado, por Adonil e Soca, retirados de seu mar...

    'A Poetisa dos Ventos'
    Deth Haak
    15/6/2006


    biografia:

    Quem sou eu...
    A caiçara destemida que dormita nos seios das palhas
    Das paixões ensandecidas, a lapidação em adornos da veridicidade,
    Na estória contada o eco da realidade, o monte das gralhas,
    A campear flanando as veleidades no templo da mocidade!
    Quem sou eu...
    Um luar cheio de janeiros a esculpir em marfim cascos que empalhas
    No orvalhar da calha, gotejado nos tálamos crepusculados da lubricidade,
    Vertendo das entranhas flumen aprazidos no arraigar das navalhas...
    Umedecendo as velas pandas em pélagos, nos enristes mastros, da felicidade!
    Quem sou eu...
    A fisiologia da alma a rever os fardos empoeirados revisando as tralhas,
    Nas intempéries das muitas existências, a inclinação filosófica em alacridade...
    No trilhar a mente, a obstinação de Hércules, a invadir Neméia nas ralhas,
    Da m℮tafísica. Concubina dos ideais de Platão, eleita matéria prolixa da Divindade...
    Quem sou eu...
    O aço, urdido em amor! Sopro do barro que moldou Diana parida nas cangalhas,
    Dos adágios de Heráclito. O cinzel sábio de Athena a clamar liberdade
    No sêmen fraterno da beleza de Afrodite em sarandalhas.
    Musa de Orfeu no soslaiar de Sócrates, seguidora de Freud na hereditariedade...
    Quem sou eu...
    O pleroma de Jung a contemplação do sol penetrando no inconsciente das migalhas
    Conscientes. Partícula azul do universo sideral infinito, a mensurar a continuidade
    Do limiar um trovão, em meio à escuridão das muitas crenças em farfalhas,
    Do silfo interno. O âmago descrito em estros, na implosão da criatividade,
    Plasma do físico, alento etéreo na magia do ajuizar, o atingir de maravilhas...
    A maga em seus muitos corpos, a fada na invocação do vate em Deidade!
    ' A Poetisa dos Ventos'
    Deth Haak
    13/6/2006

    dethaak@oi.com.br

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